Sabrina Noivas 121 - A Weedding Worth Waiting For
 
Quando o verdadeiro amor espera at a noite de npcias! Karrie apaixonou-se no instante em que Farne Maitland.a convidara para sair. Fascinada pelo charme e seduzida pela fora da masculinidade do jovem executivo, ela mal podia acreditar em tamanha felicidade...Farne era 1 homem experiente, enquanto Karrie fora educada para casar-se virgem. Ele via apenas 1 soluo para esse problema: subir ao altar o mais rpido possvel! Como seria este casamento se estivesse baseado somente na forte atrao fsica que sentiam?

Digitalizao e correo: Nina

Dados da Edio: Editora Nova Cultural 2001
Publicao original: 1999. Estado da Obra: Corrigida
Gnero: Romance contemporneo
 

Srie White Weddings
 Leclaire, Day
Shotgun Bridegroom - Sabrina Noivas 119 - 
A Noiva Virgem	Aug-1999
 Steele, Jessica
A Wedding Worth Waiting For - Sabrina Noivas 121- Entrega Por Amor	Sep-1999
 Greene, Carolyn
Marrying Mr. Right	Oct-1999
 Neels, Betty
An Innocent Bride	Nov-1999
 Neels, Betty
Matilda's Wedding	Apr-2000
 Winters, Rebecca	The Faithful Bride 	Aug-2000

Obs: Tem Outra srie com quase o mesmo nome
 (Srie White Wedding)
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Srie White Weddings # Srie White Wedding

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CAPITULO I

Aquela tera-feira comeou como outra qualquer. Karrie levantou-se, tomou banho e vestiu-se para ir trabalhar. Pensou em prender em um coque os cabelos louros e lisos, que lhe chegavam aos ombros, mas acabou desistindo da ideia e deixou-os soltos. S porque no dia anterior Darren Jackson dissera, com voz emocionada, que adoraria caminhar descalo sobre suas madeixas macias, da cor do milho maduro, no era motivo para ficar obcecada. Naquela hora, replicara, rindo:
 Potico, mas, mesmo assim, no vou sair com voc.
Darren, que trabalhava no mesmo escritrio, tentava sair com Karrie desde que ela fora admitida na Irving and Small, trs semanas antes.
Estudou sua aparncia no espelho e sentiu-se bem, vestindo o conjunto cor de laranja, pronta para enfrentar mais um dia de trabalho. Lanou um ltimo olhar ao espelho, relembrando as palavras de Darren, e sorriu. Em seguida, saiu do quarto e desceu a escada.
Mas o sorriso desapareceu como por encanto, ao entrar na sala de jantar. A frieza era quase palpvel. Seus pais no estavam falando um com o outro. Bem, isso no era novidade. Karrie crescera em um lar onde olhares furiosos e silncios glaciais, alternados com discusses e brigas terrveis, faziam parte do cotidiano.
Para no dar a impresso de que tomava partido de um ou de outro, cumprimentou, sem dirigir o olhar a nenhum dos dois:
	Bom dia!
O pai, Bernard Dalton, a ignorou. Ainda no perdoara a filha por ter pedido demisso de sua firma para empregar-se em outra empresa. A me tambm no respondeu  saudao, mas investiu com sarcasmo:
	Seu pai teve a delicadeza de me telefonar s sete da noite, ontem, para dizer que estava "muito ocupado" para ir ao teatro, como havamos combinado!
	Que pena  murmurou Karrie, solidria.  Bem... quem sabe... possam ir num outro dia.
	A pea termina esta semana  replicou a me, dardejando um olhar acusador ao marido.  Embora deva me sentir satisfeita por ele ter me avisado de sua prpria voz. Da outra vez mandou Yvonne me telefonar.
Yvonne Redding era a dedicada secretria de Bernard Dalton.
Karrie tentou pensar em algo confortador para dizer  me, sem ofender o pai, porm Bernard engoliu apressado o que restava de seu caf e, ainda mudo, saiu da sala.
	Somos apenas parte da moblia, eu e voc  choramingou a me, estremecendo em seguida, quando a porta da frente se fechou com estrondo.
Karrie achou melhor mudar de assunto.
	Jan est muito bem.
Jan era a prima de Karrie que acabara de ter alta do hospital depois de uma operao de apendicite. Morava em um apartamento distante da casa dos Dalton, e Karrie fora visit-la na noite anterior, depois do trabalho.
Ela e Jan eram muito amigas, e Karrie voltara para casa depois das dez horas da noite. Imaginara que os pais estariam no teatro, mas Bernard, viciado em trabalho, ainda no voltara para casa, e a me j estava dormindo.
Tudo levava a crer que, naquela manh, a sra. Dalton estava to aborrecida com a falta de considerao do marido que no se preocupava muito com a recuperao da sobrinha, pois mal ouviu o comentrio de Karrie.
Depois de tomar um copo de suco, Karrie beijou o rosto me e saiu, refletindo que jamais se casaria com um homem que s pensasse em trabalho. Felizmente,  medida aue se afastava de casa, ia recuperando o bom humor. O que lhe reservaria o destino naquele dia?
Havia Travis Watson, que vivia pedindo-a em casamento, embora soubesse que era em vo. Aos vinte e dois anos de idade, Karrie j havia recebido algumas propostas de casamento, mas nenhuma lhe interessara. Seu sonho era conhecer o homem ideal, algum que se importasse com a carreira, mas que colocasse o amor sempre em primeiro lugar.
Dirigiu at o estacionamento do moderno complexo da Irving and Small, sentindo-se realizada por trabalhar no departamento de compras e materiais. Gostava muito mais de trabalhar ali do que no escritrio do pai.
Trabalhara durante quatro anos para a empresa da famlia, a Dalton Manufacturing, por um salrio simblico e, embora dinheiro nunca tivesse sido problema para ela, comeara a ficar contrariada ao perceber que o pai exigia dela uma dedicao exagerada, sendo, ele prprio, um workaholic.
Iniciara-se ento uma guerra familiar, com a me bradando que estava perdendo tambm a frlha, alm do marido. Karrie propusera ao pai que a deixasse encerrar o expediente s seis horas, como a maioria dos mortais fazia, mas Bernard, furioso, sugerira que ela fosse procurar outro emprego, se queria tanta folga.
Claro que Bernard nunca imaginara que Karrie levasse a srio sua exploso. Ela, porm, decidindo que chegara ao seu limite, persisitira na ideia, o que deixara o pai ainda mais enfurecido.
 Est jogando fora a maior oportunidade de sua vida!  gritara Bernard Dalton.  A empresa  sua! Poderia chegar  diretoria, daqui a alguns anos.
"Daqui a alguns anos..." A perspectiva no atraa Karrie. O pai j lhe prometera o cargo de supervisora e, naqueles quatro anos, isso no acontecera.
Karrie atravessou o estacionamento em direo ao prdio principal da Irving and Small.
	Karrie!
Ao ouvir seu nome, virou-se para ver quem era.
	Bom dia, Darren.  Ela acompanhou a saudao com um sorriso. Podia no querer sair com Darren Jackson, mas gostava dele como amigo.
	Ainda no consigo acreditar que seus cabelos tenham esse tom dourado natural  comentou Darren, ignorando o cumprimento.
"Dourado!" No dia anterior fora "da cor do milho maduro", lembrou Karrie. Sim, a cor de seus cabelos era natural, e ela no pretendia mais discutir esse assunto com Darren.
	Parece que o dia hoje ser lindo  comentou, enquanto entravam no prdio.
	Todos os dias so maravilhosos, desde que voc comeou a trabalhar aqui.
Karrie sorriu e balanou a cabea.
	Concentre-se em seu computador.
Entraram na sala que compartilhavam com mais doze funcionrios, e Karrie dirigiu-se  sua mesa. O trabalho era interessante, mas no to absorvente que a impedisse de divagar, de vez em quando.
Pensou no pai, que amava sua empresa mais do que a prpria famlia. Vezes sem fim seus pratos favoritos eram preparados e depois de alguns dias jogados fora porque ele no ia jantar em casa.
Karrie pensou em quantas vezes o pai e a me planejavam sair, e a secretria acabava telefonando para dizer que o jantar ou o teatro haviam sido cancelados porque o sr. Dalton iria se atrasar. Quantas vezes Karrie vira o brilho de felicidade desaparecer do olhar da me...
Sabia que, por muito tempo, a me fora apaixonada pelo marido. Ainda devia ser, caso contrrio no seria to afetada por sua negligncia.
Karrie sabia, no entanto, que, embora a atitude do pai a magoasse, no devia interferir. Certa vez tentara tocar no assunto com o pai e recebera uma resposta malcriada, Clia, uma colega que sentava do outro lado da sala, interrompeu os pensamentos de Karrie no exato momento em que ela jurava a si mesma, pela milionsima vez, nunca ter um casamento igual ao de seus pais.
	Voc tem um lpis apontado?
Karrie respondeu sem pestanejar, satisfeita por se sentir to  vontade no departamento de compras e materiais.
No meio do expediente da manh, decidiu ir at a mquina de caf. Era uma tera-feira comum e rotineira, e foi ento que algo aconteceu para tirar as coisas do marasmo.
Karrie levantou-se, caminhou pelo corredor em direo  mquina e... colidiu com um homem alto, bonito, na faixa de trinta anos, que se dirigia para a sala de reunies.
Sentiu um baque no corao. Abriu a boca para se desculpar, mas quando seus olhos meigos e castanhos encontraram os do homem, azuis e penetrantes, no conseguiu pronunciar uma s palavra. O homem deu um passo para o lado, deixando-a passar.
Lucy, uma garota que tambm trabalhava no departamento de compras, estava junto  mquina de caf, e Heather, a jovem que se sentava atrs de Clia, juntou-se a elas e anunciou:
	S vim dizer que Farne Maitland acabou de chegar para a reunio com o sr. Lane. No quero deixar de v-lo, nem que seja por um instante, quando sair da sala!
Em tom de voz confidencial, Lucy perguntou:
	Farne Maitland est aqui?
Heather balanou a cabea de modo afirmativo, enquanto apertava o boto da mquina de caf.
	Sim, e Karrie quase o atropelou no corredor.
	No diga!  exclamou Lucy, arregalando os olhos para Karrie.
	Quem  ele, afinal?  perguntou Karrie, confusa.
	Ele  membro do conselho administrativo da Adams Corporation, uma empresa associada  nossa  esclareceu Heather.  Gosta de comandar tudo, embora...
	Embora no visite com frequncia a Irving and Small, para nossa tristeza  concluiu Lucy.
	Voc est apaixonada!  provocou Karrie.
	Como a metade das mulheres que trabalham aqui  concordou Lucy.  Que desperdcio... Um homem daqueles, solteiro!
	Vai ter que baixar seus padres, queridinha  zombou Heather.  Sabe muito bem que Farne jamais se dignar a olhar para qualquer uma de ns.
	Uma garota tem o direito de sonhar  redarguiu Lucy.  E melhor voltar para a sala. Jenny no veio trabalhar hoje.
	Sempre algum falta  suspirou Heather.  E por isso que nunca d tempo de fazer tudo. Ainda bem que, agora, voc faz parte da equipe, Karrie.
Karrie sorriu, satisfeita por se sentir til, e tratou de voltar tambm ao seu lugar.
Mas no conseguia parar de pensar em Farne Maitland e seu olhar penetrante. Ser que ainda estava na sala de reunies, ou j teria ido embora? Era o homem mais charmoso que ela j vira na vida... e solteiro... No era de admirar que causasse furor entre as mulheres. Porm, parecia ignorar a todas.
Karrie suspirou e tentou concentrar-se no trabalho. Que pensamentos eram aqueles? Estava parecendo uma tola. Mas ergueu o olhar quando uma porta  frente se abriu, dando passagem a dois homens. O sr. Lane acompanhava o visitante, atravessando a sala dos computadores em direo  sada do prdio.
Depois de alguns passos, no entanto, Farne parou e estendeu a mo para Lane, despedindo-se e continuando o percurso sozinho.
Ao perceber que o executivo da Adams Corporation iria passar por sua mesa, Karrie tratou de fixar o olhar na tela do computador, fingindo concentrao. Com o canto do olho, via-o aproximar-se, e seu corao comeou a bater mais forte. O que estava acontecendo com ela? Por que um homem que nunca vira na vida e com quem simplesmente esbarrara no corredor a perturbava daquela maneira?
Karrie percebeu a sombra do terno cinza que chegava cada vez mais perto e tratou de ficar imvel diante do monitor, esperando que ele passasse de uma vez para poder relaxar. Porm, prendeu a respirao quando Farne Mai-tland parou ao lado de sua mesa!
Karrie sentiu as pernas fraquejarem, apesar de estar sentada. Era intil continuar com os olhos grudados no computador. Ergueu a cabea e o encarou.
Cus, ele era um homem deslumbrante! Os olhos azuis levemente sorridentes pareciam querer devor-la. Vagamente, Karrie concluiu que ele, conhecendo os funcionrios, sabia que ela era nova na empresa e decidira dar-lhe as boas-vindas.
Sem tirar os olhos do rosto de Karrie, Farne perguntou com voz profunda e ao mesmo tempo zombeteira:
	Quem  esta jovem?
Karrie no desviou o olhar e respondeu, tentando fazer graa:
	A filha do sr. e da sra. Dalton.
Percebeu que os olhos azuis iam do seu rosto sorridente para a mos sem aliana. Farne voltou a encar-la, e perguntou, de maneira casual:
	Ento, srta. Dalton, pode jantar comigo hoje?
Um silncio sepulcral tomou conta do departamento. Karrie no se atreveu a olhar para os lados. Como ele se atrevia a coloc-la numa situao to constrangedora, fazendo aquele convite descabido na frente de seus colegas?
Farne olhava-a,  espera de uma resposta, e Karrie notou seu ar arrogante. Alguma vez alguma mulher teria lhe recusado alguma coisa? Tudo isso lhe deu coragem para dar a resposta que ele merecia.
	Hoje no. E dia de lavar a cabea.
Se Farne ficara abalado com a resposta, no demonstrou. Olhou para seus cabelos louros e brilhantes e, de repente, explodiu numa gargalhada.
Sem poder se conter, Karrie tambm riu, deixando escapar o riso que estivera retendo desde que se apresentara como a filha do casal Dalton.
O riso dos dois ecoou pela sala, e Farne estendeu a mo para Karrie. Cumprimentaram-se, e ele prosseguiu andando para fora da sala, deixando-a com uma inexplicvel sensao de vazio interior.
Assim que Farne desapareceu, trs cadeiras de rodinhas voaram na direo de Karrie.
	Farne Maitland convidou voc para sair!  exclamou Heather, num sussurro.
	E voc no aceitou!  gemeu Lucy, incrdula.
 No seria politicamente correto  brincou Karrie.  Que bobagem  essa?  perguntou Clia, em tom de crtica.
Karrie resolveu dar uma explicao plausvel:
	Ele s estava querendo ser gentil porque percebeu que eu era uma funcionria nova.
- Ele nunca convidou nenhuma de ns!  exclamou Lucy, ainda inconformada.
Darren Jackson aproximou-se do grupo.
	E que nenhuma de vocs tem cabelos da cor do milho maduro...
	Fique quieto, Darren!
A ordem partiu das trs colegas de Karrie, que falavam todas ao mesmo tempo.
No dia seguinte o assunto na empresa inteira era que Karrie Dalton recusara um convite de Farne Maitland para jantar, e ela prpria no podia confessar que, de certo modo, estava arrependida. Segundo os comentrios que ouvira, o sr. Maitland raramente ia  Irving and Small, portanto s Deus sabia quando voltaria a v-lo.
Era bvio que ele nunca mais a convidaria para sair, depois do constrangimento que passara na frente de tantos funcionrios. Mas ele rira... e Karrie adorara o som daquela risada. Alis, riram juntos...
Se ele a convidasse uma segunda vez, ela teria coragem para recusar novamente? No sabia. Mas tinha certeza de que Farne agira por impulso e forou-se a esquecer o assunto. Mas no era fcil. A imagem do homem moreno, viril e sofisticado no saa de seu pensamento.
Na quinta-feira, Darren voltou a convidar Karrie para sair, e ela se lembrou de Farne Maitland, que rira quando ela recusara. A reao de Darren foi bem diferente... Ele deu meia-volta e afastou-se, amuado.
Karrie foi visitar a prima naquela noite.
	Alguma novidade?  perguntou Jan.
"Sim", pensou Karrie. "Farne Maitland." Mas em vozralta disse, com um sorriso:
	Estou adorando meu novo trabalho.
	Voc deveria ter deixado a firma do titio h mais tempo!  comentou Jan de maneira categrica.  Alis,  nunca deveria ter trabalhado l. Negcios em famlia no costumam dar certo.
	No foi to mau assim.
	E agora que rompeu os laos comerciais, est pensando em morar sozinha, tambm?
Jan conhecia, desde menina, a situao tensa no lar dos tios, e Karrie lhe confidenciara que pensava em, um dia, deixar a casa dos pais.
	No sei...  murmurou ela pensativa.  Acho que seria uma... deslealdade com minha me.
	Tia Margery  muito sensvel. Deveria estar mais escolada, depois de tantos anos convivendo com seu pai. Voc sabe que sempre poder vir morar comigo, querida.
Karrie agradeceu e despediu-se da prima. Queria dormir cedo naquela noite.
No dia seguinte, entretanto, sentiu-se tentada a aceitar a oferta da prima. A guerra fria terminara e seus pais tinham voltado a falar um com o outro. Isso significava discusses, gritos, acusaes e ofensas, e dessa vez, Karrie no desceu a escada para se inteirar do motivo da briga. Sabia que as hostilidades podiam comear da menor trivialidade.
Ficou fechada no seu quarto. Como desejava que as coisas fossem diferentes! O que dera to errado entres seus pais? Bem, Karrie sabia a resposta. Depois de presenciar uma briga terrvel entre eles quando tinha dezesseis anos, sua me lhe dissera:
 Jamais se entregue a um homem antes de ganhar uma aliana!
E Margery contara  filha como seus sonhos cor-de-rosa haviam desmoronado. Depois de um breve romance com Bernard Dalton, descobrira que estava grvida, e os dois decidiram se casar.
Uma semana depois do casamento, Margery perdera o beb. Bernard acusara-a de ter inventado uma mentira para obrig-lo a casar-se, e a unio, que no tivera tempo de se fortificar, comeara a se desgastar desde ento.
Margery, no entanto, amava o marido, e esperava que, quando engravidasse de novo, as coisas melhorassem. Porm, tudo fora de mal a pior; em vez de presentear Bernard com o filho varo que seu orgulho machista tanto desejava, dera  luz uma menina. Houvera complicaes aps o parto, e Margery ficara impossibilitada de ter outro beb.
Karrie, desde a mais tenra idade, sempre soubera que no queria um casamento igual ao dos pais. Quando sua me lhe fizera confidncias, em seu dcimo sexto aniversrio, tomara a resoluo de no se entregar a um homem algum antes do casamento. Por mais adiantada que estivesse a cincia no campo de mtodos anticoncepcionais, eles podiam falhar, como acontecera com sua me, e ela jamais ouviria um homem acus-la de ter inventado uma mentira para obrig-lo a casar-se!
At ento, no fora difcil manter a promessa que fizera a si mesma. Embora tivesse tido alguns namorados, nunca se apaixonara de fato por nenhum deles, e independentemente de sua determinao de casar-se virgem, ainda no conhecera um homem que lhe despertasse o desejo de entregar-se.
O devaneio de Karrie foi interrompido pelo estrondo de uma porta batendo no andar de baixo. O fim de semana prometia ser insuportvel.
Pela milionsima vez imaginou por que seus pais no se separavam e seguiam, cada qual, o seu caminho. Concluiu, tambm pela milionsima vez, que o amor que haviam sentido um pelo outro e que os havia levado a se casarem, continuava latente.
O telefonou tocou. Era provvel que nenhum dos dois ouvisse, pensou Karrie, ou mais ainda que, irritados como estavam, no quisessem atender. Karrie atendeu na extenso do quarto, e animou-se com a perspectiva de encontrar seu velho amigo. Travis Watson era dois anos mais velho que ela, tinha um astral maravilhoso e estava ligando para saber se Karrie queria fazer alguma coisa no fim de semana.
	Desde que voc no me pea outra vez para casar com voc  brincou Karrie.
	Eu? Nunca!
Ambos riram da resposta de Travis, porque sabiam que no era verdade.
Karrie apressou-se a sugerir um local para se encontrarem no dia seguinte, pois sabia que Travis se sentia inibido na presena de Bernard Dalton. Apesar de ser uma casa bonita e confortvel, no havia calor humano dentro daquelas paredes.
Travis prometeu encontr-la, demonstrando uma grande vontade de continuar a conversa ao telefone.
Mais tarde, no entanto, quando se preparava para dormir, no era em Travis que Karrie pensava, mas sim no homem em quem esbarrara trs dias antes, que a convidara para jantar e depois achara graa por ela ter recusado.
Por certo Farne Maitland podia se dar ao luxo de rir. Devia ter uma centena de mulheres a seus ps, mulheres bonitas, sofisticadas... O pensamento era estranhamente incmodo, e Karrie tentou afast-lo.
Demorou para adormecer naquela noite e sabia que no era por causa da briga dos pais. A ideia de Farne Maitland na companhia de outra mulher desencadeava dentro dela um cime estranho, como nunca sentira antes.
Na manh seguinte, Karrie tratou de pr de lado aqueles pensamentos ridculos. Era s o que lhe faltava, comear a sofrer por causa de um homem como Farne Maitland, um executivo rico, sofisticado e bonito, que devia sair cada noite com uma mulher diferente!
Com algum esforo, Karrie conseguiu esquecer Farne por alguns momentos, at as dez horas, quando o telefone tocou. Devia ser para seu pai ou sua me, mas nenhum dos dois estava em casa.
Karrie quase desmaiou quando atendeu o telefone. Reconheceria aquela voz em qualquer lugar do mundo.
Karrie? Farne Maitland falando.
As pernas de Karrie comearam a tremer e sua boca ficou seca. O corao parecia querer saltar pela boca.
Espero que no tenha compromisso para esta noite  continuou ele, num tom de voz seguro e confiante.
Karrie estava to perplexa que no se perguntou como ele conseguira o nmero de seu telefone, ou mesmo como sabia seu nome. Para disfarar o nervosismo, tentou brincar:
Recusaram seu convite outra vez e voc resolveu ligar para mim?
Ouviu uma risadinha bem-humorada do outro lado da linha e depois a voz grave, em tom zombeteiro:
	Voc  minha segunda opo,. Karrie.
	Quer que eu cancele meu compromisso de hoje  noite, sr. Maitland?
	Irei busc-la s sete horas.
Sem esperar pela confirmao, Farne desligou, deixando Karrie a olhar para o telefone, atnita. No conseguia acreditar! Ia sair com Farne Maitland naquela noite!
Sete horas... mas ele nem lhe perguntara o endereo! Depois Karrie se deu conta de que ele devia saber. Assim como descobrira como ela se chamava e o nmero do telefone.
De repente, um sorriso radiante iluminou o rosto delicado de Karrie. Ela recebera um segundo convite!

CAPITULO II

E ela tivera medo que Farne no repetisse o convite... Tivera medo! Por qu? Mal o conhecia, como podia estar to envolvida? O que era aquilo, amor  primeira vista?
Karrie afastou o pensamento, mas era obrigada a reconhecer que estava ansiosa com aquele encontro. Cus! E Travis? De repente lembrou-se do amigo. O que faria com ele?
At ento, Karrie jamais cancelaria um compromisso com um amigo como Travis para sair com outra pessoa, a quem mal conhecia. Mas era exatamente o que estava disposta a fazer! O que estava acontecendo com ela? Que poder Farne Maitland exercia sobre ela a ponto de faz-la deixar de lado seus valores?
Apesar de toda a indignao, depois de dez minutos Karrie pegou o telefone e discou o nmero da casa de Travis.
	Voc ficaria chateado comigo se eu no sasse com voc hoje?  perguntou sem prembulos.
	Por qu?  quis saber Travis, com seu inabalvel bom humor.  Apareceu coisa melhor?
	Oh, Travis! No me faa sentir culpada.
	Mas !
	Voc  meu amigo, no meu namorado!
	Tudo bem, no se preocupe. Podemos tomar ch amanh  tarde.
	Sem falta, prometo!  apressou-se Karrie a concordar.
	Amo voc...
	Eu tambm... como se fosse meu irmo!
Karrie desligou, desejando que Travis encontrasse uma moa que o merecesse e que o fizesse feliz. Era uma pessoa muito especial. Mas no fazia seu corao palpitar... como Farne Maitland.
A me de Karrie chegou na hora do almoo, porm o pai no apareceu.
	Papai no vem?
	No me disse nada, mas deve estar planejando algum negcio em algum lugar. Fico pensando por que no leva a cama para o escritrio de uma vez por todas. Ele no saide l...  Margery Dalton suspirou, resignada, e mudou de assunto.  Vai sair hoje  noite, querida?
	Vou jantar fora... acho.
	Acha?
	No fui informada dos detalhes.
	Vai sair com Travis?
	No. Amanh vou tomar ch com ele  explicou Karrie.  Hoje vou sair com um rapaz chamado Farne Maitland.
O nome nada significava para Margery, que perguntou:
	Eu o conheo?
	No, eu o conheci na tera-feira, no escritrio, embora ele no trabalhe l.  S em falar sobre Farne, Karrie sentia o rosto vermelho. Tratou de mudar de assunto.  Pretende fazer alguma coisa hoje  noite, mame?
	Tenho uma histria de assassinato para ler... embora no me importasse de criar outra, de minha autoria, mais real!  comentou Margery, fazendo Karrie rir ao perceber que se referia ao marido.
Mas, naquela noite, j no ria, trajando um vestido preto sem mangas, com a saia logo acima do joelho. Aquela cor a favorecia muito, e assim ficou no aguardo de Farne Maitland.
Em geral, sentia-se sempre muito segura de si mesma quando tinha um encontro marcado, mas, naquela noite, estava cheia de dvidas. Bem, afinal, no era sempre que tinha um compromisso com um homem como aquele. Ser que iria consider-la simplria e nada sofisticada?
Quase se arrependia de ter aceitado o convite! Na verdade, no se lembrava de ter dito sim. Farne conclura que ela aceitara, e ponto final. Reletiu que seria uma boa lio para aquele homem convencido se no estivesse em casa quando ele tocasse a campainha, mas no tinha coragem de fazer isso.
Da janela do quarto viu um luxuoso carro preto parar em frente  casa, sem fazer o menor rudo, e sentiu um aperto na boca do estmago. Pegou a bolsa sobre a cmoda, saiu do quarto e desceu a escada. Parou no hall e ajeitou a saia do vestido, enquanto aguardava que Farne tocasse a campainha. Se abrisse a porta antes de ele tocar, ele iria pensar que estava ansiosa pelo encontro.
A campainha soou. Karrie engoliu em seco, sentindo o rosto em chamas. Adiantou-se e abriu a pesada porta de entrada, tentando, em vo, pensar em alguma coisa interessante para dizer.
Mas ao deparar-se com Farne Maitland, alto, cabelos negros e olhos azuis penetrantes, ficou emudecida.
Ele tambm parecia pouco  vontade. Examinou-a da cabea aos ps, e ento presenteou-a com um sorriso devastador, dizendo:
	Aposto que no existe nada artificial em voc, srta. Filha-do-sr.-e-da-sra.-Dalton, mas, diga-me com sinceridade, seu cabelo tem essa cor fantstica sem a ajuda de nenhum cabeleireiro?
Karrie sentiu as pernas bambas mas, sem saber como, conseguiu responder tambm com bom humor:
	Pode acreditar que meu cabelo nunca viu nenhuma tintura. Mas, entre, por favor. Meu pai no est, porm vou apresent-lo  minha me.
Ainda trmula, Karrie o conduziu para a elegante sala de estar. Embora Bernard Dalton raramente estivesse presente nas noites de sbado, sua me era uma mulher muito fina e agradvel. Ficou conversando animadamente com Farne, que tambm no poupou os seus encantos de bom conversador.
Depois de alguns minutos, ele disse, desculpando-se:
	Reservei uma mesa para as oito horas, no restaurante.
A sra. Dalton sorriu, compreensiva, e despediu-se. Foi ento que Karrie descobriu que perdera tempo em se preocupar com a prpria simplicidade, porque Farne parecia estar se divertindo em sua companhia e, nem por um instante, deixou transparecer que a considerava desajeitada ou simplria.
Ao partirem no carro preto, Farne perguntou:
	Mora aqui h muito tempo?
	Desde que nasci.
	E acha conveniente ir para Londres e voltar, todos os dias?
	No  replicou Karrie com franqueza, sentindo-se mais descontrada.  Mas  l que eu trabalho.
	Fico satisfeito.
Karrie perguntou-se por que aquele assunto tinha importncia para ele. Farne pareceu perceber sua confuso, e explicou:
	Por voc no trabalhar mais com seu pai, quero dizer.
Karrie arregalou os olhos.
	Existe alguma coisa a meu respeito que voc no saiba?
Farne sorriu, sem desviar os olhos da estrada.
	Uma das vantagens de ser membro do conselho administrativo da empresa  ter acesso aos dados dos funcionrios.
	Quer dizer que sabe tudo sobre os empregados da firma?
Farne tirou os olhos da estrada, s por um instante, e lanou-lhe um olhar penetrante.
	S sobre voc.
A voz profunda e grave a fez tremer por dentro. Com a ateno de novo no caminho, ele perguntou:
	Vai me perdoar por ter pedido ao diretor de Recursos Humanos que me enviasse por fax sua ficha e currculo?
Karrie respirou fundo, redarguindo:
	E eu? Posso dar uma olhada no seu currculo?
	Pergunte o que quiser  disse Farne, surpreendendo Karrie com sua franqueza.
O jantar foi maravilhoso. Farne reservara uma mesa em um restaurante discreto e elegante, em Londres.
Cumprindo a palavra, ele respondeu a todas as suas perguntas. Entretanto, para no parecer muito interessada, Karrie s indagou sobre assuntos gerais.
	Mora em Londres?  perguntou, quando j tomavam a sobremesa.
	Tenho uma casa aqui.
	Deveria ter me dito. Poderia ter vindo...
Karrie interrompeu-se antes de dizer que poderia t-lo encontrado no restaurante. Riu quando Farne comentou:
	No falamos muito pelo telefone, no ? Temi que, se ficssemos conversando muito, voc se recusasse a sair comigo. Afinal, no aceitou meu primeiro convite porque precisava lavar esses cabelos maravilhosos.
Karrie riu, porm Farne no parecia achar graa.
	Fiquei arrasado.
	Entendo  replicou Karrie, tentando ignorar as sensaes que aquele homem lhe despertava.  Ento, mora e trabalha em Londres... Onde passa as frias?
	O que so frias?
	Sim, compreendo. Quanto mais alto o cargo, maior a responsabilidade.
	E voc? Para onde costuma ir?
Em vez de responder, Karrie olhou para o relgio. Passava das onze horas, e ela surpreendeu-se. No imaginava que fosse to tarde.
	Eu... preciso voltar para casa...
Ao mesmo tempo que temia que Farne sugerisse que prolongassem o encontro, no fundo desejava que ele fizesse isso, embora soubesse que recusaria. Por isso, sentiu uma ponta de frustrao quando ele imediatamente fez sinal para o garom trazer a conta.
Pouco falaram durante o caminho de volta, e Karrie comeou a se perguntar se a noite fora especial e maravilhosa apenas para ela.
Entretanto, Farne parecia ter se divertido, e no se recusara a responder a nenhuma pergunta. Karrie soubera que era filho nico tambm, que seus pais moravam em Dorset, e que, desde os sete anos, frequentara um colgio interno.
A princpio aquela informao a deixara consternada. Parecia-lhe terrvel que algum despachasse uma criana to pequena para longe de casa. Entretanto, pensando em sua prpria infncia, marcada por brigas e agresses que a faziam tapar os ouvidos, concluiu que sua vida no lar no fora das mais felizes. De qualquer modo, colgio interno ao sete anos... que tristeza!
	Est muito quieta, Karrie.
Farne interrompeu seus pensamentos de modo abrupto, e ela resolveu brincar:
	Quer que eu cante? Vai detestar.
Percebeu que ele sorria mas, de qualquer modo, naquela noite sentia-se insegura, diferente das vezes em que encontrara outros rapazes, e resolveu no dizer mais nada.
Quando o carro parou em frente  sua casa, ela abriu a porta e estendeu a mo:
	Obrigada pelo jantar e pela companhia.
Farne tomou-lhe a mo entre as suas.
	Parece que agora terei que deix-la.
Karrie tentou fazer algum comentrio, mas no sabia o que dizer. Farne continuava a segurar suas mos. Ento, aproximou-se mais, fazendo-a estremecer. Ela no se moveu quando ele lhe tocou suavemente os lbios com os seus.
De repente, tudo terminou. Farne ficou srio e endireitou-se no banco, e Karrie apressou-se a sair do carro. Acenou para ele antes de fechar a porta e viu o carro se afastar devagar.
Em seguida subiu a escada, com olhar sonhador, ainda sentindo a suave presso dos lbios e das mos de Farne Maitland.
Quando j estava pronta para dormir, deitou-se na cama e encostou a ponta dos dedos nos lbios, fechando os olhos. J sara com outros rapazes antes, mas aquela noite fora especial.
Karrie continuava sonhadora quando acordou, no domingo, e desceu para a cozinha, com Farne Maitland no pensamento.
	Bom dia  cumprimentou sua me com animao.
	Quer ajuda, mame?
Margery estava ocupada, preparando ovos com bacon para o marido e, como sempre, recusou a oferta. Olhou para Karrie, sem sorrir:
	Como foi o encontro?
Era bobagem, mas Karrie no sentia vontade de falar a respeito. Era como se fosse algo s seu, algo para no compartilhar com ningum... Mas sempre contava tudo  sua me, e no podia ser diferente agora.
	Foi muito bom.  Ela falou sobre o restaurante, os pratos que pediram e o trabalho de Farne na empresa, porm interrompeu-se ao notar a expresso preocupada no rosto de Margery.  O que houve, mame?
	Esse Farne Maitland parece ser diferente de seus ou tros namorados  disse Margery com cautela.
Farne no era seu namorado, pensou Karrie, mas era obrigada a concordar que era um tipo diferente dos rapazes com quem costumava sair.
	Ele me parece... sofisticado, no?
	Um pouco, sim  Karrie tentou amenizar a ansiedade da me. Mas tambm, em comparao com Travis, qualquer um  sofisticado.
	No sei se esse rapaz vai se contentar em...

	Mame,  provvel que eu nunca mais o veja.
Karrie queria terminar com aquela conversa.
	Ver.
Como sua me podia ter tanta certeza? Gostaria de ter aquela confiana!
Margery continuou, em tom srio:
	Prometa-me que no far nenhuma bobagem, minha filha! 
Logo Karrie percebeu por que a me estava to apreensiva... Tinha medo que ela ficasse grvida!
	No precisa se preocupar, prometo.
A conversa foi interrompida, para alvio de Karrie, quando o pai entrou na cozinha, carrancudo como sempre.
	Este bacon est torrado!  resmungou ele, sentando-se.
	Ento no coma!  replicou Margery, pronta para a primeira batalha do dia.
Bernard Dalton lanou um olhar furioso para a esposa e, sem nada dizer, atacou a travessa de ovos, deixando as duas mulheres entregues aos prprios pensamentos.
Karrie voltou a lembrar-se das palavras de Farne. "Parece que agora terei de deix-la..." O que quisera dizer com aquilo? Teriam algum significado especial ou haviam sido ditas ao acaso? Imaginou se Farne iria telefonar de novo, e quando. Haviam se passado quatro dias desde que haviam se conhecido at ele telefonar, no sbado. Ser que ligaria dali a quatro dias novamente? Oh! Como desejava que sim! Queria v-lo de novo...
Percebeu que devia estar no mundo da lua, quando o pai perguntou, irritado:
	O que houve com voc, menina? Est doente?
Karrie relanceou o olhar para os dois, percebendo que tambm preocupara a me. Oh, por que no a deixavam em paz? Por que no paravam de interrog-la, como se fosse uma criana indefesa?
	No, papai, estou bem. Estava distrada, pensando...
Ela tratou de imprimir um tom despreocupado s palavras e, assim que pde, subiu para seu quarto. L chegando, concluiu que o pai no estivera muito longe da verdade.
Estava emocionalmente doente. Algo muito forte acontecera em seu ntimo. Sentia-se insegura, triste, irrequieta, porque... estava se apaixonando por Farne!
Sem tir-lo do pensamento, percebeu, surpresa, que j eram onze horas. Sabia que precisava descer, seno a me subiria para se certificar de que no estava de fato doente.
O problema era que seu pai era muito observador, e no a deixaria em paz se ela continuasse area daquele jeito.
Com um suspiro, decidiu fazer um pouco de jardinagem, j que o dia estava ensolarado e bonito. Precisava desviar a ateno para alguma coisa, seno acabaria ficando de cama, realmente. Calou os tnis e amarrou os cabelos em um rabo-de-cavalo.
	 uma pena ficar dentro de casa numa manh corno esta!  anunciou, espiando para dentro da sala de visitas, onde os pais, em silncio, liam o jornal.  Acho que vou arrumar o canteiro de rosas.
Logo percebeu que o canteiro estava perfeito e que no havia o que fazer nele. Mesmo assim, comeou a revolver a terra em volta.
Estava de joelhos, concentrada automaticamente no trabalho, pois seus pensamentos estavam ocupados por Farne, quando a voz do pai a fez ter um leve sobressalto:
	O velho Stan vai ficar furioso se voc estragar o canteiro dele!
Stan era o jardineiro. Karrie sorriu e acenou para o pai, que tirava o carro da garagem. Em seguida voltou ao trabalho, rememorando a noite anterior: Como o tempo passara depressa, na companhia de Farne! Oh, que vontade sentia de rev-lo, de conversar com ele...
Karrie sentiu-se reconfortada com a ideia de que ele provavelmente lhe telefonaria dali a alguns dias. J a convidara duas vezes para sair, o que significava que devia sentir alguma atrao...
Os pensamentos de Karrie foram interrompidos pelo rudo de um carro que se aproximava. Pensando que o pai esquecera alguma coisa, Karrie ergueu o olhar... e teve a maior surpresa de sua vida!
No era o carro de Bernard Dalton que subia a rampa de sua casa, mas o automvel de luxo no qual fora ao restaurante, na noite de sbado!
No primeiro instante, pensou que sua obsesso a fazia ver miragens. Mas logo compreendeu que era Farne Mai-tland, em carne e osso, que saa do carro.
Ele se aproximava, encarando-a, e, apressada, Karrie ficou de p. Desejou cumpriment-lo, mas as palavras ficaram presas na garganta. Teria esquecido algo em seu carro na noite anterior? No conseguia se lembrar. Ser que Farne voltara para lhe devolver algum objeto pessoal?
Admirou o corte impecvel da cala que ele usava, a camisa... e comparou com sua prpria aparncia desleixada.
Por fim, ficaram frente a frente. Farne passeou o olhar pelos cabelos despenteados de Karrie, os ossos salientes da face, as mos sujas de terra, a cala larga e velha, terminando nos tnis que j haviam visto melhores dias.
Karrie estava vermelha de vergonha, sabendo que sua aparncia no poderia ser pior. Desejando que o cho se abrisse para engoli-la, tentou defender-se com ironia:
	De novo me pegou num timo momento!
	Fazia tempo que eu no via uma moa corar  disse Farne, sorrindo para ela.
Os olhos azuis observadores mergulharam nos de Karrie e ela sentiu as pernas bambas.
	S fico corada nos meses que tm a letra "r"  brincou ela, consciente de que estavam em julho.
Farne observou-lhe a boca, e informou:
	Estou a caminho do The Feathers para almoar, e como estava passando por aqui, resolvi perguntar se gostaria de ir comigo.
Karrie quase desmaiou de emoo. No tivera que esperar muito para rev-lo! No precisara ficar horas junto ao telefone! Aquilo estava acontecendo de verdade! Almoar no restaurante de um hotel de luxo das redondezas!
Logo em seguida lembrou-se da me, que certamente no aprovaria a ideia. Mas por nada no mundo iria perder aquela oportunidade de ficar na companhia de Farne Maitland.
	D-me um minuto para trocar de roupa  pediu, sorridente.
Levando Fame para dentro de casa, deixou-o conversando com Margery enquanto subia a escada, em estado de torpor. Mas ao chegar ao quarto, tratou de correr.
Quinze minutos depois, desceu a escada e entrou na sala de visitas.
	Espero no t-lo feito esperar muito  murmurou, aproximando-se.
Farne levantou-se da poltrona sem responder, mas seu olhar era de aprovao. Margery lanou um olhar de advertncia  filha, como que para lembr-la de que tinha um compromisso para aquela tarde.
	Prazer em rev-lo, Farne  despediu-se, apertando-lhe a mo.
Karrie j conhecia o hotel The Feathers, mas com Farne, tudo parecia mais bonito do que se lembrava. Adorou a companhia outra vez. Farne era divertido, charmoso, atencioso e parecia tambm estar apreciando a companhia dela. Karrie gostaria de pensar que no agia assim com todas as garotas. Na verdade, queira ser especial para ele.
Depois do almoo, pediu licena e foi ao toalete para ter uma conversa consigo mesma na frente do espelho. Ora! Estava ficando maluca! Precisava parar de imaginar que era especial para o executivo da Adams Corporation. Fazia menos de uma semana que se conheciam e era a segunda vez que saam juntos! Como podia esperar ter um papel importante na vida dele? Era um homem sofisticado e experiente, podia ter todas as mulheres que quisesse. O que havia de especial em uma moa dos arredores de Londres, compradora da Irving and Small?
Ensaiando um sorriso, deixou o toalete, voltou  mesa e caminhou com Farne at o estacionamento do hotel, tentando no pensar que dali a vinte minutos ele a estaria deixando em casa.
Karrie ocupou seu lugar no assento do passageiro e, para sua alegria, Farne esqueceu de fazer a curva na estrada.
	Passou a sada para minha casa.
	Pensei em irmos at o rio  explicou ele, fazendo o corao de Karrie bater mais forte.  A no ser que esteja com muita pressa para voltar.
	No...  Karrie, tentou disfarar a ansiedade.  E muito agradvel perto do rio.
Minutos depois, Farne estacionava o carro perto de uma ponte para pedestres.
	Quer dar uma volta, Karrie?
Ela achou a ideia maravilhosa. Caminharam pela ponte, passearam pela margem do rio e pelos campos. Quando!alcanaram um terreno gramado, Farne sugeriu:	
	Se tivssemos uma manta poderamos sentar aqui.
	Vocs, rapazes da cidade grande, tm cada ideia! Karrie riu e sentou-se na grama, esperando que Farne fizesse o mesmo.
Ele fez.
Por algum tempo, conversaram animadamente sobre assuntos gerais, msica, livros, esportes... Cada vez mais Karrie sentia a afinidade entre eles crescer.
Haviam mudado a posio inicial, com as costas eretas, e inclinado o torso, apoiando-se nos cotovelos, enquanto observavam um bando de cisnes majestosos cruzar o rio. De repente Karrie percebeu que Farne no estava olhando na direo das aves, mas sim para ela.
	Voc  linda  sussurrou.
O corao de Karrie disparou. Algo no olhar de Farne a fez compreender que queria beij-la. Bem, isso era maravilhoso, pois ela queria a mesma coisa.
A cabea morena aproximou-se, os olhos azuis mergulhados nos dela, e Karrie sorriu. Era tudo que Farne precisava para ser encorajado. Tomou-a nos braos com gentileza e a fez deitar na relva. Sem pressa, beijou-a, fazendo-a se sentir-se nas nuvens. Karrie nunca vivera uma experincia como aquela e naquele instante soube que Farne Maitland era o amor de sua vida. No estava mais se apaixonando, j o amava de todo o corao, e nada mudaria esse sentimento.
Quando o beijo terminou, Karrie viu-se lutando para pr as ideias em ordem. Afastou-se um pouco, tentando lidar com seu conflito interior. Instintivamente, sabia que nunca mais veria Farne se o deixasse perceber seu sentimento por ele.
Sentou-se e abraou os joelhos, enquanto tentava se recuperar da emoo do beijo e da descoberta de seu amor.
	O que foi? Eu a ofendi?  perguntou Farne preocupado.
Deus, ele conseguia ler sua mente!, pensou Karrie. Apressou-se a fazer um gesto negativo com a cabea, com medo que ele interpretasse mal o seu silncio.
	Prefere voltar para casa?  ofereceu ele, insinuando que suspeitava que Karrie estivesse com medo.
Ela balanou a cabea mais uma vez.
	No, eu no tenho... Oh!  Subitamente ela lembrou-se.  Travis! Ele est me esperando e...
	Quem  Travis?  Farne franziu a testa.
A boca de Karrie ficou seca quando se deu conta de que talvez tivesse posto tudo a perder. Algum interesse por ela Farne devia ter, pois demonstrava desejo de estar em sua companhia e a beijara. E agora ela mencionava o nome de outro rapaz! Mas amava-o com desespero e no podia iniciar um relacionamento com mentiras. Travis era seu amigo e Farne teria de compreender e aceitar isso.
	Era com Travis que eu ia sair ontem  noite. Desmarquei para ir jantar com voc.
	E vai v-lo hoje?
	Eu prometi. No posso cancelar novamente.
	Disse a ele por que no foi encontr-lo ontem?
A expresso de Farne era sombria, e Karrie desejou v-lo sorrir outra vez. Lembrou-se de Travis ter dito, na noite anterior, que fora passado para trs por algum melhor, e era verdade.
	Acha que deveria ter-lhe dito que tinha um compro
misso mais interessante?
Farne fixou o olhar na boca macia que lhe sorria com simplicidade.
Tem encantos suficientes para um homem perdo-la sempre  murmurou.
Por um momento, Karrie pensou que Farne a beijaria novamente. Oh! Como desejava que ele fizesse isso! Mas no podia deixar que percebesse. De modo abrupto, ergueu-se da grama, e Farne a imitou, sem tentar toc-la outra vez nem dissuadi-la do encontro com Travis. Karrie desejou no ter se precipitado, mas j era tarde. A magia terminara.
	Obrigada pelo passeio, Farne... Eu gostei muito  disse ela, quando Farne estacionou o carro e a acompanhou at a porta de casa. Estendeu a mo, sentindo-se desajei tada. Farne segurou-lhe a mo e beijou-a no rosto.
	Obrigado por ter sado comigo hoje.
Dizendo isso, ele deu meia-volta, entrou no carro e partiu, sem olhar para trs.
Karrie sentia-se arrasada. No sabia o que pensar. Tivera a impresso de que ele ficara enciumado quando mencionara Travis... mas agora ele se fora, depois de uma despedida fria, sem nem mesmo olhar para trs ou acenar para ela.
"Obrigado por ter sado comigo hoje", dissera ele. Karrie imaginava que poucas mulheres recusariam um convite dele para sair. Ele j devia estar acostumado.
O pensamento a fez zangar-se consigo mesma por ter se mostrado to disponvel. Na prxima vez que Farne a convidasse para sair, diria que no. Se tivesse foras para isso... Amava-o tanto! No fundo, sabia que no negaria a si mesma a oportunidade de estar na companhia dele, por pouco tempo que fosse.
Por outro lado, era tolice se iludir. Haviam sado juntos duas vezes e, pelo modo como ele acabara de se despedir e ir embora, tinha o forte pressentimento de que no haveria uma terceira vez.

CAPITULO III

Kame vestiu-se com capricho para ir trabalhar  segunda-feira, mas sabia que seria em vo. No esperava ver Farne surgir junto  sua mesa, em uma de suas raras visitas, mesmo assim ficou desapontada quando, s cinco horas, no final do expediente, concluiu que ele no iria.
Dirigiu de volta para casa, catequizando a si mesma, pela milsima vez. No o veria de novo, e pronto. Dentro de trs meses, quem sabe, Farne voltaria  Irving and Small e passaria por sua mesa, mas isso no era motivo para ficar de sobreaviso e tensa cada vez que ouvia passos ou distinguia uma sombra de aproximando. Onde estava seu amor-prprio?.
Karrie respondeu para si mesma que estava apaixonada e portanto perdera o amor-prprio. Tentara se convencer de que no estava apaixonada de verdade, que tudo no passara de empolgao. Afinal, mal conhecia Farne! Porm, de nada adiantara.
	Como foi o dia hoje?  perguntou sua me, quando ela chegou em casa.
	Meu trabalho est cada vez mais interessante.
	Vai sair hoje  noite?
Margery devia estar imaginando que Farne lhe telefonara no escritrio. Fora o que Karrie esperara, o dia inteiro! Mas obrigou-se a tir-lo da cabea. Respondeu, rindo:
	E perder seja l o que voc est preparando de gostoso? O cheiro est delicioso!
O telefone tocou, e Karrie deu um pulo. Enquanto a me corria responder, sentiu as mos suadas e prendeu a respirao.
Mas era a secretria de seu pai. Margery voltou para o lado da filha, comentando:
 Yvonne avisou que seu pai ficar "retido no trabalho". Grande novidade!
O telefone voltou a tocar algumas vezes naquela noite, e a cada vez, Karrie se sobressaltava. Foi para a cama, sabendo que enlouqueceria se continuasse daquela maneira. Oh, por que no se apaixonava por algum como Travis?
Foi trabalhar no dia seguinte determinada a fazer da-qUele dia algo diferente. Mas no conseguiu. Voltou para casa sentindo-se inquieta e abatida. Foi difcil, mas conseguiu disfarar sua angstia na frente da me.
Telefonou a Jan para conversar um pouco e distrair-se. Desejava poder abrir-se com a prima, mas relutava em fazer isso, do mesmo modo que evitava tocar no assunto com a me. Seria como se estivesse violando algo muito ntimo e precioso.
Fame no telefonou naquela noite, o que deixou Karrie ainda mais agoniada, embora tivesse tentado se preparar para isso.
Na quarta-feira ela acordou decidida a recuperar o amor-prprio. Que Fame Maitland fosse tratar da prpria vida! Se Darren Jackson a convidasse, sairia com ele.
Logo que a viu chegar ao escritrio, Darren perguntou:
	Que tal comida chinesa hoje  noite?
	Eu... j tenho um compromisso  murmurou Karrie num impulso, contrariando sua deciso anterior.
Talvez se ele repetisse o convite no dia seguinte ela estivesse se sentindo melhor e aceitasse. A verdade era que no tinha vontade de sair com ningum alm de Farne.
Atirou-se ao trabalho e conseguiu, por algum tempo, afast-lo do pensamento. Faltavam poucos minutos para as dez horas quando uma sombra incidiu sobre sua mesa. Karrie ergueu o olhar e quase caiu da cadeira.
Como vai a minha funcionria favorita?  perguntou Farne, mais charmoso que nunca, se  que isso era possvel.
O corao de Karrie parecia querer explodir de felicidade, ante a materializao de seu sonho mais acalentado. Respondeu com graciosidade:
	Se diz isso  porque  verdade.
Ele sorriu e continuou seu caminho, e Karrie se levantou para ir ao toalete. Tremia tanto que no conseguiria continuar a trabalhar sem antes se recompor. Molhou o rosto, examinou-se no espelho e ficou contente por estar usando um conjunto de linho muito bonito. De repente, ocorreu-lhe o pensamento de que talvez Farne tivesse ido falar rapidamente com o sr. Lane e fosse logo embora. No, no podia perder a oportunidade de falar com ele! Verdade que no tinha a menor ideia do que iria dizer, mas o impulso era forte demais para resistir.
Saiu do banheiro e caminhou apressada pelo corredor, policiando-se para no correr. Assim que entrou em seu departamento, comprovou que seu pressentimento fora cor-reto, pois Farne havia acabado de sair da sala do sr. Lane e caminhava em direo  porta.
Karrie diminuiu o passo, sabendo que iriam passar um pelo outro.
Preparou-se para cumpriment-lo com um sorriso, porm ele parou a sua frente, bloqueando-lhe o caminho.
	Foi tomar um caf?
	S... Sim  gaguejou Karrie.
	Ento tomaremos outro, juntos, hoje  noite... depois do jantar  anunciou Farne.
Karrie precisou se controlar para no demonstrar sua euforia. Iria sair com ele de novo, naquela noite! Tinha vontade de gritar de alegria e sair saltitando pela sala.
Farne inclinou a cabea e sorriu, antes de afastar-se em direo  sada. Karrie voltou para sua mesa com a sensao de que estava flutuando. Quando se sentou diante do computador, perguntou-se se entendera direito. Aquilo fora um convite, no fora?
Teve a confirmao quando vrias cadeiras giraram a sua volta.
	Voc vai sair com Farne Maitland!?  exclamou Lucy, com os olhos arregalados.
Karrie no comentara nada com as colegas de trabalho sobre os dois encontros no fim de semana.
	Eu... no sei...  balbuciou, incerta.
	Ele disse que vocs vo jantar...  confirmou Heather.
Para alvio de Karrie, naquele instante, o sr. Lane saiu de sua sala e, com a velocidade de um raio, quatro cadeiras de rodinhas voltaram aos seus lugares.
Karrie voltou para casa no final do dia, tentando preparar-se para a possibilidade de Farne no ter falado a srio. De qualquer modo ficaria pronta para o caso de ele aparecer, e procuraria no ficar decepcionada se a campainha da porta no tocasse. Pelo menos, no desesperada...
	Somos s ns duas hoje  anunciou a me, quando ela entrou.  Seu pai, aquele manaco por trabalho, no vir jantar outra vez.
Karrie percebeu que a me ficava mais amarga a cada dia que passava.
	Na verdade, mame, tambm no vou jantar em casa hoje...
	Est ficando igual a seu pai!  queixou-se Margery Dalton.  Cozinho sem parar, e ningum come!
	Desculpe, mame, eu...

	Por que no me telefonou, avisando?
Karrie sentiu a conscincia culpada.
	Deveria ter telefonado. Desculpe, mame.
Vendo a me naquele mau humor, Karrie no teve coragem de dizer que no ligara porque no tinha certeza se realmente iria jantar fora.
Subiu para o quarto e escolheu uma roupa para vestir depois do banho, ainda sem saber se Farne viria ou no. Em meio  confuso de sentimentos, ficara triste por sua me ter dito que estava ficando igual ao pai. No queria que isso acontecesse. Amava o pai, claro, mas s vezes reprovava seu comportamento. Abominava o modo como tratava a esposa e se afligia por no poder fazer nada para consertar a situao.
Enquanto secava os cabelos, Karrie refletiu que tambm no desejava se tornar uma mulher como a me, amarga e triste. Sabia que a pobre senhora ficara assim por causa das frustraes em seu casamento, e sentiu que no suportaria acordar um dia e perceber que a mesma coisa estava acontecendo consigo.
Tratou de afastar o sentimento negativo. No havia motivo para sentir-se amarga, com vinte e dois anos de idade e toda uma vida pela frente. Relanceou o olhar para o relgio e, como queria estar pronta s sete, caso Farne aparecesse, tratou de se apressar. Para que se afligir? Era muito provvel que o homem a quem amava logo tocasse a campainha.
Pronta cinco minutos antes das sete, ficou olhando pela janela,  espera de ver o carro preto chegar. Mas no conseguia parar quieta, tamanha a sua agitao.
Tentava acalmar-se repetindo para si mesma que Farne no viria. Ento seu corao deu um salto quando ela viu o carro dobrar a curva, subindo a rampa de entrada da casa. No pde reprimir um gritinho de alegria, e seus olhos se marejaram com lgrimas que conseguiu no derramar.
Praticamente voou escada abaixo, o que fez com que Mar-gery interrompesse a conversa ao telefone.
	Farne chegou! Vou sair - anunciou, eufrica.
	Divirta-se!  exclamou Margery.
A campainha tocou e Karrie se esforou para esperar cinco segundos antes de abrir a porta. Sorriu para Farne e convidou-o para entrar, porm ele demonstrou estar ansioso para que fossem o quanto antes.
O sorriso de Karrie se alargou ao contemplar aquele homem to bonito, que nos ltimos dias preenchera a sua vida de emoo. Estremeceu quando ele lhe segurou a mo para lev-la at o carro.
Como chegassem  estrada no mais completo silncio, Karrie perguntou:
Anda muito ocupado?
Farne relanceou-lhe um olhar rpido.
	Trabalhando  respondeu bem-humorado.  E voc?
	Sempre tenho o que fazer.  Mas Karrie no queria falar de si mesma, ansiava por saber mais sobre ele.  Voc tem reunies de diretoria todos os dias?
	No. Mas terei uma amanh, aqui, e outra em Milo, na prxima semana.
Milo! Farne ia viajar para a Itlia! Karrie tratou de esconder o pnico. Nunca tivera esse tipo de reao... at se apaixonar. Entretanto, ali estava, j preocupada em quando tornaria a v-lo!
Mas conseguiu manter uma conversao alegre at chegarem ao restaurante. Era outro lugar maravilhoso, com um cardpio melhor ainda. Embora, para Karrie, uma vez que estivesse com Farne, no fizesse diferena comer caviar ou ovo frito.
	Ento  disse Farne quando comearam a degustar a lagosta.  Fale-me de Travis.
Karrie o encarou com os olhos muito abertos de surpresa. Travis era um amor de pessoa, mas no havia lugar para ele em seus pensamentos naquela noite.
	Quer saber sobre... Travis?
	Tinha um encontro com ele no domingo  lembrou Farne.
Estaria ele com cime?, pensou Karrie, incrdula. Com um sorriso e muito  vontade, no viu motivos para no contar a verdade:
	Fui  casa dele tomar ch.
	Travis mora sozinho?  O tom da pergunta foi rspido. Onde estava o homem bem-humorado de antes?
	Sim, e se arranja muito bem  respondeu Karrie, acrescentando com ironia:  Eu no pergunto sobre as mulheres da sua vida, Farne.
O olhar dele se suavizou.
	Mas gostaria de saber?
Karrie sorriu, respondendo com ar de pouco-caso:
Claro! Desesperadamente!
Farne continuou a encar-la por mais um instante e sorriu tambm, deixando-a perceber que no levara a srio suas palavras.
O garom chegou para tirar os pratos e perguntar o que desejavam de sobremesa.
Karrie imaginou que Farne j se esquecera de Travis, mas, quando comia uma garfada da torta de chocolate, ouviu a pergunta:
	 claro que ele quer casar com voc, no ?
	Evidente... de quem est falando?
	Do homem que lhe serve ch aos domingos.
De novo Karrie soltou uma risada.
	Ele  um grande amigo.
Houve um breve silncio antes de Farne falar, em tom de voz baixo e grave:
	Eu quero muito beijar voc, Karrie.
Karrie engoliu em seco, o corao acelerado, consciente de que o olhar de Farne no a abandonava um s segundo. Tentou dizer algo engraado, fazer uma brincadeira, mas no conseguiu. Por fim, murmurou:
	Costuma ter esses mpetos com frequncia?
	No h nada de impetuoso no que sinto. Desejei beij-la desde o momento em que a vi hoje  noite.
Karrie tinha certeza que todos no restaurante podiam ouvir as batidas enlouquecidas de seu corao. Replicou:
	Se for um beijo como aquele que me deu no domingo, eu tambm gostaria.
O garom se aproximou da mesa, perguntando se queriam caf.
Karrie recusou, sabendo que no precisava de mais nada para ter insnia naquela noite. Farne tambm no quis e, depois de pagar a conta, voltaram para o carro. Karrie estava arrependida de ter feito o comentrio sobre o beijo. Poderia ter desfrutado de mais quinze minutos na companhia de Farne se tivesse pedido caf.
Como se lesse seus pensamentos, Farne sugeriu, ao entrarem no carro:
	Moro aqui perto, se quiser terminar a noite com um caf.
O impulso de aceitar era irresistvel, porm Karrie ficou subitamente apavorada com a ideia de ir para a casa de Farne. Quais seriam as intenes dele? Ficou to nervosa que comeou a tremer.
	Voc tem uma reunio amanh  lembrou.  E eu tambm preciso acordar cedo.
Por um momento reinou o silncio no carro, mas, em seguida, Farne segurou a mo de Karrie e levou-a aos lbios, acatando a deciso dela.
Oh! Como ela o amava! A ideia de no voltar a v-lo a torturava como o pior dos castigos. Se fosse outro tipo de moa, mais emancipada e moderna, poderia convid-lo naquele instante para sarem de novo, porm era muito inibida, e ele partiria na sexta-feira...
Pouco falaram at chegar  casa dos Dalton. Karrie s pensava em como poderia prolongar aquele encontro. O carro subiu a rampa de entrada.
Farne estacionou, e Karrie estendeu a mo para a maaneta da porta, mas ele a deteve. Seus olhares se encontraram e no havia necessidade de palavras. Ambos queriam se beijar, de maneira louca e desesperada.
Farne enlaou-a nos braos, e Karrie sentiu que era ali mesmo que ela deveria estar, entre todos os lugares do mundo. Quando Farne a beijou, o mundo pareceu parar de girar e ela foi invadida por um xtase indescritvel.
Agarrou-se aos ombros fortes, amaldioando o freio de mo que a impedia de se aproximar mais. Mas era maravilhoso estar ali, nos braos de Farne, ser beijada por ele e retribuir cada carcia, cada gesto.
Farne beijou-a nos olhos e no rosto, e Karrie enfiou as mos sob o palet, sentindo o trax musculoso. Farne acariciava-lhe as costas e, quando Karrie se deu conta, a mo dele estava em um de seus seios.
Ao senti-la enrijecer, ele murmurou com voz rouca:
	Algo errado?
No, pensou Karrie. Nada poderia ser mais certo. Ela  que estava errada em se privar daquele prazer.
Afastou-se, tmida, e Farne soltou-a. Trmula, ela murmurou:
	 melhor... eu entrar.
Mal disse as palavras, arrependeu-se, mas no havia como voltar atrs. Sem insistir, Farne depositou um beijo rpido no canto de sua boca e saiu do carro para acompanh-la at a porta. Karrie sentia o corao pesado. No suportava a ideia de separar-se dele.
	Boa viagem para Milo na sexta-feira  murmurou, sorrindo para no demonstrar que estava triste.
	No quer ir comigo, Karrie?
Ela o encarou, estupefata. Aquilo era to inesperado que ela no sabia o que responder. Ele no podia estar falando a srio!
	Ir com., voc?  repetiu.
	Sim, comigo. V para a Itlia comigo.
- Mas...
	A reunio deve durar umas duas horas. Poderemos passar a tarde passeando pela cidade, jantar... e ficar para o fim de semana. Que tal?
	Eu... sou... tenho um emprego...
	Vou traz-la de volta a tempo.
Farne parecia to empolgado com a ideia que no se dava conta de que ela teria de faltar ao trabalho na sexta-feira, para acompanh-lo na viagem. Por outro lado, a ideia de viajar com Farne e passar um fim de semana inteiro ao lado dele era tentadora demais. Estava apaixonada... sofria longe dele e com a incerteza de voltar a v-lo... No, no podia deixar passar aquela oportunidade.
	Eu... gostaria muito  viu-se respondendo.
Farne a brindou com o sorriso charmoso e inebriante de sempre. Ento, tomou-a nos braos, e o xtase retornou. Mas dessa vez no a beijou, apenas a apertou com fora contra si e depois a fez entrar em casa.
 Virei busc-la s seis da manh na sexta-feira.
Assim dizendo, despediu-se.
Atrs da porta, Karrie esperou o som do carro desaparecer e ento subiu a escada, devagar.
Na manh seguinte, quando abriu os olhos, foi imediatamente invadida por um misto de euforia, expectativa eansiedade. Iria passar mais do que apenas algumas horas na companhia de Farne! No esperava que ele a amasse
como ela o amava, porm, se a convidara para ir  Itlia, era porque sentia algo especial. Que alegria!
Precisava perguntar a Pauline Shaw, supervisora do departamento, se poderia tirar folga na sexta-feira.
Um pouco antes do horrio habitual, saiu do quarto e foi procurar a me. Encontrou-a na cozinha.
	Divertiu-se ontem  noite?  perguntou Margery.
	Foi maravilhoso!
Mas mesmo tendo sempre confiado na me, no conseguiu dizer o que sentia. Tratou apenas de comunicar:
Vou a Milo na sexta-feira com Farne Maitland, passar o fim de semana,
E em silncio implorou para a me no estragar sua alegria. Mas Margery mostrou-se transtornada.
Oh, Karrie! No prestou ateno em uma s palavra que eu lhe disse todos esses anos? Querida, voc  to ingnua...
Karrie encarou-a com firmeza.
Mame, no vou dormir com Farne.
Mas sua felicidade foi embaada pela reposta da me:
E ele sabe disso?
Karrie enfrentou um trnsito congestionado a caminho do trabalho, o que lhe deu oportunidade de refletir. Ser que Farne achava que iriam dormir juntos? Esse detalhe no lhe ocorrera em meio ao entusiasmo da ideia de passar um longo tempo com ele. Mas, pensando bem, talvez houvesse alguma segunda inteno no convite. E talvez ele tivesse interpretado o fato de ela ter aceitado como um "sim"...
S havia uma maneira de descobrir, mas no podia perguntar-lhe. Farne pensaria que era doida! Ou uma tola! Como a me dissera, no conhecia o mundo e era ingnua. Qualquer outra garota de vinte e dois anos era muito mais esperta. No podia ligar para Farne. Estava fora de cogitao!
Entretanto, se desejava ser honesta consigo mesma, precisava saber. Acordara naquela manh antecipando um futuro a curto prazo cheio de alegrias, mas queria estar certa sobre as intenes de Farne nessa viagem a Milo. Ele era um homem experiente...
Uma buzina furiosa s suas costas a fez voltar  realidade do trnsito, e ela pisou no acelerador, erguendo a mo esquerda e desculpando-se com o motorista de trs.
Sabia que no podia ir  Itlia sem antes estabelecer algumas regras. Apesar de Farne despertar nela sentimentos e emoes como nunca experimentara antes, recusava-se a ir para a cama com ele. Precisava ter em mente o que acontecera com sua me, e tudo que aprendera ao longo de sua existncia em famlia.
Por mais que se sentisse ridcula, iria telefonar para Farne assim que chegasse ao escritrio. Precisava esclarecer aquele assunto o quanto antes.
Entretanto, teve de adiar seu planos porque, assim que se sentou, quatro colegas se reuniram em torno de sua mesa. Sem prembulos, Lucy perguntou:
	Aonde vocs foram?
	Como?  murmurou Karrie, fingindo no ter entendido.
	Ontem  noite!  exclamou Heather com impacincia.
	Com Farne Maitland!  acrescentou Clia.
	Ah!
	Que tal foi sair com ele?  interrogou Jenny.
Divino, pensou Karrie, mas replicou:
	Foi agradvel.
	Vai sair com ele novamente?
Segundo minha me, vou dormir com ele amanh, matutou Karrie, respondendo em voz alta:
	Seria interessante.
	Tambm achamos!  responderam as quatro em coro.
Karrie riu e em seguida pediu licena, levantando-se e explicando que precisava falar com Pauline Shaw.
	Posso falar-lhe um instante?  perguntou, parada na porta da sala da supervisora.
	Claro  respondeu Pauline sorrindo, mas logo sua expresso tornou-se sria.  No vai me dizer que quer ir embora da empresa!
	Nada disso  reassegurou Karrie.  Mas precisaria faltar amanh.  Sentia-se culpada como se estivesse cometendo um crime.  ... um problema familiar  acrescentou, vendo que Pauline esperava por uma explicao.  Posso ficar at mais tarde hoje, se desejar.
	Seria bom  aceitou Pauline de imediato.  Sabe que para conseguirmos aquele novo contrato precisamos de todo o pessoal disponvel.
Karrie no se importava de trabalhar duas ou trs horas a mais naquele dia, j que, tudo levava a crer, conseguira permisso para folgar na sexta-feira. Tinha apenas mais um favor a pedir:
	Eu... preciso dar um telefonema particular, e...
	Use o meu aparelho. Preciso falar com o sr. Lane.
Sorrindo, Pauline saiu da sala. Porm, assim que ficou sozinha, Karrie comeou a suar frio. No podia abrir o jogo com Farne! Era um homem sofisticado! Como explicar suas dvidas?
Karrie encontrou o nmero de telefone da Adams Corporation sabendo que s havia uma maneira de resolver o problema. Pediu linha para a telefonista e teclou o nmero desejado, ciente de que, s depois de colocar as cartas na mesa, poderia deixar a Inglaterra e ir para a Itlia no dia seguinte.
	Adams Corporation.
A voz profissional a assustou.
	O sr. Farne Maitland, por favor.
Karrie teve que se encostar na cadeira de Pauline para evitar o tremor. Logo outra voz feminina e eficiente respondeu:
	Escritrio do sr. Maitland.
	Bom dia  disse Karrie com voz simptica. Precisava ser muito gentil para conseguir falar com ele.  O sr. Maitland est, por favor?
	Creio que no poder atend-la. Posso ajud-la em alguma coisa?
	No, obrigada. E um assunto particular.  Um breve silncio se estabeleceu, fazendo-a perceber que a secretria ficara curiosa. Continuou:  Eu... sei que ele tem uma reunio de diretoria hoje, e gostaria de falar com ele antes.
Karrie concluiu, que mencionando a reunio, a secretria perceberia que o conhecia bem, mas, pensando melhor, muita gente devia ter conhecimento da agenda de Farne. Ficou desesperada:
	Preciso falar com ele com urgncia, ainda hoje.
	Gostaria que transmitisse o recado para o sr. Maitland?
	No posso falar com ele agora?
	Lamento. Ele no se encontra no prdio no momento.
Est em outra reunio.
Oh, meu Deus, pensou Karrie. Nem mesmo seu pai comeava a trabalhar antes das oito e meia da manh! A voz impessoal da secretria continuou:
	De l, o sr. Maitland ir direto para a reunio de diretoria, e vai voltar mais tarde para outra reunio.
Pobre Farne! Parecia no ter um minuto de folga, pensou Karrie.
 Se me der seu nmero  disse a secretria , eu o informarei sobre a urgncia de seu recado.
	Karrie Dalton. Mas no  assim to urgente. No precisa se preocupar, obrigada.
Karin voltou para sua mesa, contente por ter mentido para a secretria de Farne sobre a urgncia de falar com ele. No queria que se sentisse ainda mais pressionado, com toda a carga de responsabilidade que j tinha no trabalho.
De qualquer forma, suspeitava que a secretria lhe daria o recado, e cada vez que o telefone tocava ela pulava na cadeira. Mas Farne no telefonou.
Karrie saiu para o almoo, imaginando que falaria com Farne na parte da tarde. Voltou do almoo, e o telefone continuou mudo, at que Travis telefonou. Comprara um quadro para o apartamento e queria saber a opinio dela.
	No entendo nada de pintura, Travis  defendeu-se Karrie.
	No faz mal  retrucou Travis, deixando claro que a opinio dela era importante de qualquer forma.
	Eu... vou trabalhar at mais tarde, hoje  disse Karrie.
 Posso passar no seu apartamento depois das nove?
Travis concordou e agradeceu muito. Assim que desligou o telefone, Karrie voltou a pensar em Farne. S no final da tarde lembrou-se de avisar a me que no iria jantar em casa. J deixara Margery preocupada naquela manh, e no queria causar mais aborrecimentos.
Karrie chegou em casa s dez horas da noite. Travis convidara-a para jantar, mas, com o pensamento obcecado por Farne Maitland, dera uma desculpa e sara logo.
Farne no retomara a ligao no escritrio mas, quem sabe, a secretria lhe dera o recado e ele telefonara para sua casa...
	Farne telefonou?  perguntou, depois de beijar o rosto da me, que assistia  televiso.
	O telefone no tocou uma nica vez o dia todo.
A voz de Margery soou distante e ausente, e Karrie percebeu que a me estava preocupada com a viagem a Milo.
	No vai acontecer nada, mame. Prometo  disse em um impulso.
Margery deu de ombros.
	A vida  sua, querida. Faa como achar melhor.
E levantou-se para ir dormir.
	Mame...
Mas no houve resposta.
Karrie foi para a cozinha preparar um sanduche e, enquanto comia, viu-se dividida entre o amor por Farne e a lealdade para com sua me. A ltima coisa que queria era causar preocupaes a Margery mas, afinal, j prometera que nada iria acontecer. Afinal, toda a doutrinao que recebera durante anos devia valer para alguma coisa...
E talvez, tambm, sua me estivesse antecipando uma inteno que, na verdade, Farne nunca tivera. Antes que Margery lanasse a dvida em sua mente, Karrie achara o convite natural, e que ele s desejava uma boa companhia.
Oh! Como gostaria que a me tivesse uma atitude mais despreocupada e alegre sobre aquilo tudo e que simplesmente tivesse lhe desejado boa viagem e que se divertisse bastante!
Karrie pensou em telefonar para a casa de Farne. Procurou na lista telefnica, porm o nome dele no constava. Se soubesse onde ele morava, pegaria o carro e iria at l, quela hora, para v-lo!
Mas no tinha nem o telefone nem o endereo do homem com quem viajaria dali a poucas horas, e a quem a secretria aparentemente no dera o recado. Concluiu que Farne s iria se comunicar com ela na manh seguinte, conforme o combinado.
A ideia de rev-lo a fez sentir-se melhor. Afinal, o que havia de errado em viajar com o homem a quem amava? Com olhar sonhador, subiu a escada para arrumar a mala.

CAPITULO IV

Bernard e Margery ainda dormiam na manh seguinte quando Karrie saiu do quarto, segurando a mala. Farne telefonara para avisar que estava saindo de casa e, no desejando acordar os pais, ela logo tratara de desligar.
Desceu a escada em silncio, consciente de que ia para Milo sem a aprovao da me. Isso empanava um pouco a sua alegria.
Ficou espiando pela janela, e assim que viu o carro de Farne, seu corao se acelerou. Oh, ela o amava tanto! No pretendia fazer nada de que pudesse se arrepender e esconder da me, portanto, qual o problema?
Para que Farne no tocasse a campainha e acordasse seus pais, tratou de pegar a mala e a bolsa e foi ao seu encontro. Quando fechou a porta sem fazer barulho, ele j sara do carro e caminhava em sua direo.
Karrie observou-o, fascinada: alto, viril, impecavelmente vestido. E ela iria passar o fim de semana na companhia daquele homem maravilhoso! De repente, sentiu-se desengonada e insegura. Tentou parecer natural ao dizer bom-dia, mas ao enfrentar o olhar de Farne em seu rosto, a voz soou trmula.
	Parece assustada  murmurou ele, perspicaz. Aconteceu alguma coisa?
	No... eu...  Karrie calou-se, embaraada, sem sabero que dizer.
	No est com medo de mim, est?
Karrie desviou o olhar ao sentir que enrubescia.
	Claro que no.
Farne riu baixinho.
	Srta. Dalton, voc pode levar um homem  loucura.
 Ele inclinou-se e beijou-a no rosto.
Assim que entraram na estrada Karrie recuperou a serenidade. Quando chegaram ao aeroporto, sentia-se surpresa por ter passado tanta ansiedade e apreenso. E quando aterrissaram na Itlia, estava de timo humor.
Havia um carro com motorista  espera, e Farne saudou:
	Buongiorno, Urbano!
Trocou mais algumas palavras em italiano com o homem, enquanto Urbano, o motorista da filial da empresa na Itlia, punha a bagagem no porta-malas.
Milo era uma cidade cheia de vida, e Karrie observou tudo fascinada, no trajeto de carro pelas ruas movimentadas. Estava curiosa para saber em que hotel ficariam e quando l chegassem, pensou, veria se Farne tinha reservado um ou dois quartos. Foi ento que comeou a se sentir inquieta outra vez. No queria discutir com ele, mas se fossem ficar no mesmo quarto, seria obrigada a dizer o que pensava.
Ainda refletia sobre o assunto, quando, de repente, Farne interrompeu seus pensamentos.
	Por que est nervosa, Karrie?
	Por nada.  No pretendia colocar a carroa na frente dos bois antes de chegarem ao hotel.  Estava s imaginando... onde ficaremos hospedados.
	No vamos para um hotel, se  isso que quer saber. A empresa tem um apartamento em Milo. Vamos ficar l. Tudo bem?
	timo!
O apartamento devia ter pelo menos dois dormitrios, pensou Karrie, aliviada.
E no se enganara. O edifcio luxuoso ficava num bairro elegante, e depois de subirem no elevador de mrmore e espelho, Farne abriu a porta de um belo e confortvel apartamento, com sala de estar, de jantar, cozinha e trs sutes.
	Voc ficar aqui  disse Farne, levando-a para um dos aposentos.   bastante confortvel.
	Est perfeito  concordou Karrie, sentindo a euforia retornar.
Farne colocou a mala de Karrie no cho.
	Vou fazer um caf para ns dois, e depois preciso ir andando.
	Eu fao  prontificou-se Karrie, de repente, sentindo-se segura outra vez, para no dizer muito surpresa. At conseguiu brincar.  No se preocupe comigo. Ficarei na cozinha, que  o meu lugar, enquanto voc se prepara para ir trabalhar.
	Adoro suas observaes! Os homens lem jornal enquanto as mulheres correm de um lado para o outro usando um avental. E essa a sua ideia de domesticidade?
Sorrindo, Farne dirigiu-se para um dos outros quartos enquanto ela ia  cozinha, cantarolando.
Encontrou leite na geladeira, e muitos suprimentos. Quando Farne voltou e colocou sua pasta de couro em uma cadeira, fitando-a com carinho, ela se sentiu a rainha do mundo.
	Ficar bem depois que eu sair, Karrie?
	Claro!  Mas no sabia se teria tempo de passear um pouco para ver a cidade, caso a reunio fosse breve.   Quer que prepare uma salada para quando voltar?
Farne pensou um pouco e respondeu:
Iremos comer fora.  De repente pareceu lembrar-se de algo.  Ontem encontrei um recado seu na minha mesa. Do que se tratava?
Karrie ficou imvel. O que dizer? No momento, sabendo que iria ter seu prprio quarto, tudo parecia muito ridculo. Farne continuava esperando por uma explicao.
No era nada demais, na verdade  acabou respondendo.  S queria lhe dizer que tinha conseguido a folga de hoje. Sua secretria foi muito atenciosa.
Porm Farne parecia no querer abandonar o assunto.
Quase fui  sua casa ontem  noite.
Graas a Deus no fora, pensou Karrie, replicando em voz alta:
	No iria me encontrar l. Trabalhei at tarde.
Farne sorriu.
	Contanto que no tenha sado com outro...
Aquilo soou possessivo e... delicioso. Mas Karrie era por demais honesta.
	Bem, na verdade fui  casa de Travis e...
 Ora essa!  O bom humor desapareceu da voz de Farne.  Espero que no a tenha mantido acordada at tarde.
O olhar, h pouco meigo, tornara-se frio e indiferente, e Karrie sentiu-se confusa e insegura. Como mudara naquelas ltimas semanas, comentou consigo mesma. Nem parecia a mesma garota.
	No tarde o suficiente para me impedir de fazer a mala quando voltei para casa.
	E devo agradecer a seu amigo por isso?
	Faa como quiser.
Detestava quando Farne ficava frio e irnico. Ele se levantou e, calado, dirigiu-se  porta. Quando Karrie comeou a ficar desesperada, voltou-se. Olharam-se, ela na cozinha, ele na porta do apartamento.
	No fique zangado comigo, por favor...
Largando a pasta, Farne correu em sua direo.
	Sou um idiota. Como poderia me aborrecer com voc?  minha...
Calou-se, de modo abrupto.
	Sou sua o qu?  Karrie precisava saber.
	Minha... convidada. Devia faz-la sentir-se  vontade e no pressionada. Bem, preciso ir.
	Sim. No se atrase para a reunio.
	Ficar comportada durante a minha ausncia?
	Como um anjo!
Beijaram-se rapidamente nos lbios. Farne segurou-a pelos braos, como se tentasse lutar contra um forte impulso.
	Tenho muito trabalho pela frente.
Em seguida, virou-se e saiu.
No silncio e quietude que se seguiu, Karrie foi para o quarto desfazer a mala. Sentia-se flutuar por causa do beijo. Farne devia sentir alguma coisa por ela. Devia gostar dela, pelo menos um pouco, caso contrrio no a teria convidado para ir com ele a Milo.
De repente Karrie sentiu fome. Olhou para o relgio e viu que passava do meio-dia. Estava se preparando para tomar um banho quando o telefone na mesinha-de-cabeceira tocou. No primeiro instante ela ficou imvel, olhando para aparelho, depois resolveu atender.
	Al?
	J est com saudade?
Demais, pensou ela, respondendo com animao:
	Mas voc acabou de sair...
	Bem, aqui estava eu, ansioso para saber se estava chorando sem parar sentindo a minha falta, e... olhe, parece que a reunio vai se prolongar mais do que imaginei. Pode preparar aquela salada para voc. Voltarei assim que puder.
	E o seu almoo?
	Vo providenciar sanduches. Ficou aborrecida?
Que amor era Farne! To atencioso!
	Estou bem, no se preocupe.
Depois que desligou, Karrie ficou um longo tempo parada, junto ao telefone. Precisava acabar com aquele hbito de ficar sonhando acordada, recriminou-se.
Com esforo, tratou de preparar algo para comer, tomou banho e deitou-se.
Nunca fora uma pessoa insegura ou indecisa. Por outro lado, jamais se apaixonara antes... O amor era um sentimento avassalador.
Bocejou, lembrando-se que acordara muito cedo. Fechou os olhos, recordando cada instante na companhia de Farne, desde as seis horas daquela manh.
Adorava ficar em sua companhia, viajar ao seu lado no avio, ficar no mesmo apartamento... Entretanto no gostara da breve discusso por causa de Travis.
Talvez no devesse ter dito nada. Era bobagem estar com um homem e falar sobre outro. Alm do mais, Travis era apenas um bom amigo.
Karrie decidiu que, na primeira oportunidade, esclareceria com Farne seu relacionamento com Travis, explicando que o conhecia h anos. S faltava Farne pensar que saa com um rapaz diferente a cada noite!
Sentia-se sonolenta...
Quando abriu os olhos, no conseguiu lembrar-se logo de onde estava. Ergueu os olhos para a porta e o corao comeou a bater com fora. L estava Farne, parado. Sentou-se na cama depressa.
	Acordei muito cedo  desculpou-se, logo lembrando que ele deveria ter acordado muito antes.  Ha quanto tempo chegou?
Aborrecida, pensou que parecia uma esposa queixosa.
Farne parecia divertido ao v-la tentar se compor e, como se soubesse que aquele quarto era rea proibida, manteve-se na soleira da porta.
 Tempo suficiente para admir-la dormindo. Linda!
Karrie agradeceu intimamente por estar sentada, seno suas pernas iriam fraquejar. Resolveu brincar.
	Est me bajulando para conseguir uma xcara de ch? Como foi a reunio?
Assim dizendo, tratou de assegurar-se que os joelhos j no tremiam tanto e levantou-se.
	Bem.
Farne afastou-se da porta do quarto, e Karrie aproximou-se, comentando:
	Devo estar com uma aparncia horrvel.
	Toda despenteada? Est uma beleza!
Farne passou os dedos entre os cabelos louros, e Karrie pediu:
	Ponha a chaleira no fogo. J irei  cozinha.
No pretendia ser autoritria, mas sentia-se embaraada com a presena dele em seu quarto. Tratou de passar um pente nos cabelos e foi encontr-lo antes que a gua para o ch fervesse.
	Comeu alguma coisa?  perguntou Farne como bom anfitrio.
	Sim. E voc?
	Sim. Pode esperar at s oito para jantarmos?
	Claro!
Tomaram ch juntos, e Karrie imaginou se ele reservara uma mesa em algum restaurante elegante. Perguntou:
	Vai descansar um pouco antes de sairmos?
	No costumo dormir de dia  disse ele.
	Mas deve ter acordado junto com os pssaros, hoje de manh!
	Sua preocupao  comovente, Karrie.
Sem pestanejar, ela entrou no assunto que a preocupava. 
	Gostaria de explicar sobre... Travis. Somos grandes amigos... h muitos anos.
Farne bebericou o ch, pensativo.
	Ele quer se casar com voc.
No era uma pergunta, e sim uma afirmao. Karrie desconversou.
	Ento, quando me telefonou ontem, desesperado para que algum desse uma opinio sobre um quadro, fui...
	... casa de Travis, que mora sozinho  finalizou Farne.
Karrie arregalou os olhos:
	Parece a minha av falando!
Riu, servindo mais ch, e notando que os lbios de Farne se curvavam em um sorriso, mesmo que fizesse fora para no demonstrar.
Depois, tudo pareceu um redemoinho. Foram de txi, naquela noite, a um restaurante espetacular, onde jantaram muito bem, embora depois Karrie no conseguisse lembrar o que comera Voltaram ao apartamento e Farne ofereceu um ltimo drinque, ao fechar a porta para o mundo l fora. Karrie balanou a cabea em negativa.
No poderia comer nem beber mais nada  brincou.  Nunca me diverti tanto.
Desejava beij-lo, mas tinha medo.
	O prazer foi todo meu.
A frase era corriqueira, mas para Karrie soou especial.
	Ento, boa noite, Farne.
Desejava que ele a beijasse e abraasse, antes de se despedirem para ir dormir, mas nada aconteceu. Ouviu-o dizer em tom amigvel:
	Boa noite, Karrie. Durma bem.
A ss em seu quarto, ela tomou banho e vestiu um pijama de cetim creme que ganhara da me, e ponderou sobre a pessoa confusa na qual se transformara desde que se apaixonara por Farne Maitland.
Preocupara-se que tivessem planos diferentes para o fim de semana, e que, como dissera sua me, Farne desejasse seduzi-la. Mas parecia que no era nada disso. Em vez de segui-la ao quarto, arquejante e ansioso, ele nem se dera ao trabalho de beij-la!
Karrie deitou-se e ficou acordada, sem sono, pensando em Farne e desejando sentir os braos fortes  sua volta outra vez.
Por causa da insnia acordou muito tarde na manh seguinte. Ouviu uma batida na porta.
	Entre.
Farne surgiu, vestido de modo esportivo, com camisa plo. Recusou-se a entrar no quarto, mas observou-a com displicncia.  Vai ficar a o dia todo? Karrie riu. Como o amava! Perguntou, sabendo a resposta:
	O dia est ensolarado?
	Sim.
	Ento vou me levantar.
Farne a deixou preparar-se, e assim outra jornada maravilhosa teve incio. Apesar de ser sbado, Milo, o centro financeiro do norte da Itlia, fervilhava de atividade. Andaram de txi, caminharam a p, explorando zonas de restaurantes e de lojas. Apesar de Karrie ter certeza de que Farne apreciava coisas mais sofisticadas, parecia deliciado com tudo  sua volta.
Tomaram caf nos bares ao ar livre, conversaram e riram. O assunto entre os dois parecia nunca se esgotar. Depois do almoo ficaram perambulando pelas ruas e lojas at s cinco horas, e depois voltaram ao apartamento.
	Eu a fiz andar demais  disse Farne em tom de culpa, quando Karrie despencou em uma poltrona na sala de estar, com as pernas esticadas sobre um sof em frente.
	De jeito nenhum! S que os meus ps no concordam muito...
Farne a encarou por um instante, com um olhar tenso e srio.
	Karrie, Karrie...  Pareceu dominar-se, e disse em tom alegre:  Vamos tomar ch!
Jantaram naquela noite em um outro restaurante, e tudo foi maravilhoso, como sempre.
Com o brao de Farne em seu ombro, deixou o restaurante e, desapontada, viu-o afastar-se para chamar um txi.
	Foi um jantar e tanto!  exclamou agradecida, querendo dizer mais do que aquilo.
	Fico feliz que tenha gostado  murmurou Farne, quando entraram no txi para voltar ao apartamento.
Segurou-lhe a mo, e Karrie desejou que a abraasse de novo, porm isso no aconteceu.
	Obrigada pelo dia adorvel  disse,  guisa de boa-noite, antes de ir para o seu quarto.
	Foi... especial  respondeu Farne, fazendo-a estremecer de excitao, mas logo brincando:  Tente no acordar muito tarde amanh.
Aquilo foi uma ducha fria na emoo de Karrie.
	Boa noite, Farne.
	Durma bem.
Karrie acordou muito cedo no domingo e no conseguiu mais dormir. Ficou pensando no dia anterior e nas risadas que compartilhara com Farne. Tudo fora maravilhoso.
Lembrou-se da ltima frase que o ouvira dizer: "Tente no acordar muito tarde amanh". No instante seguinte estava de p e, na ponta dos ps, dirigiu-se  cozinha.
Seu primeiro pensamento foi o de levar uma xcara de caf ao quarto de Farne e brincar, dizendo que naquela manh era ele o dorminhoco, mas refreou-se, ao lembrar que, at o momento, ele deixara claro no ter inteno de ultrapassar os limites da porta do quarto de hspedes.
Sabia que estava sendo tratada de modo especial, e tinha certeza que muitas mulheres j haviam se deitado na cama de Farne. Era melhor agir como ele e respeitar os limites de seu quarto como se fosse um santurio.
Concluiu que seria mais engraado deixar a xcara na soleira da porta, de modo que ele a visse assim que sasse do quarto. O caf estaria frio, e perceberia que ela j acordara h horas. Seria uma boa lio!
Entretanto o plano no deu certo porque, assim que a gua ferveu, ouviu movimento no apartamento e, segundos depois, Farne apareceu na cozinha, descalo, e usando apenas um roupo curto.
Ficou surpreso ao encontr-la ali, e sorriu.
	O que temos aqui?
O corao de Karrie disparou ante o sorriso acolhedor.
	Desmancha-prazeres! Ia deixar uma xcara de caf na porta do seu quarto.'
Farne nada disse, o olhar passeando da boca macia para o decote do pijama de cetim, que no disfarava os bicos eretos dos seios.
Consciente do olhar intenso, Karrie passou por ele apressada, mas Farne segurou-a pelos ombros, detendo-a a meio caminho, e murmurando em seu ouvido:
	No fique encabulada, bonequinha.
Karrie gostaria de dizer que no era verdade, mas seria mentira.
Como se a considerasse uma criana, Farne baixou a cabea e beijou-a na testa.
Mas no eram crianas, e quando seus corpos se encontraram a reao foi bastante adulta.
No instante seguinte Karrie ouviu uma espcie de gemido rouco, e viu-se presa nos braos fortes. Oh, como desejava aquilo! Queria pronunciar seu nome de novo, mas no conseguiu, pois a boca de Farne pressionou a sua, e foi maravilhoso. Os lbios logo deslizaram para o pescoo delicado e macio, provando, beliscando e levando-a ao delrio.
As mos de Farne se introduziram sob o pijama de cetim, acariciando-lhe as costas, e Karrie sentiu que o bico dos seios pressionavam seu trax. Jamais experimentara sensaes como aquelas. Amava-o, e retribuiu as carcias.
De repente, porm, comeou a voltar  realidade, quando uma das mos fortes comeou a desabotoar o pijama, enquanto a outra segurava-lhe um dos seios.
	Farne!
	O qu?
Ele tambm pareceu voltar  realidade, e percebeu, com surpresa, que estava avanando o sinal. Com um gesto brusco, afastou-se, resmungando:
	Preciso fazer a barba e... por favor, Karrie, v para o seu quarto e s volte quando estiver completamente vestida!
Como um rob, ela tentou obedecer, sentindo o rosto em brasa. Sabia que Farne j a vira enrubescer, e imaginava o que estaria pensando. Depois das liberdades que permitira, sentia-se envergonhada.
	Vou... acabar de preparar o caf  gaguejou, voltando-se para a pia.
Minutos depois Farne voltou para a cozinha, mas no parecia estar com muito apetite, nem muito comunicativo.
Sem sugerir que dessem mais um volta na cidade antes de irem para o aeroporto, disse:
	 melhor irmos embora.
Um sentimento amedrontador tomou conta de Karrie, mas tratou de sorrir.
	J tirei a roupa de cama. O que fao com os lenis?
Era bvio que Farne no se preocupava muito com esses detalhes domsticos.
	Deixe l  respondeu.  Algum vir arrumar o apartamento.
E essa foi toda a conversa que mantiveram durante o tempo que ainda permaneceram ali.
A caminho do aeroporto, Karrie viu-se emudecida, sem condies de conversar. Fora muito arrojada ou fora Farne quem comeara tudo? Para ser sincera, estivera ansiosa por aqueles beijos.
Bem, mesmo que nunca mais voltasse a ver Farne, jamais esqueceria aquele fim de semana na Itlia, pensou. A ideia de perd-lo a acompanhou durante toda a viagem de volta. Tinha vontade de chorar, e desejava falar sobre trivialidades, para demonstrar que no estava aborrecida com a sbita frieza que ele impusera. S queria ficar sozinha e remoer sua mgoa sem testemunhas.
Sim, talvez estivesse vida por seus beijos, mas no era uma garota fcil. Podia ter cedido por instantes  paixo, mas era tudo o que lhe daria. Jamais cometeria o erro de sua prpria me que engravidara por amor, antes do casamento. Nenhum mtodo anticoncepcional era seguro, nenhum!
Em tom atencioso e alegre, Farne comentou:
	Parece muito pensativa...
Estavam voltando a se falar! Ele j no estava aborrecido com o que acontecera em Milo!
	Estava pensando que vou chegar cedo em casa mentiu.
	E vai tomar ch com Travis?
De novo aquela histria, pensou Karrie.
	No pretendo v-lo.
E a conversa terminou por ali.
Quando o avio aterrissou, Karrie sentia-se arrasada. Foi ento que o orgulho veio salv-la.
Haviam deixado o aeroporto e se encaminhavam para o carro de Farne, quando parou de repente, dizendo:
	Deve ter muitas coisas a fazer. Tomarei um txi  Sorriu fingindo animao, contendo a impulso de estender a mo para se despedir.  Obrigada por...
	Quero lev-la at sua casa  interrompeu Farne.
Karrie ficou sem saber se aquilo significava que desejava ainda a sua companhia ou se no via a hora de livrar-se dela. Ao chegarem em casa, Farne colocou a mala de Karrie junto  porta.
	Obrigada...  recomeou ela.
	Gostou de Milo?
	Com voc, foi maravilhoso. Quer entrar? Meus pais...
	Vou v-los hoje  noite.
	Como?
	Quando vier visit-la.
	O qu?
	Vai jantar comigo, no vai?
Karrie tentou disfarar o jbilo, olhando para o relgio de pulso.
	Bem... como parece que j perdi o almoo...
Farne depositou um beijo no canto de sua boca, fazendo-a sentir-se uma tola feliz.
	At logo, bonequinha...
Ao v-la de novo, a me comentou:
	Parece ter se divertido muito.
	Sim, e Farne foi um perfeito cavalheiro, o tempo todo.
	Que bom! Vai v-lo outra vez?
	Vamos jantar juntos.
Margery segurou o rosto da filha entre as mos.
	Querida! Voc o ama, no  verdade?
Karrie no sabia explicar o quanto. Como tudo era divino quando se encontrava em sua companhia! Como riam juntos, e como as pequenas nuanas no humor de Farne conseguiam deix-la alegre ou triste. Sabia que no precisava entrar em detalhes, pois a me compreendia muito bem. Disse tudo ao beij-la no rosto.
	Minha filha, tome cuidado. Muito cuidado!
Karrie levou a mala para o quarto, entendendo muito bem o alerta da me. Queria adverti-la para no se entregar a Farne Maitland.
Bem, no precisava se preocupar com aquilo. Mesmo que tivesse essa inteno, o que no era verdade, ele demonstrara uma grande relutncia em levar a intimidade adiante. Para si mesma Karrie disse que, se Farne realmente a desejasse, teria insistido.
Mas, por que se aborrecer com esse assunto? Iriam se ver de novo naquela noite, e isso j era uma prova de interesse. Farne podia no am-la, mas apreciava sua companhia, disso no havia a menor dvida.
Karrie estava pronta, quando ele chegou. Tomara banho de espuma e ficara sonhando, mergulhada na banheira. Depois enfiara-se num vestido leve, azul-esverdeado, e continuara a sonhar acordada.
	Entre  convidou, tentando manter as batidas do corao sob controle.
Parecia incrvel que aquele rapaz alto e bonito, com aqueles olhos azuis penetrantes, gostasse tanto de sua companhia a ponto de, depois de passarem um fim de semana platnico em Milo, convid-la para sair de novo.
Farne apertou a mo de Margery e trocaram algumas palavras. Em seguida saram, e de novo a noite foi inesquecvel para Karrie.
Ao deixarem o restaurante, Farne comentou que ainda era cedo e perguntou se Karrie gostaria de ir at sua casa.
Margery a alertara para tomar cuidado, mas o que temer, depois de ter passado um fim de semana sozinha com ele? Karrie concluiu que, afinal, no sabia quanto tempo mais aquela amizade continuaria, portanto era bom aproveitar cada minuto na companhia de Farne.
Alm do mais, tinha curiosidade de saber onde ele morava, de conhecer a casa dele! Ao perceber que Karrie relutava em aceitar o convite, Farne provocou-a:
	No precisa ir, se no quiser. No  uma questo de vida ou morte.
	Desculpe  ela apressou-se a responder.  Como disse, ainda  cedo. Acho que gostaria de ir  sua casa.
Farne no fez comentrios, e segurou-a pela mo, conduzindo-a para o carro.
A casa ficava em um condomnio fechado e, mal entrou, Karrie apaixonou-se pelo lugar. Foram do saguo  sala de estar com teto alto, decorada com mobilirio discreto mas caro, com sofs macios e almofadas por todos os lados. Era aconchegante, um verdadeiro lar.
	Sua casa  linda  murmurou Karrie com sinceridade.
Farne encarou-a, dizendo com simplicidade:
	Fico feliz que goste.  Tratando de desprender-se dos enormes olhos castanhos e inocentes, acrescentou:  Estou sendo um pssimo anfitrio. Quer caf?
	No, obrigada.
	Uma bebida mais forte?
Karrie balanou a cabea em negativa, sorrindo.
	Ento venha sentar-se comigo neste sof, e fale mais a seu respeito.
Karrie riu.
	No h mais nada a contar.
Sentaram-se de mos dadas, e Farne olhou-a com seriedade.
	Voc  linda e quero beij-la outra vez.
Karrie mudou de assunto.
	Conhece lugares fantsticos para jantar.
Mas os lbios de Fame cobriram os seus com doura. O corao de Karrie disparou. Desejava abra-lo com fora, mas tinha medo de se trair, como fizera naquela manh, em Milo.
	Acho... que... isto no  uma coisa...  gaguejou, aflita.
Farne encarou-a, e Karrie imaginou se iria levantar-se e lev-la para casa.
	Mas no preciso ir embora j, preciso?  perguntou com um fio de voz.
	Quer ficar mesmo que...
	Oh, Farne! Desejo beij-lo mais que tudo neste mundo, mas hoje cedo fui muito audaciosa, e...
	Audaciosa?  repetiu ele, atnito.
	Sim. No fui?
Karrie voltava a sentir-se insegura e confusa.
	Querida, havia uma timidez em voc, hoje de manh, que achei maravilhosa.
Tmida? Karrie achara que fora at arrojada demais...
	Tem certeza?  Sorriu.  Sei que no sou muito experiente, mas...
	Mas tem alguma experincia?
- Claro que sim!
	Quantos namorados j teve?
	No muitos...  De repente Karrie percebeu que seu conceito de "namorar" devia ser bem diferente do dele...  Mas nunca fui para a cama com um homem.
Farne pareceu ficar surpreso e respirou fundo.
	Est querendo dizer... deixe-me entender direito... Est dizendo que  virgem?
	Sim.  Karrie ficou ruborizada.  Mas isso no quer dizer que no sinta vontade de...
Farne tentava recuperar-se da surpresa. Tomou-lhe as mos nas suas e beijou-as. Karrie prosseguiu:
- Tem mais experincia que eu, portanto responda-me se  prerrogativa do homem desejar beijar uma mulher. Porque sinto uma vontade enorme de beij-lo...
	H alguns instantes no achava isso apropriado.
Karrie riu, replicando:
	Nunca muda de ideia?
	Raramente  replicou Farne, tomando-a nos braos e beijando-a na boca, repetidas vezes.
Um fogo lento e devorador comeou a possu-la, e Karrie s desejava ficar ali, nos braos do homem que amava. Nem percebeu que se deitara no sof, at Farne erguer-se nos cotovelos e perguntar com carinho:
	Tudo bem, Karrie?
No tinha muito certeza do que ele queria dizer com aquilo, mas acenou que sim. Farne voltou a beij-la, pressionando-a contra as almofadas macias.
Beijou-a no pescoo e comeou a acariciar-lhe os seios, desabotoando a blusa, sem que Karrie reagisse. Amava-o muito, entretanto retesou-se ao sentir que ele afagava seus seios nus.
	Farne!
	No tenha medo...
	No estou...
Desejava continuar sentindo aquele prazer intenso que as mos fortes e viris lhe proporcionavam.
Farne despiu a camisa, revelando o trax musculoso, e Karrie estendeu a mo e tocou a pele rija e quente.
	Voc  linda  sussurrou ele com voz rouca, deleitando-se ante a viso dos seios macios, com mamilos rosados, e apertando-os entre os dedos.
Karrie gemeu, e sentiu o corpo semidespido de Farne sobre o seu, enquanto sua saia era erguida at a cintura.
De sbito, ficou alarmada, mas tentou ignorar a sensao. Estava onde queria estar, nos braos de Farne, e faziam amor. Dessa vez no desejava que ele parasse, como acontecera em Milo. Sentiu os dedos experientes explorarem dentro da calcinha macia, e ento, sem que pudesse se conter, exclamou:
	No!
Sentia-se em pnico. Livrou-se dos braos de Farne e tentou se levantar.
- O que aconteceu, Karrie?  perguntou ele, surpreso.
	No... no posso fazer isso. Desculpe. Sei que tudo em mim parecia dizer que sim, mas no consigo. S quando estiver casada!
Um silncio sepulcral abateu-se sobre eles aps aquelas ltimas palavras, e Karrie desejou poder sumir. Farne era um homem sofisticado e iria julg-la uma simplria.
Ele repetiu, em tom grave, como se desejasse apreender o sentido total das palavras:
	No at se casar.
Karrie sabia que aquilo significava o fim.
	Desculpe-me  repetiu com humildade.  Para mim isso  muito importante.
	At que ponto?
	Extremamente.
De novo o silncio pesou na sala e, de repente Karrie ficou abismada com o que ouviu.
Nesse caso, precisamos nos casar.
Muda de espanto, encarou-o, mas Farne no a olhava, muito ocupado em colocar seus braos dentro do vestido outra vez, levantar-se e vestir a camisa.
Vou lev-la para casa.
Karrie nada disse, apavorada com a possibilidade de Farne ter dito aquilo de brincadeira.
CAPITULO V

Na manh seguinte Karrie saiu da cama depois de uma noite maldormida. Sua cabea latejava com a quantidade de perguntas que exigiam respostas, mas que, afinal, se concentravam em uma s: teria Farne brincado ao dizer que desejava casar?
Na verdade, nem perguntara se ela tambm queria, mesmo porque estava, acostumado a dar ordens e a decidir tudo sozinho. Mas Karrie no se queixava. Queria ser sua esposa mais do que tudo na vida.
Entretanto, ser que ele dissera a verdade? Deveria levar a srio aquela declarao? Ficara to emocionada na hora que no conseguira dizer uma s palavra.
Mas, ao voltarem para a casa dos Dalton, Farne se fechara em um mutismo sombrio. Conduzira-a at a porta e dissera, beijando-a bem depressa:
	Boa noite, querida.
Portanto, naquela manh, Karrie no sabia se estava noiva ou no.
Tomou banho, vestiu-se e preparou-se para ir trabalhar, levando em conta a ideia de que talvez, nunca mais voltasse a ver Farne Maitland. Se ele no falara a srio, no a procuraria mais, depois disso.
Desceu a escada sem a menor vontade de tomar caf, mas, ao observar o olhar perscrutador da me, tratou de disfarar.
	Chegou muito tarde ontem  noite  comentou Margery em tom displicente.
Sim. Quando Karrie chegara os pais j estavam deitados e desejara ficar a ss. Respondeu, ignorando o desejo da me de saber mais detalhes sobre o encontro:
	E verdade.
Ao dirigir para o escritrio, Karrie recapitulou tudo o que acontecera entre ela e Farne, as carcias, os beijos, as palavras, e chegou  concluso que, se algum lhe perguntasse sobre o assunto, teria que dizer: "Bem, acho que estou noiva, mas no tenho certeza".
Darren Jackson acertou o passo com ela no estacionamento da empresa.
	Teve um bom fim de semana?
	Otimo  respondeu Karrie automaticamente.  E voc?
	Mdio. Por que no veio trabalhar na sexta-feira?
Karrie reprimiu o impulso de responder que no era da conta dele, mas engoliu em seco. O pobre Darren no tinha culpa se sua vida estava virada de cabea para baixo. Respondeu sorrindo:
	Tinha uns assuntos para resolver.
- Bem... quer sair comigo hoje  noite?
Haviam chegado ao escritrio, e Karrie despediu-se, sem responder ao convite. Parou para uma conversa rpida com as colegas, e precisou aguentar um bombardeio de perguntas indiscretas. Era bvio que todas desejavam saber se voltara a se encontrar com Farne Maitland.
	Vai nos contar com quem saiu no sbado  noite?  perguntou Lucy com ansiedade.
Karrie sorriu ao pensar na expresso do rosto de Lucy se dissesse que no s vira Farne como haviam passado o fim de semana juntos em Milo!
	Passei o fim de semana com dor de cabea, Lucy...
Karrie queria tanto que Farne ligasse que pulava cada vez que o telefone tocava. Por diversas vezes preparou-se para dizer-lhe, em tom alegre e despreocupado, que no levara a proposta de casamento a srio.
Mas Farne no telefonou e, por volta das quatro da tarde, quando Karrie estava com os nervos em frangalhos, triste e deprimida, desejando ir para casa e fechar-se no quarto, a supervisora veio  procura de voluntrios para um trabalho mais longo. Como Pauline fora gentil ao dar-lhe a folga na sexta-feira, Karrie levantou a mo:
	Conte comigo!
Chegou em casa depois das oito, mais triste do que nunca. No queria perguntar  me se Farne telefonara. Abriu a porta e, em vez do habitual silncio desolador que s era substitudo pelos gritos dos pais quando brigavam, Karrie ouviu-os falando em voz baixa e calma. Isso a fez perguntar-se quem teria morrido...
Entrou na sala de estar, e dois pares de olhos a encararam. Sua me sorria e seu pai tinha uma expresso benigna.
	No sabia que conhecia Farne Maitland  foi logo dizendo Bernard Dalton.
Com o corao disparado, Karrie lanou um rpido olhar de reprovao para a me. Pretendera manter o assunto em segredo. Ser que o pai iria lhe passar um sermo? Voltou a encar-lo e retrucou:
	Voc o conhece?
	No, at ele vir falar comigo hoje.
Karrie arregalou os olhos e Bernard continuou:
	Parece que tem vindo aqui com frequncia ultimamente, mas eu nunca estava em casa. Hoje ligou para c e foi me ver no escritrio.  Karrie continuou em silncio, esperando, e o pai prosseguiu:  Tudo leva a crer que Farne Maitland a pediu em casamento ontem  noite e que voc aceitou. Como manda a tradio, veio pedir o meu consentimento.
Karrie sentiu um forte zumbido nos ouvidos e, de repente, a alegria reprimida, que se recusara a sentir por achar que era iluso, irrompeu com fora.
Nesse ponto, a me, que se mantivera calada, no conseguiu mais se conter, correndo de braos abertos para a filha.
	Querida! Estou to feliz por voc!
Em seguida ouviram um carro chegar, e Bernard explicou:
Convidei Farne para jantar. E melhor ir receber seu noivo, minha filha.
Noivo! Karrie saiu correndo, mas sentia-se zonza. Tudo estava acontecendo depressa demais!
Tratou de se controlar. Aquele era Farne, o homem que amava. Abriu a porta, e sentiu um estremecimento ao deparar com o rapaz alto, bonito e adorvel. Sabia que estava com o rosto vermelho.
	Ol  disse, afastando-se da porta para dar-lhe
passagem.
Farne adiantou-se, sorrindo, e beijou-a no rosto, dizendo: - Achei que a ocasio merecia um brinde. Ento Karrie reparou que ele trazia na mo uma garrafa de champanhe.
	Me... meus pais esto na sala de estar...
E, com uma rpida desculpa, explicando que chegara h pouco do trabalho, correu escada acima para seu quarto.
No conseguia acreditar! Era demais! Tudo o que desejara! Entretanto... algo no estava certo. No sabia dizer o qu, mas...
A excitao e o amor por Farne afastaram aquele pensamento, e tratou de trocar de roupa, colocando um de seus vestidos mais elegantes. Afinal, era o" dia do seu noivado!
Sua me era boa cozinheira e, apesar do pouco tempo que tivera para descongelar o salmo, o jantar foi excelente. Karrie tambm sentiu orgulho de Margery por deixar Farne  vontade e no fazer nenhuma pergunta indiscreta.
Eram quase onze horas quando saram da mesa e voltaram para a sala de estar. Meia hora depois, Bernard disse que, j que Farne era da famlia, no se importaria se fosse dormir porque precisava acordar muito cedo na manh seguinte.
	Vou subir tambm  apressou-se a dizer Margery.
Por fim, Karrie viu-se a ss com o homem que, agora sabia, no brincara ao falar em casamento. De repente, sentiu-se acanhada e confusa, e achou que deveria dizer algo. Estavam de p, no meio da sala.
	Eu... meus pais gostam de voc.
Logo se arrependeu daquela bobagem, pois, por certo, Farne estaria ali mesmo que no gostassem.
	Espero que sim.  Assim dizendo, Farne retirou do bolso uma caixinha.  Se no gostar, podemos trocar.
Dentro da caixa havia um anel com um brilhante magnfico. Karrie soltou uma exclamao abafada:
	Farne!
Ignorando sua surpresa, ele tomou-lhe a mo e colocou o anel em seu dedo, beijando-a em seguida e enlaando-a pela cintura. Mas quando Karrie achou que iria dar-lhe um beijo mais apaixonado, afastou-se, pigarreando:
	Tenho uma reunio muito cedo amanh, Karrie.  melhor ir embora.
	Claro!  respondeu ela, apesar de achar que mais alguns beijos no fariam nada mal. Afinal, estavam noivos e seus pais tinham ido dormir! Olhou para o anel.  Por falar em trabalho, devo ir com isto para o escritrio amanh?
	Sim, a menos que deseje manter nosso compromisso em segredo. Mas  uma jovem noiva, srta. Dalton. Use-o o tempo todo. Assim afastarei os outros pretendentes da sua vida.
	Como se fosse preciso! Vou acompanh-lo at a porta.
	Boa noite, minha princesa.
Quando ele se foi, Karrie concluiu que era muito mais que um homem encantador, por isso o amava tanto.
Na manh seguinte nem precisou mostrar o anel para a me. Margery logo o viu.
	Quando o ganhou?  exclamou, tomando a mo da filha e examinando a pedra rutilante.
	Ontem  noite.
	Notei que subiu logo depois de ns  comentou a me em tom de aprovao.
	Farne tem uma reunio logo cedo, hoje  explicou
Karrie com um sorriso.
E o sorriso no a abandonou nem um minuto at chegar ao trabalho. Entretanto, ao entrar na empresa, comeou a se sentir pouco  vontade com o anel de brilhante no dedo.
J que grande parte de seu trabalho era feito no computador, no tinha como ocultar a jia. Ocupou seu lugar e ficou pensando se algum iria reparar.
Trinta segundos depois, quando Clia passou ao seu lado, soube que seus temores tinham fundamento.
	Onde conseguiu essa coisa maravilhosa?!  perguntou
Clia com um gritinho agudo.
E logo em seguida Karrie foi circundada pelas demais colegas do escritrio, todas falando ao mesmo tempo:
	Quem?
	Quando?
	No  de admirar que no sasse comigo!  queixou-se Darren.
	Ora, cale-se!  disseram Lucy e Jenny ao mesmo tempo.
	Quem ?  quis saber Lucy, ansiosa.  Algum que conhecemos, e...  Parou de sbito, os olhos arregalados.
 No me diga que  Farne Maitland?!
Um silncio to intenso tomou conta do ambiente que um clipe que casse seria ouvido com nitidez. Sentindo o rosto pegar fogo, Karrie respirou fundo e respondeu:
	Sim,  Farne.
O silncio sepulcral se prolongou por mais trs segundos. Ento, Lucy falou bem alto:
	Macacos me mordam! Ouvi dizer que era um homem de decises rpidas, mas... como foi isso, se s saiu rom ele uma vez?
Era hora das confisses, e Karrie no viu motivos para esconder mais nada.
	Bem, na verdade... sa com ele algumas vezes...
E sentiu-se agradecida por, dessa vez, ningum fazer mais perguntas.
	Deve ter sido amor  primeira vista  suspirou Jenny.
Karrie tratou de ser gentil com todos e, por fim, um a um, cada qual voltou aos seus afazeres. De novo por conta Prpria, comeou a refletir sobre o que poderia ser que sentira estar errado na noite anterior e, de repente, descobriu!
Sim, ela se apaixonara  primeira vista por Farne, mas ele, at aquele momento, no dissera que a amava!
Ficou pensando nisso enquanto trabalhava. Ser que Farne queria se casar por uma questo de convenincia? Afinal, ela tambm pertencia a uma famlia abastada, bem-educa-da, e... Por certo era demais esperar que a amasse do mesmo modo que o amava, mas... devia sentir alguma coisa... No a teria pedido em casamento, se no sentisse. Ou teria?
Karrie ergueu o olhar e viu Pauline Shaw se aproximar, sorridente.
	O sr. Lane quer v-la.
Karrie levantou-se sem perda de tempo e, enquanto caminhavam juntas, Pauline disse, com sinceridade:
	Estou muito contente com a novidade.
As notcias se espalhavam rpido, pensou Karrie.
	Obrigada - murmurou, batendo na porta da sala do diretor.
A secretria a anunciou e Gordon Lane a saudou com um largo sorriso. Parecia que, naquela manh, todo mundo estava de bom humor, concluiu Karrie. O chefe desejava congratul-la pessoalmente pelo noivado
	No sabe como estamos contentes por ouvir essa no vidade na Irving and Small.
Karrie saiu da sala dez minutos depois, tendo prometido que, se tivesse o menor problema, sobre qualquer coisa, iria falar com Lane.
De volta  sua mesa, afundou na cadeira. Comeava de novo a se sentir muito bem. Farne fora esperto, e tratara de divulgar sem perda de tempo a notcia do noivado, de modo que os comentrios acabassem logo.
Karrie soubera, pelo prprio sr. Lane, que Farne telefonara para vrios executivos da Irving and Small, participando o casamento. Sem dvida, pensou, o noivo se importava muito com ela! Por mais ocupado que estivesse, arranjara tempo para fazer aquilo.
Pela centsima vez, lanou um olhar sobre o anel de brilhante, para se convencer de que tudo aquilo era verdade e no um sonho. Afinal, o que importava se Farne ainda no dissera que a amava? Seria a melhor esposa do mundo. Pobrezinho, pensou com meiguice, Farne fora para o colgio interno com sete anos. Precisava de amor. Naquela noite ele telefonou.
	Tive esperana de poder lev-la para jantar hoje, mas ainda estou no escritrio. Importa-se se nos virmos s na quinta-feira?
Embora desapontada, Karrie respondeu:
	De jeito nenhum! Obrigada por ter ligado para o sr. Lane.
	No ficou aborrecida?
	E deveria?
	Voc  adorvel!
Assim dizendo, desligou.
Aquelas palavras ficaram soando nos ouvidos de Karrie no dia seguinte, no a deixado pensar em mais nada.
Na quarta-feira  noite, Travis telefonou para perguntar se Karrie queria sair. Que situao! No podia contar ao amigo pelo telefone que ficara noiva! Perguntou onde se encontrariam e prometeu estar l em meia hora. Como sempre, seu pai no estava em casa, mas avisou  me qe iria sair.
	Com Farne?
	No. Com Travis. Preciso contar a ele a novidade.
	Voc  uma boa moa, minha filha.
Karrie sentiu-se agradecida por receber tanta compreenso.
Travis ficou abalado com a notcia, mas, depois do choque inicial, disse que sempre iria am-la e, caso terminasse o noivado, queria ser o primeiro a saber.
	Sempre amigos?  perguntou Karrie ao se despedir.
	Para sempre!
Ela voltou para casa aliviada.
	Atendi dois telefonemas para voc  anunciou Margery, assim que ela entrou em casa.
	Farne?
	Sim.
	Deixou algum recado?  perguntou Karrie, ansiosa e aborrecida por ter perdido o telefonema do noivo.
	Falou que no era importante e que veria voc amanh. 
Depois Jan ligou.
Karrie falara com a prima na noite anterior.
	Ela est bem, mame?
	tima!
	Vou ligar de volta  disse Karrie olhado para o relgio.
Eram dez horas e Jan tinha um telefone na mesinha-de-cabeceira, caso estivesse deitada. Passou meia hora conversando com a prima e prometeu v-la na sexta-feira, depois do trabalho.
	A menos que seu noivo queira sair com voc  acrescentou Jan.
Karrie ficou acordada parte da noite, tentando se acostumar com a ideia de estar noiva. Ainda se maravilhava com a situao, e sentia vontade de se beliscar a toda hora, para ver se era verdade. Pensou no que Jan lhe dissera ao desligar.
Por certo que Farne vinha em primeiro lugar, mas no pretendia passar todas as noites ao lado do telefone, esperando por uma chamada sua. Afinal, tinha a prima e outras amigas... At alguns dias atrs, possua vida prpria!
Na noite seguinte descobriu que Farne ficara aborrecido com o fato de no t-la encontrado em casa. Isso aconteceu depois que saram para jantar, e j estavam comendo a sobremesa, quando Karrie resolveu trazer o assunto  baila.
	Desculpe-me por no estar em casa quando telefonou ontem. Era algo importante?
Farne a encarou com firmeza.
	Sua me disse que saiu para se encontrar com algum.
	Sa com Travis, e...
	Ora bolas, Karrie!  rosnou Farne, fazendo-a encar-lo de olhos arregalados, ante aquela brusca mudana de humor.  Esqueceu que  minha noiva?
	Claro que no!
	Ento obriga-me a proibi-la de voltar a ver esse sujeito!
	Travis  meu amigo!
	E eu seu futuro marido!
Por um instante Karrie deixou-se embalar pelo som daquela palavra mgica, mas... Espere um minuto, pensou, indignada. Quarenta e oito horas antes tinha uma vida prpria e amigos, e certas regras deveriam ser discutidas logo. Perguntou:
	Por acaso no conhece mulheres que so apenas suas boas amigas?
Farne no achou graa.
	E o que isso tem a ver?
Karrie enfrentou o olhar viril e ciumento, e sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha.
	No sei... Devo presumir que tambm abandonou todas as suas conhecidas, e...
	Todas as ligaes foram cortadas para nunca mais serem reatadas  interrompeu Farne de modo categrico, e Karrie percebeu que falava a verdade.
Amava-o e no desejava v-lo com aquele ar severo. E, na verdade, pensou, como se sentiria se Farne respondesse que tinha algumas amigas com quem desejava continuar mantendo o relacionamento?
	Travis me convidou para tomarmos um drinque  justificou-se.
	Devo aplaudir agora ou mais tarde?
	No seja cnico!  redarguiu Karrie, irritada.  Ou ficar sem uma explicao. Alis, acho que no lhe devo nenhuma. Bem... talvez sim, agora que uso seu anel.
	Ento explique  encorajou Farne em tom mais amigvel.
Karrie comeou com timidez:
	Travis tinha me pedido em casamento. Antes de voc,  claro! No ia contar, mas... De qualquer modo, quando telefonou, achei que, como ramos to bons amigos.... 
Tomou coragem e encarou o noivo.  Ora! Voc sabe muito bem que nunca tive relaes com nenhum homem!
Farne estendeu-lhe a mo sobre a mesa.
	Sei disso, querida. Continue.
Sentindo-se aliviada e feliz com aquele gesto de carinho, Karrie prosseguiu:
	Achei que no seria educado contar a novidade a Travis pelo telefone.
	Foi v-lo apenas para falar do nosso noivado?
	Achei que lhe devia isso. Alm do mais, voc deveria ter me deixado seu telefone para que eu retornasse sua ligao.
	No lhe deixei meu nmero?
Farne tirou um carto no bolso do palet e entregou-o a Karrie, que o guardou na bolsa, perguntando:
	Quando me telefonou era para me contar algo importante ou s para um bate-papo?
	Meus pais nos esperam em Dorset para o fim de semana. Dei a notcia por telefone, e esto ansiosos para conhec-la. Tentei avis-la...
Cus! Karrie percebeu que ainda nem pensara na famlia de Farne! Sentiu-se nervosa ante a perspectiva de conhecer os futuros sogros. Esperava que gostassem dela.
	Iremos no sbado?
	Tem algo para fazer na sexta-feira  noite?
Farne sabia ser irnico!
	Combinei me encontrar...
	Com Travis?
Karrie riu.
	Acha que sou louca? No, pretendia visitar minha prima Jan. Pode ir comigo, se quiser. A que horas quer partir no sbado?
Mentalmente Karrie resolveu que, no futuro, o avisaria de seus planos... apesar de Farne ter resolvido sozinho sobre a visita aos pais, acrescentou para si mesma.
	Voc  encantadora! Telefonarei no final da manh. Almoaremos a caminho de Dorset. Est bem assim?
Karrie aquiesceu, feliz por voltarem s boas.
Farne no a beijou ao sarem do restaurante, nem fez meno de entrar em sua casa, apesar de estar tudo as escuras, o que significava que seus pais j haviam se recolhido para dormir.
Mais um dia cheio amanh  desculpou-se, ao ser convidado a entrar.
Beijou-a de modo distrado, e foi embora.
Quando o sbado chegou, Karrie estava agitada com a perspectiva de conhecer os pais de Farne. Sabia que ele fora afastado de casa em tenra idade para ir para o colgio interno, e pretendia dar-lhe muito carinho, para compensar todos os anos que se sentira s.
Ao v-lo chegar, saiu de casa correndo, beijou-o e segurou-lhe o brao para lev-lo para dentro de casa.
	Como vai? Quer um caf antes de partirmos?
	E melhor irmos j  disse ele, sorrindo.
Demoraram-se no restaurante da estrada onde pararam
para almoar e por isso j escurecia quando chegaram  manso dos Maitland, onde Farne nascera. Era um lugar suntuoso, e Karrie sentiu-se um pouco intimidada. Ante a necessidade de dizer algo, comentou:
	Linda casa.
	A sua tambm   sorriu Farne, segurando-lhe o brao e carregando sua sacola de viagem na outra mo.
Entraram na manso e, para surpresa de Karrie, Adele e Silas Maitland no eram como imaginara. Pensara que os pais de Farne fossem pessoas frias e com ar superior, entretanto a recepo foi bem calorosa.
	Minha querida  disse Adele, com ternura , comevamos a pensar que Farne ia ficar solteiro.
Karrie observou a senhora alta e elegante, que a beijou no rosto.
	Este  meu pai  disse Farne.
Silas Maitland era uma verso mais velha do filho.
	Farne disse que voc era linda  comentou ele, beijando o rosto de Karrie.  E no exagerou nada, garanto.
Depois disso, tudo correu de modo tranquilo. Farne conduziu-a escada acima para um quarto com p-direito alto, como os outros cmodos da casa, decorado com mveis e peas antigas e uma cama de casal.
	 o meu quarto  explicou.  Achamos que ficar bem instalada aqui.  Ante o olhar desconfiado de Karrie, tratou de acrescentar:  Costuma ser o meu quarto, mas como tem banheiro privativo, minha me me expulsou para o dormitrio ao lado, durante o fim de semana.
Karrie sorriu, prometendo a si mesma que seria muito carinhosa com o noivo naqueles dois dias. Embora, depois de conhecer os futuros sogros, achasse difcil no terem dado amor ao filho, quando criana.
	Quero um abrao, Farne...
	Seu desejo  uma ordem  replicou ele com meiguice, tomando-a nos braos e fazendo-a desejar ficar ali para o resto da vida.
Mas antes que Karrie tivesse tempo de dizer alguma coisa, Farne afastou-se de modo brusco, dizendo que precisava buscar sua mala no carro.
Suspirando, Karrie abriu a sacola e retirou o elegante vestido de jrsei azul-escuro que planejava usar no jantar daquela noite. Tudo era muito tranquilo por ali, e os pais de Farne pareciam dar-se muito bem. Parecia haver uma aura de ternura  volta deles, e Karrie concluiu que o casal nunca brigava.
O jantar foi agradvel, com o sr. e a sra. Maitland fazendo tudo para agradar Karrie. Conversaram sobre assuntos variados, e Farne contou aos pais que jantara com os Dalton na segunda-feira.
	Se conheo bem o meu filho  disse Silas , em breve a levar ao altar.
Karrie levou um susto. At aquele momento, no pensara no casamento em termos concretos. Imaginara que ficariam noivos por um ano ou mais, como acontecia com a maioria das pessoas que conhecia. Antes que pudesse se recuperar da surpresa, Farne falou:
	Tem razo, papai.  E, para espanto de Karrie, acrescentou:  Vamos nos casar ainda este ms.
Faltavam dez dias para o ms terminar! Karrie sentiu todos os olhares pousados em seu rosto, sem saber o que dizer. O instinto simplesmente lhe disse para apoiar o noivo.
Bem... sim  murmurou, sem conseguir dizer mais nada.
Mas pareceu o suficiente porque Farne a brindou com um amplo sorriso, e Silas foi buscar uma garrafa de champanhe para comemorar. Em seguida, Farne anunciou que, na segun-da-feira, comearia a tomar as providncias para o casamento. Depois do jantar, os pais de Farne se recolheram.
	Como previa, meus pais adoraram voc, querida.
	Tambm gostei muito deles.
Subiram a escada juntos, Farne beijou-a de leve e desejou boa noite.
Karrie ficou acordada durante um longo tempo, imaginando que, dentro de dez dias, seria a sra. Farne Maitland!
Farne controlava suas demonstraes de carinho, mas tudo indicava que gostava dela e que se dariam bem. Ambos tinham senso de humor, gostavam das mesmas coisas e pensavam igual sobre quase tudo.
Alm disso, a qumica sexual era forte entre os dois, apesar de Farne nunca mais ter insistido em carcias mais ousadas.
Por fim Karrie adormeceu, e acordou mais tarde que de costume. Bocejou e se espreguiou, desejando que o dono daquela cama estivesse ali, naquele instante.
Foi tomar banho, cantarolando, feliz. Voltou para o quarto, vestiu a calcinha e o suti, e ento a porta se abriu.
Karrie tentou cobrir-se com as mos, o rosto vermelho de vergonha, enquanto Farne permanecia imvel, na porta do quarto. Depois de um momento ele fechou a porta e tomou-a nos braos.
	Est tremendo...
	Sei disso, e sinto-me ridcula. Voc me ama, querido?
O tempo pareceu parar. Ento, de maneira casual, ele respondeu:
	Pare de tremer. Vou ficar de costas para voc se vestir.
Karrie riu.
	Por que entrou aqui?
	Fui dar um passeio e, quando voltei, esqueci por completo que este quarto no era meu neste fim de semana. Quer me dar um beijo?
Karrie obedeceu, e Farne inclinou a cabea, beijando-a no pescoo e nos ombros, fazendo-a vibrar de desejo. De sbito, afastou-se e saiu do quarto.
O resto do fim de semana transcorreu com tranquilidade, e quando Farne estacionou em frente  casa dos Dalton, Karrie convidou-o a entrar.
	Vai ficar aborrecida se eu no aceitar? Tenho uns papis para estudar ainda hoje.
	Tudo bem. Adorei conhecer seus pais.
 E melhor avisar Gordon Lane que vai deixar o emprego.
	Vou?
	Vamos casar, lembra-se? E seu marido vai lev-la em uma longa lua-de-mel.
	Certo. Entregarei minha carta de demisso.
	No vai se arrepender.
Quando Bernard e Margery voltaram de um passeio, mais tarde, Karrie anunciou o casamento para dali a dez dias.
	De jeito nenhum!  replicou Margery.  No quero que minha filha tenha um casamento apressado! Casei-me assim, e no pude convidar nenhum membro de minha famlia. Probo que isso acontea com voc. Vai usar um lindo vestido branco, Jan ser sua dama de honra e...
	Mas nada impede isso, mame.
	Sim, mas quero um casamento maravilhoso, e isso requer uns seis meses de planejamento.
Karrie no conseguiu argumentar, sabendo como a me ficara traumatizada com o casamento apressado que tivera de realizar. Mas no queria esperar!
	Acho que vou telefonar para Farne.
Foi para o quarto e procurou o carto na bolsa.
	Maitland  atendeu a voz inconfundvel.
	Sou eu...
	O que houve?
	Desculpe interromper seu trabalho...
	Algum problema?
	Mais ou menos... Preferi telefonar hoje. Queria dizer para no marcar ainda a data do casamento.
Houve silncio do outro lado da linha, antes de Farne perguntar:
	Por qu?
	Contei  minha me sobre nossos planos, mas ela quer planejar o casamento com calma, para que tudo seja perfeito.
	Voc tem vinte e dois anos, Karrie  lembrou Farne.
	Sei disso, mas minha me gostaria que meu casamento fosse mais elaborado.
	Ora!
	...E isso deve levar uns seis meses...
	Seis meses! Vou ver se encontro uma brecha na minha
agenda para daqui a seis meses!
Karrie sentiu uma sbita onda de raiva e gritou, sem pensar:
	Ento faa isso!  E desligou.
Minutos depois sentia-se em frangalhos. Ser que todos os outros casais de noivos passavam pelos mesmos problemas?
CAPITULO VI

Karrie dormiu mal e levantou-se na manh seguinte perguntando-se como um fim de semana to perfeito pudera terminar de modo to desastroso. Estava to feliz e, quando fora se deitar para dormir, soluava sem parar.
	Farne concordou com a mudana da data do casamento?  perguntou Margery, quando ela entrou na cozinha.
	Ele... vai consultar a agenda.
Margery Dalton sorriu.
	Ver que tenho razo, querida. Passei a noite acordadapreparando listas e... h tanto a fazer! Um bom bufe, fotografos, vestidos, convites... Alis, vou precisar da lista de convidados de Farne, e...
Quando Karrie entrou no carro para ir trabalhar, sua cabea rodava. Comeava a achar que um casamento dentro de dez dias, s com os parentes mais prximos, amigos mais chegados e um caf da manh em seguida seria maravilhoso.
Ela passou o dia mergulhada numa tristeza profunda, porm,  noite, ao atender o telefone e ouvir a voz bem-hu-morada de Farne, animou-se.
	Passou a zanga?
	Passou.  Ela sorriu.
	O reverendo Thompson tem um horrio daqui a oito semanas.
	O padre da minha parquia? Ento, voc concordou em adiar o casamento...
	E minha secretria conseguiu contratar o Bufe Dawson's. Eles concordaram em nos encaixar, desde que seja para, no mximo, cem pessoas.
Dawson's! Karrie sabia que era o bufe mais caro da regio.
	Minha me vai ficar encantada.
	S por causa disso?  perguntou Farne com voz inocente.  Acho que vou at a para v-la.
Ele chegou uma hora depois, e Margery o recebeu com um protesto bem-humorado.
	No permito que tenha a despesa do bufe, meu querido! Isso  obrigao do pai da noiva! Quero que o casamento da minha filha seja o mais tradicional possvel.
Farne olhou para Karrie, sorrindo.
	Tudo bem, Margery, se isso a deixa feliz...
Durante o ms que se seguiu, Karrie e Farne quase no se viram, pois ele estava sempre muito ocupado. As poucas vezes em que ficavam a ss, ele logo tinha que ir embora, s pressas, por causa de algum compromisso urgente.
	Comporte-se  brincava ele, beliscando o queixo de Karrie, ao despedir-se.
A escolha do vestido estava sendo um problema, porque Karrie no conseguia se decidir.
	Precisa escolher um  dizia Margery.  O tempo voa.
Karrie acabou escolhendo um modelo mais para agradar a me do que  si mesma.
Num fim de semana, os pais de Farne foram a Londres, e as duas famlias se encontraram para jantar. Tudo transcorreu bem, entretanto no se passava um dia sem que os pais de Karrie discutissem. Bernard achava que havia convidados demais, e Margery insistia que queria o melhor para a filha.
Oh! Como Karrie ansiava pela proteo dos braos de Farne! Mas ele raramente estava por perto. Quando se viam, Karrie mal aproveitava o encontro, pois ele parecia estar sempre com pressa. O que acontecera com o desejo ardente que Farne demonstrara quando a pedira em casamento?
Era sbado, e faltavam quatro semanas para o dia da cerimnia. Karrie, que no via Farne desde o sbado anterior, comeava a se sentir aborrecida pelo fato de nunca estarem juntos. Apesar de tambm viver muito ocupada, sabia que sempre encontraria tempo para ver o homem que amava.
Quando Farne telefonou naquela noite convidando-a para jantar, resolveu dar-lhe o troco e respondeu com frieza:
	Hoje no. Estou exausta.
	Nervosa com a chegada do casamento? Vamos jantar amanh?
	Claro...
Na noite seguinte conversaram bastante no restaurante, e Karrie sentiu-se feliz e orgulhosa por ser vista na companhia de um homem to bonito e elegante.
	Entregou sua carta de demisso?  perguntou Farne quando tomavam caf.
	Sairei na quinta feira, daqui a trs semanas.
	No prefere antes?
	Minha me tem trabalhado muito nos preparativos, est comeando a ficar irritada e...
	Voc prefere no estar por perto durante o dia?
De novo Karrie pensou como ele a entendia bem. Mas, ao voltarem para casa, inadvertidamente disse algo que no devia. Estavam conversando sobre os convites e as pessoas que j haviam confirmado a presena na recepo.
	Travis j confirmou.
A expresso de Farne ficou sombria.
	No sabia que pretendia convid-lo. Convidou todos os seus ex-namorados?
	Infelizmente s tenho direito a cinquenta convites!  replicou Karrie, furiosa.  E suponho que no pretende entrar um pouco agora, pretende?
	Tenho muito trabalho a fazer!
Com essas palavras, Farne voltou para o carro e arrancou velozmente.
Naquele exato momento, sem motivo aparente, trs palavras surgiram na mente de Karrie, fazendo-a estremecer: "viciado em trabalho"!
Oh, no... Farne era igual a seu pai!
Ela teve dificuldade para dormir, naquela noite. Gostaria de no ter se desentendido com o noivo daquela maneira. Queria casar com Farne mais do que tudo na vida, mas as dvidas comeavam a assalt-la. Tentou parar de pensar. Afinal, todas as noivas ficavam nervosas, no?
No dia seguinte sentiu uma necessidade desesperada de falar com Farne, e mal pde esperar para chegar em casa do escritrio e telefonar.
	Querido, sou eu.
	Problemas?  disparou ele.
	No... Queria apenas pedir desculpas por ter perdido a pacincia ontem. Estou uma pilha de nervos!
	Ora, meu bem... No h motivo para isso!
	Eu sei  choramingou Karrie.
	Precisa espairecer mais... Ser que no sbado sua prima estar livre para sairmos? Quero apresent-la ao meu padrinho de casamento. E gostaria que sassemos juntos amanh para que conhea alguns amigos meus.
Karrie mal podia acreditar que iria v-lo no dia seguinte!
Ian e Ursula Fields eram pessoas muito agradveis, e Karrie adorou conhec-los. Quando Farne levou Karrie para casa, avisou que outros amigos viriam a Londres na quin-ta-feira, e que poderiam sair de novo.
Karrie tambm simpatizou com os amigos que Farne lhe apresentou naquele dia, e no sbado saram com Jan e Ned Haywood, o padrinho. Ned era divorciado e deu-se muito bem com Jan. Quando props que voltassem a se encontrar os quatro para ir ao teatro na tera-feira, Karrie concordou com entusiasmo.
Mas a tempestade estava para desabar. Para comear, Karrie j no suportava o clima em casa, com a me agitada o tempo todo e sempre brigando com o marido. Pela milionsima vez, Karrie jurou nunca ter um casamento como aquele.
Deveria encontrar-se com Farne na quinta-feira, mas ele ligou cancelando porque tinha que trabalhar. O termo "viciado em trabalho" voltou a atormentar Karrie.
Ela disse a si mesma que estava exagerando. Afinal, iria v-lo na sexta-feira! Fame ofereceria um jantar em sua casa para que ela conhecesse mais alguns de seus amigos. Ned e Jan tinham sido convidados tambm. E, alm de tudo, Farne j avisara que iria tirar algumas semanas de frias para a lua-de-mel...
Mas pensamentos sombrios voltaram a preocup-la. Farne demonstrara paixo algumas vezes, mas no o suficiente a ponto de perder a cabea. Por muitas ocasies tinham tido oportunidade de ficar a ss e trocar algumas carcias, mas ele sempre adotava uma atitude distante.
Karrie foi trabalhar na sexta-feira repetindo para si mesma que tudo daria certo, e correu para casa,  tarde, a fim de tomar banho e se preparar. Dissera a Farne que iria com seu carro, mas ele insistira em lhe mandar um motorista, j que no sabia, sendo o anfitrio, se poderia lev-la de volta.
Karrie chegou  casa de Farne pouco depois das sete horas.
	Deslumbrante!  exclamou ele ao abrir a porta, vendo-a com um vestido vermelho, curto e de alas.
	Voc tambm est lindo.
	Vamos entrar, querida. O pessoal do bufe j est preparando tudo na cozinha.
Entraram na sala de jantar onde a mesa estava posta para doze pessoas.
	Quer um drinque?
Karrie aceitou e Farne preparou uma dose de usque com bastante gelo. Mal comearam a beber quando a campainha tocou.
	Os primeiros convidados chegaram  disse Farne.
A noite transcorreu bem. Karrie gostou dos amigos de Farne e percebeu que a consideravam a anfitri. Fez questo de conversar com todos e de se mostrar alegre.
Deu um jeito para ficar um pouco mais na companhia da prima e planejar as compras que fariam no dia seguinte. O sbado parecia ser o nico dia livre para compras e provas de vestidos.
Aps o jantar, o pessoal do bufe arrumou tudo e partiu. Karrie relanceou um olhar para a jovem morena chamada Eleanor, com quem Farne conversava havia j um certo tempo. Depois voltou a se concentrar na conversa do homem sentado a seu lado, Vaugham Greeen, que falava com entusiasmo sobre uma recente viagem ao Peru.
	Voou sobre as marcas de Nazca?  perguntou Karrie, encorajando-o.
Ouvira falar das misteriosas marcas no solo do deserto peruano, e gostaria de saber mais a respeito.
	E o nico modo de v-las e,  claro, fui a Cuzco tambm.
	A capital do imprio ina  murmurou Karrie.
Por nada no mundo voltaria a olhar na direo de Farne e da morena! Continuou a conversar com Green at que um casal se aproximou para se despedir. Logo em seguida os outros convidados fizeram o mesmo. Ned e Jan foram os ltimos a ir embora.
	Se no a vir antes, tenho certeza de que nos veremos na igreja  brincou Ned.
	E eu a encontrarei amanh, s nove e meia, no esta cionamento  lembrou Jan.
Depois que todos saram, a casa pareceu mergulhar num sbito silncio, em contraste com o burburinho anterior.
Farne fechou a porta e, ao voltar-se para Karrie, ela viu, estupefata, uma expresso de raiva no rosto msculo.
	Lembrou-se, por acaso, que estamos noivos?  rugiu ele.
Por um momento, Karrie olhou para ele, perplexa. Depois ocorreu-lhe que, provavelmente ele se referia  sua longa conversa com Vaugham Green.
	E voc, se lembrou?  rebateu.  A conversa com Eleanor estava interessante?
Sem mais uma palavra, subiu a escada para pegar a bolsa e o casaco que Farne guardara no quarto. Esperara tanto para ficar sozinha com Farne e ele quase lhe avanava na jugular! Quem ele pensava que era? Que direito tinha de trat-la daquela maneira, como se ela tivesse cometido uma infidelidade?
	Explique-se!  sibilou Farne, indo atrs dela.
	Ora, me deixe...  Karrie pegou a bolsa e o casaco e caminhou em direo  porta.
Quando Farne a segurou pelo brao, Karrie tentou livrar-se, mas caiu deitada na cama. Tentou sentar-se, mas ele a manteve naquela posio. Encarou-o com um olhar furioso e, para sua surpresa, viu um sorriso se esboar nos lbios de Farne.
	A senhorita me d muito trabalho.
	Recuso-me a ser acusada injustamente!
	E eu tambm!
	Farne, voc  frio e insensvel!
Sem nada responder, ele se ergueu, tirou os sapatos, o palet e a gravata e deitou-se ao lado de Karrie. O corao dela disparou diante daquela atitude inesperada. Os lbios de Farne pressionaram os seus, no com delicadeza, mas com violncia, e Karrie sentiu a raiva se dissipar, substituda por uma intensa alegria.
Farne percebeu que ela se entregava s carcias sem reservas. Interrompendo os beijos com brusquido, afastou-se, sentando-se na cama e encarando-a.
	Acho que... esta no foi uma boa ideia.
	Talvez tenha razo...  redarguiu Karrie com suavidade, sem resistir e tocando-o nos lbios.
Ergueu o olhar, desejando que Farne entendesse que ela ansiava por seus beijos e seu carinho. Talvez Farne tivesse compreendido, porque deixou escapar um gemido rouco e voltou a se deitar na cama, como se no conseguisse mais se controlar. Enlaou-a nos braos e beijou-a na boca e no pescoo. Baixou uma das alas do vestido e tocou-lhe o ombro com os lbios quentes.
Karrie apertou o corpo contra o dele, adorando cada instante. Tinha vontade de gritar o nome de Farne, mas temia quebrar o encanto. Beijou-o nos olhos e nos lbios outra vez, consumida pelo fogo da paixo. Naquele instante s sabia que desejava o homem que amava.
Meu amor  sussurrou Farne.
Com dedos experientes, baixou o zper do vestido, despindo-a, sem parar de beij-la. Com gestos carinhosos, afagou-lhe o corpo, as mos fortes buscando os seios tmidos, fazendo-a gemer de prazer. Sem saber como, Karrie se deu conta de que estavam ambos quase sem roupa. Sentia-se perdida em um turbilho de sensaes. Seu amor a fazia sentir que aquilo no era errado. Apertou os seios de encontro ao trax firme e ouviu Farne gemer, cheio de paixo. A mo dele penetrou dentro de sua calcinha, acariciando-a, e tudo que Karrie queria era ficar ali a noite inteira, fazendo amor. A boca e a lngua vorazes comearam a traar crculos sobre cada seio e o ventre, at atingirem o umbigo.
E.. de repente, Farne parou, fazendo-a desejar gritar para que continuasse e que a deixasse ficar ali a seu lado.
Permaneceram juntos, quietos, e Karrie sentiu que Farne lutava com todas as foras para se controlar, porm, por que fazer isso se ela o desejava mais do que tudo na vida?
	Prometa-me uma coisa, querido.
	O qu?
	Que sempre terminaremos nossas discusses assim.
Farne soltou uma risada e Karrie soube que o momento de magia terminara.
	E melhor ir para casa.
Farne concordou, sentando-se e enfiando a cala.
	Sim. No deve se atrasar para as compras amanh. Vou buscar o carro enquanto se veste, e dispensar o motorista.
Recolheu as outras peas de roupa e saiu do quarto sem olhar para trs.

CAPITULO VII

Enquanto dirigia para ir ao encontro da prima, Karrie relembrava os acontecimentos da noite anterior. Sozinha no carro, sentindo o ar frio da manh, mal conseguia acreditar que tudo aquilo acontecera de verdade. Desejara passar a noite com ele! Se isso tivesse acontecido, como estaria se sentindo agora?
O que a fizera pensar que jamais se entregaria a um homem antes do casamento? O que a fizera ter aquela ideia preconcebida de evitar que algum a acusasse de armar uma cilada para se casar? E aonde tinham ido parar seus conceitos? Onde estava sua autoconfiana, sua determinao? Tudo isso voara pela janela.
A verdade pura e simples era que, at ento, no tivera motivos para abandonar suas convices. Nunca se apaixonara. Mas o amor a deixara frgil e sujeita s tentaes. Apenas Farne a impedira de se entregar por completo.
Enquanto ela perdera eompletamente a noo das convenincias, Farne mantivera o sangue-frio. Era bvio que seu desejo no fora assim to avassalador.
Karrie dirigia com o corao apertado. Amava Farne com loucura, mas... ser que esse amor era correspondido com . a mesma intensidade? Ser que seria feliz quando viesse a descobrir que, afinal, no era o grande amor da vida de Farne? Ser que ele a magoaria?
Karrie deixou as dvidas momentaneamente de lado quando entrou no estacionamento do shopping center, parando o carro na vaga ao lado da de Jan, que acabara de chegar. Ia fazer compras para o seu enxoval, e precisava tentar manter o pensamento positivo.
Durante toda a manh, andaram de loja em loja, pararam para tomar um saboroso caf com creme, subiram e desceram escadas rolantes, foram at o estacionamento guardar dezenas de sacolas no porta-malas do carro de Karrie, voltaram para almoar e fizeram mais algumas compras.
Por volta das quatro horas da tarde, quando j comeavam a pensar em encerrar o dia, Karrie estacou subitamente diante de uma vitrine. Bem no centro, encontrava-se o vestido de noiva mais lindo que ela j vira na vida. Imediatamente Karrie viu-se dentro dele. Tinha o corpete justo, todo bordado com prolas, sem mangas e com decote redondo. Dos quadris descia uma saia de chiffon. Acompanhavam uma tiara de prolas e um vu de tule.
	Oh, Jan!  murmurou, extasiada.
	 lindo  concordou a prima, tambm encantada.
Karrie engoliu em seco.
	Mame vai me matar!
	E se ela no fizer isso, o tio Bernard vai, com certeza. Eles j compraram o seu vestido.
	Talvez esse no fique bem em mim...
	S h um jeito de descobrir.
Karrie nem pensou o que faria com o outro vestido, ao experimentar o traje de noiva que parecia ter feito sob medida para ela.
	 divino!  murmurou quando se olhou no espelho do provador.
	Oh, Karrie! Voc est linda!  exclamou Jan.  Nunca vi uma noiva to maravilhosa...
	Quanto custa?  Karrie perguntou  vendedora.
Engoliu em seco ao ouvir o preo. Uma vozinha interior dizia-lhe que valia a pena, pois, afinal, s se casava uma vez na vida, pelo menos um casamento como seria o dela, o casamento dos sonhos de toda moa, com o homem a quem amava. Por outro lado, o bom senso a alertava de que j tinha um vestido de noiva encomendado, e que no custara barato. Voltou a olhar-se no espelho, ouvindo as exclamaes enlevadas de Jan.
	Que beleza, Karrie!
Era indiscutvel que aquele vestido a tornava muito mais bonita que o outro. Parecia mais jovem, romntica, apaixonada... Sem hesitar nem mais um segundo, declarou:
	Vou lev-lo.
Jan aprovou a deciso, e as duas saram da loja mal conseguindo carregar tantas sacolas. Mas nem por um momento Karrie se arrependeu da deciso que tomara.
Entrou em casa eufrica, carregando as sacolas, e quando a me veio ao seu encontro, ela foi logo avisando:
	No fique zangada, eu mesma vou pagar.
	Ora, filhinha, que preocupao ...
	Comprei um vestido de noiva.
Margery ficou surpresa por um momento, porm, quando Karrie tirou desembalou o vestido, ficou aliviada ao observar a reao de aprovao da me.
	E deslumbrante, querida! Voc fez bem em compr-lo,  bem mais bonito que o outro. Vista-o, quero ver como fica em voc. Depois podemos pendur-lo no armrio do quarto de hspedes.
	O que acha?  perguntou Karrie, experimentando seu vestido preferido pela segunda vez no mesmo dia.
Pde ver a resposta nos olhos marejados da me.
	Querida, est uma beleza!  sussurrou Margery, emocionada.
Karrie, sentindo vontade de chorar tambm, voltou ao quarto, depois de pendurar o vestido com cuidado, e passou um sermo em si mesma. Talvez fosse normal uma noiva se sentir com os nervos  flor da pele, mas parecia estar sempre pulando da euforia para a mais completa tristeza, o tempo todo!
O telefone tocou, e ela atendeu na extenso da mesinha-de-cabeceira.
	Al?
	Como foram as compras?
A voz de Farne soou controlada e casual. Nem parecia que, na noite anterior, estivera semidespido, na cama, apaixonado e louco para possu-la.
Karrie sentiu um baque no corao. J conhecia o noivo o suficiente para saber que, se desejava ouvir sobre as compras pelo telefone, era porque no iria v-la.
	Muito bem  respondeu, esperando estar enganada. Afinal, era sbado  noite!
	Encontrou tudo que queria?
Quanto mais a conversa se prolongava, mais convencida Karrie ficava de que Farne tentava ser agradvel antes de revelar o verdadeiro motivo do telefonema.
	Poder me dar sua opinio daqui a duas semanas, Farne.
Caso ainda estivessem juntos, concluiu para si mesma. Oh, ser que tivera mesmo aquele pensamento terrvel?
Contrariada consigo mesma, Karrie chegou  concluso de que seu estado psicolgico estava abalado e que estava se deixando dominar pelas emoes.
	Importa-se se no sairmos hoje?  perguntou de repente, antes que Farne dissesse que. no poderiam se ver.
 Estou muito cansada.
Parecia que j estavam brigando, como faziam seus pais...
 To cansada assim?
Karrie comeou a pensar que fora precipitada, e que provavelmente Farne telefonara para combinar a que horas se encontrariam naquela noite. Porm o tom agressivo a ofendeu, quando ele continuou:
	Por acaso est me evitando?
	No seja bobo! Quase gastei a sola dos sapatos de tanto andar hoje, e comprei um vestido de noiva...
	J no tinha comprado um?
	No existe lgica nessas coisas!  Era impossvel explicar o que sentira ao ver o vestido bordado de prolas.  Mas se faz questo, podemos nos ver, se no se importar de olhar para o meu rosto exausto. A que horas?
E sentiu suas esperanas rurem, ao ouvir a resposta que temera desde o incio:
	Na verdade, Karrie, preciso viajar.
Karrie sentiu o corao afundar.
	V... Viajar?
	Estou indo para o aeroporto.
Karrie rezou para que no ele no estivesse indo para Milo. No, Milo era a cidade deles, dos dois juntos!
	Preciso ir para a Austrlia. Surgiu um compromisso de ltima hora, sinto muito.
	Austrlia! Ento vai ficar fora mais de um dia.
	Duas semanas  respondeu Farne.  Voltarei na sexta-feira  noite, na vspera do casamento.
Karrie sentiu um n na garganta.
	E... se o vo atrasar?
Ela entrava em pnico s de imaginar que Farne poderia no chegar a tempo.
	No se preocupe, no vai atrasar.  Ele fez uma pausa.  Est feliz, querida?
Karrie teve vontade de dar uma resposta irnica, mas conteve-se a tempo. No queria passar as duas semanas que antecederiam seu casamento com o corao pesado e a mente preocupada. Feliz porque voltaria a v-lo apenas algumas horas antes do casamento? Enquanto para Farne isso parecia ser a coisa mais natural do mundo? No, no estava apenas infeliz, mas completamente arrasada.
	Desculpe-me  respondeu, percebendo que Farne pressentira seu desnimo.  No queria parecer intolerante. E que...
j pensou se o bufe avisa que no vai poder preparar a recepo? Ou se houver algum imprevisto com o padre? O que farei?
	Qualquer problema, por menor que seja, telefone para Rachel, minha secretria. Ela  maravilhosa para solues de ltima hora.  E acrescentou com meiguice:  Mas tenho certeza que voc dar conta de tudo sem ajuda.
	Claro!  respondeu Karrie com voz animada, enquanto as lgrimas escorriam por seu rosto.  Faa uma boa viagem.
Tratou de desligar logo, antes que Farne a escutasse soluar. Preferia morrer a revelar-lhe como aquela viagem a deixara triste.
O domingo passou, montono e melanclico, assim como a segunda-feira. Karrie tentava manter-se animada, indo de vez em quando olhar o vestido pendurado no armrio do quarto de hspedes. A perspectiva de um telefonema de Farne tambm a alegrava.
Mas ele no telefonou e, na tera-feira, Karrie comeou a ficar irritada. Na quarta-feira, parou de ir contemplar o vestido. Naquele dia um silncio constrangedor abateu-se sobre a casa, depois que Margery e Bernard tiveram uma discusso violenta na qual Margery, pela primeira, ameaou se separar.
 Foi a ltima vez, Bernard Dalton!  ela gritara.  Vou procurar um advogado assim que Karrie se casar. Deveria ter me separado de voc h muitos anos! Alis, nunca deveria ter me casado!
Karrie deixara os dois gritando um com o outro, as vozes iradas atravessando as paredes do quarto. Sentia-se profundamente triste. Se a me admitia separar-se quela altura da vida, depois de tantos anos de problemas e sofrimento, era porque as coisas estavam" mal de verdade.
Karrie olhou pela janela do quarto, sem enxergar. Queria pensar em coisas alegres. A volta de Farne, o casamento... Ansiava pela certeza de que sua unio daria certo. Mas Farne estava na Austrlia e nem tinha tempo de pegar o telefone para saber como ela estava...
O fim de semana chegou sem que Farne desse sinal de vida. Ela foi buscar o primeiro vestido de noiva, que ficara pronto, e ao voltar para casa correu para verificar a secretria eletrnica. No havia mensagens.
Ficou desolada. No era possvel que Farne estivesse to ocupado que no pudesse tirar dois minutos para lhe telefonar!
Na tera-feira, faltando quatro dias para o casamento, e ainda sem notcias de Farne, Karrie voltou a pensar na expresso "viciado em trabalho". Lembrou-se das palavras de Farne sobre "negcios de ltima hora" e percebeu que sempre seria assim. De repente teve uma triste viso de seu futuro ao lado do marido sempre envolvido com o trabalho e sem nenhum tempo livre para ela. E o que aquilo lhe fazia lembrar? Mas no teria um casamento como o de seus pais! Preferia ficar solteira pelo resto da vida!
Quando foi dormir na tera-feira, j tinha srias dvidas se iria casar com Farne Maitland. Amava-o com desespero, mas o que seria de sua vida?
Mal o via agora, quando ainda era noiva... Como seria depois de casada? Ser que Farne tentaria domin-la do modo como Margery se queixava de Bernard? Ser que entrariam no mesmo crculo vicioso?
Karrie no queria o mesmo casamento dos pais nem a dor que isso acarretava. Se Farne lhe dedicasse metade do amor que sentia por ele, talvez houvesse uma sada. Mas apenas carinho e atrao no eram o suficiente.
Karrie ficou acordada grande parte da noite, a mente dando voltas. Farne a desejava, mas no a amava. E, mesmo assim, conseguia se dominar com facilidade. Karrie sabia muito bem que um homem podia desejar uma mulher sem am-la.
Levantou-se na manh seguinte com olheiras profundas, depois de um sono tumultuado e insatisfatrio. Sabia que chegara a hora da deciso.
A esperana que acalentara de que pela manh tudo pareceria melhor, desaparecera. Nada estava bem, e j no aguentava mais! Se Farne a amasse as coisas seriam diferentes. O que acontecia era que ele atingira uma idade em que o lgico era abandonar a vida de solteiro e assumir uma esposa.
Bem, de jeito nenhum pretendia ficar sentada em casa, no futuro, esperando que seu marido se lembrasse de vez em quando que tinha uma esposa! Jamais teria a mesma vida de sua me!
O pai j sara para o escritrio quando desceu. Assim que a viu, Margery perguntou:
 O que houve com voc? Parece que no pregou o olho a noite toda!
Karrie resolveu pr as cartas na mesa. 
 No posso me casar com Farne.        
A frase foi dita sem emoo, e teve a oportunidade de ver como sua me era maravilhosa. Sem gritos, lamrias, ou qualquer gesto histrico, Margery perguntou com brandura:
	Por qu, minha querida?
Mas Karrie no conseguiria dar a razo verdadeira. Como explicar a intuio de que o noivo no a amava? Incapaz de mentir, respondeu:
	Apenas no posso...
	Por certo pensou muito a respeito  comentou Margery, observando as olheiras profundas de Karrie.
	Sim.
	Muito bem. Vamos tomar caf.
Karrie no conseguiu comer nada, mas tomou um pouco de ch na companhia da me. Com voz trmula, disse:
	E melhor ligar para o escritrio, dizer que no vou trabalhar e que o casamento foi cancelado.
	No acha melhor conversar com Farne primeiro? Ou j conversou?
Karrie balanou a cabea com desnimo.
	Nem sei em que hotel ele est hospedado... e no quero perguntar  secretria!
	Bem, minha filha, se  esta a sua deciso, ningum pode interferir. Mas posso lhe pedir um favor? D-me algumas horas para pr as ideias em ordem.
	No h nada em que pensar, mame...
	Por favor, meu bem! No vou pression-la nem tentar faz-la mudar de ideia. Mas h tempo de sobra para cancelar tudo hoje  noite, quando voltar do trabalho.
Karrie no tinha certeza. Era quarta-feira, e o casamento estava marcado para o sbado. A seu ver, no havia "tempo de sobra". Porm, como sabia dos inmeros arranjos que Margery fizera para o grande dia, achou que lhe devia aquele favor.
	Est certo. Lamento, mame.
	Nem pense nisso! Agora, sugiro que v trabalhar, e...
	Acha que devo?
	No me disse ontem que com o surto de gripe, e Clia e Lucy de cama, sua chefe pediu-lhe uma ajuda extra?
	Sou uma fraca  murmurou Karrie.
	 uma jovem preocupada, isso sim. Mas ser bom manter-se atarefada e no pensar em Farne por algumas horas.
"Atarefada" era um termo fraco para o dia de trabalho que teve. Mas por mais que se movimentasse, Farne no lhe saa do pensamento. Karrie sentiu-se feliz por ter tanto o que fazer.
Porm, ao dirigir de volta para casa, sentia-se desesperada. Agora podia pensar livremente no noivo. Deveria ter tentado entrar em contato e discutir o assunto com ele mas., o que havia a discutir? O mero fato de no receber notcias j era motivo suficiente.
Mordeu o lbio, evitando chorar. Amava-o muito mas, como seu prprio pai, Farne nunca iria mudar as ideia sobre trabalho, e o casamento afundaria, transformando-a em uma mulher amarga que prejudicaria os filhos que viessem a ter com suas crises de depresso. S ela sabia dos pesadelos que tivera na infncia aps presenciar as brigas dos pais. No podia permitir que a histria se repetisse!
Ao chegar em casa, viu que o pai j estava l, o que era muito estranho.
	Contou ao papai?  perguntou a Margery, entrando na cozinha.
	Acho que podemos poup-lo por mais um dia. Entretanto, desde que ameacei me separar, ele est se esforando para vir mais cedo para casa. Chegou dizendo que gostaria de me levar ao teatro hoje.
	Que bom!  exclamou Karrie  A que pea vo assistir?
	Ora! Eu no vou!
	No?
	Se Bernard pensa que pode me negligenciar durante anos, ganhando dinheiro que nunca ter tempo de gastar, e depois me reconquistar com uma noite no teatro, est muito enganado!
	Ora, mame! No seja intransigente!
	Alm do mais, no vou deix-la sozinha quando est to preocupada e triste.
	 desnecessrio...
	 muito importante, querida.
	Mas de qualquer modo vou estar muito ocupada hoje  noite, telefonando para uma srie de pessoas para avisar que o casamento est cancelado e...
	Estive pensando a esse respeito, e j que Farne no est sabendo dessa sua deciso,  melhor apenas avisar que o casamento foi adiado  disse a me.
	Como assim? No pretendo...
	Sei disso, querida. Mas Farne deve ser o primeiro a tomar conhecimento da sua deciso. E como isso s poder ser feito na sexta-feira,  conveniente s dizermos que o casamento apenas foi adiado.
Margery estava certa, pensou Karrie.
	Tenho sido meio cabea-dura, no? Darei os telefonemas amanh de manh, e trabalharei at mais tarde para compensar.
	Posso fazer isso por voc  ofereceu-se Margery.
	No  preciso.
	Pode deixar, minha filha. S sero uns cinquenta telefonemas. E no se esquea que amanh  seu ltimo dia na Irving and Small. Procure se apresentar bem-disposta.
Karrie no discutiu mais. Beijou a me e subiu para o quarto. Sim, Margery tinha razo. Mas como iria trabalhar na Irving and Small? Ficaria tensa o tempo todo, esperando ver Farne surgir na porta para uma de suas visitas inesperadas. No, deixaria o emprego no dia seguinte conforme planejado, e na sexta-feira  noite telefonaria para Farne a cada meia hora, at que ele atendesse. Ento diria que desejava v-lo com urgncia. Iria de carro at sua casa e devolveria o anel de noivado. Diria que cometera um engano e que a me j comunicara que o enlace seria postergado. Se ele quisesse, poderiam em seguida dizer que o casamento fora cancelado por acordo mtuo, no havia problema.
Quando foi trabalhar na quinta-feira, Karrie no se sentia nada melhor aps ter tudo esquematizado em sua mente. Pedira  me que a deixasse telefonar para os pais de Farne  noite, mas no tinha a menor vontade de fazer isso. Tambm no queria enfrentar a hora do almoo naquele dia. Fora organizada uma festa de despedida com vrias pessoas do escritrio, mas todos ficariam falando sobre seu casamento,  claro, e no tinha certeza de conseguir aguentar a tortura.
Entretanto, a salvao veio na hora certa. Heather telefonou para avisar que torcera o pulso jogando tnis na noite anterior e ficaria ausente do trabalho por alguns dias.
	Sei que hoje  seu ltimo dia na Irving and Small, Karrie  disse Pauline Shaw pesarosa.  Mas conhece o servio de Heather melhor do que todos e... queria pedir-lhe o grande favor de ficar aqui na hora do almoo... Sei que planejou uma festa de despedida, mas...
	Conte comigo  tratou de responder Karrie toda sorridente, grata a Pauline por ser uma tbua de salvao  Alis, posso vir algumas horas amanh tambm, se for preciso.
De repente sentia um grande vazio interior ao antecipar uma sexta-feira sem mais trabalho.
	Oh! Que maravilha! Voc  um encanto, Karrie!
Naquela noite Karrie voltou para casa imaginando se algum dia conseguiria tirar Farne Maitland da cabea. Seus olhos lindos, o sorriso encantador... pareciam assombr-la a cada hora do dia.
Enquanto pensava que tomara a deciso certa viu que o pai chegara cedo em casa outra vez.
	Como foram as coisas?  perguntou  me, logo que a viu.
	Todos mostraram-se muito compreensivos, incluindo o padre. E no precisa ligar para os pais de Farne. Sua me me telefonou para saber se poderia ser de alguma ajuda nos preparativos finais, ento contei-lhe o que voc decidiu.
	A sra. Maitland...  Karrie gaguejou ante o nome que adoraria poder usar tambm.  Ela... ficou...
	Foi maravilhosa, muito compreensiva. Apenas um pouco aborrecida com o filho, mas...
	Ora! No quero que Fame seja culpado de nada!
Margery olhou de modo intenso para a filha, e Karrie compreendeu que acabara de se trair e revelar que ainda amava o noivo.
	Minha querida  sussurrou a me, estreitando-a nos braos.  No sei o que deu errado entre vocs dois, mas...
 Parou de falar, percebendo que ambas iriam irromper em lgrimas.  Seja como for  continuou, afastando-se
de Karrie , Adele Maitland no vai ficar mais aborrecida do que Farne assim que conversarem.
E isso seria no dia seguinte  noite ou no sbado de manh, pensou Karrie. Queria telefonar para Jan e conversar, mas tinha medo de fraquejar e cair no choro.
Dormiu melhor naquela noite, mas de pura exausto, e acordou com Farne no pensamento. Desejou ter sido menos orgulhosa e ter pedido  secretria um nmero de telefone para contato, mas j era muito tarde para isso. Naquele exato momento, Farne estava voando de volta para casa.
Foi trabalhar ainda usando o anel de noivado, havia muita gente prestando ateno em cada movimento que fazia, e algum logo daria pela falta da jia em seu dedo, e comeariam a especular e comentar. No estava disposta ainda a dar explicaes e desculpas. Mas tinha que se explicar com Farne.
Sentou-se  sua mesa, tentando concentrar-se no trabalho, mas foi tudo muito difcil. Naquela noite sabia que teria de enfrentar Farne, tirar do dedo o maravilhoso anel e devolv-lo, estivesse disposta ou no. Teria que dar uma explicao, e esse era o grande problema. No sabia o que iria dizer.
O sr. Lane veio at sua mesa, parou e sorriu.
	Estamos muito agradecidos por ter vindo hoje. Em especial por amanh ser um dia to importante em sua vida.
Karrie pensara em trabalhar at a uma hora, mas no sabia se aguentaria. Sentia-se como se fosse quebrar em pedacinhos a qualquer momento.
	O prazer  meu  retrucou, forando-se a sorrir.
O sr. Lane afastou-se, e Karrie tentou se controlar. No iria pensar em Farne e no encontro que teriam naquela noite. No podia pensar! Nahora que se seguiu, fez esforos desesperados para fechar a mente para qualquer assunto, a no ser o trabalho. Mas foi em vo.
Oh, cus, naquele exato momento Farne estava voltando, antecipando uma cerimnia de casamento no sbado... com ela, que no tinha uma msera desculpa para lhe dar. Como explicar que rio desejava mais aquele enlace?
De jeito nenhum alegaria que estava apaixonada e ele no e que uma unio baseada nesse desequilbrio s poderia resultar em desastre total. Mas... teria que dizer alguma coisa!
De sbito percebeu que algum estava junto  sua mesa. De modo automtico, imaginou que a pessoa passaria reto, mas isso no aconteceu.
Ergueu o olhar de modo interrogador, imaginando, de maneira vaga, que tratava-se de Darren. Mas no era ele.
Com o corao aos pulos, Karrie percebeu que teria que dar uma explicao ao noivo muito mais cedo do que imaginara!
	Farne!  exclamou com voz sufocada.
No podia ser ele! Devia estar tendo uma alucinao, ele ainda no chegara!
	Karrie  murmurou ele, parecendo mais alto do que nunca, ali parado, o olhar frio e penetrante.
	O que... est fazendo aqui?  gaguejou Karrie.
	Engraado voc perguntar  retrucou ele, com expresso sombria.  Uma histria muito estranha chegou aos meus ouvidos, e achei melhor antecipar meu vo e vir checar.
Karrie engoliu em seco. Com os pensamentos em redemoinho, percebeu que todos haviam parado de trabalhar e observavam a cena com curiosidade e expectativa.
	Bem... no  uma histria to estranha assim...  respondeu com toda a calma de que era capaz, vendo um
msculo latejar na tmpora de Farne.
	Entendo.
Mas Karrie sabia que ele no entendera nada e que no a deixaria se safar com facilidade daquela situao. Iria exigir uma explicao que ela no sabia como dar.
	Podemos discutir esse assunto em outro lugar, minha cara?
Karrie rezou intimamente para que algo ou algum a salvasse daquela situao. Tentara se preparar para aquele momento, mas com Farne ali na sua frente, em carne e osso, tudo parecia ainda mais difcil e complicado.
	No h muito o que conversar, e...
	Karrie, querida, a ltima vez que estivemos juntos, voc estava em meus braos e... gostando muito disso, se no me engano. Portanto temos muito o que conversar.  E enquanto ela ficava de todas as cores, imvel como uma esttua, Farne continuou:  Tnhamos ido para o segundo andar de minha casa, lembra-se? Estvamos, se bem me recordo...
Interrompeu-se ao ver Karrie pegar a bolsa e levantar-se de modo abrupto.
Farne a acompanhou, e Karrie sentiu que o odiava. Sabia, sem dvida alguma, que Farne estivera prestes a dizer, na frente de todo o mundo no escritrio, que estivera quase nua em sua cama. Como se isso no fosse mat-la de vergonha!
Ignorando os olhos arregalados e expresses boquiabertas de seus colegas de trabalho, Karrie saiu como um raio e, ao alcanar a porta de sada, Farne a abriu, deixando-a passar na frente.
Ela sabia que no haveria escapatria, e que ele seria impiedoso at saber a verdade. Farne queria entender o que acontecera naquelas dias em que estivera ausente. O olhar duro e perspicaz deixava claro que s aceitaria a verdade total. Karrie estava feliz por odi-lo. Era melhor que fosse assim, pois pressentia que tinha um rduo caminho pela frente para percorrer!

CAPITULO VIII

Karrie avistou o carro de Farne em frente ao porto principal da Irving and Small.
Continuou a caminhar, as emoes  flor da pele, o dio consumindo-a como um ferro em brasa.
	Vamos no meu carro  comandou Farne, agarrando-a pelo brao.
Karrie estacou, ao se sentir presa.
	Vou segui-lo  disse.  No  necessrio usar fora bruta!
Farne ignorou o comentrio e continuou a segur-la com firmeza. Karrie no queria sentir aquele toque que tanto desejara. Como ansiara estar nos braos dele nos ltimos quinze dias! A simples presso dos dedos fortes em sua pele a fazia fraquejar. Falou, em tom seco:
	Dou minha palavra que o seguirei.
	Tambm prometeu que se casaria comigo! Vamos no meu carro!  murmurou Farne por entre os dentes, no deixando margem para maiores discusses.
A cena atraiu a ateno das pessoas que saam do prdio, e Karrie percebeu que, mesmo que nunca mais voltasse a pr os ps na Irving and Small ou voltasse a ver o pessoal da empresa, era melhor fazer o que Farne lhe ordenava, para evitar comentrios.
Entrou no carro em silncio, e Farne ligou o motor. Sem uma palavra, ele manobrou e atravessou o porto da Irving and Small. Karrie estava to surpresa com tudo que acontecera nos ltimos minutos que no conseguia raciocinar direito.
J percebera que Farne estava indo para a casa dele e sentiu medo. Sabia que no estava sendo racional, mas, embora fosse exatamente o que planejara fazer, a ltima coisa que queria naquele momento era ir para a casa de Farne.
Com o canto do olho observou Farne. A expresso dele era sria e determinada. Oh, ele queria saber por que ela o estava abandonando, e o motivo era porque o amava demais para se casar! Quem entenderia?
Quando chegaram, Farne ajudou-a a descer do carro. Karrie seguiu-o para dentro da casa, sabendo que seria intil protestar. Se fizesse isso, tornaria as coisas ainda mais difceis.
	Sente-se  disse Farne em tom de comando, quando entraram na sala de estar.
Karrie obedeceu, trmula. Com a boca seca, conseguiu pronunciar as palavras fatdicas:
	No vou me casar com voc!
Ele a fitou por alguns segundos, com uma expresso indecifrvel no rosto, antes de falar.
- Seria muito indiscreto da minha parte perguntar por qu?
Aquilo deu a Karrie um pouco de coragem. Como ele era sarcstico! Tentou ganhar tempo e perguntou:
	Como soube? Entrou no escritrio sabendo da minha resoluo.
	Rachel me contou.
	Sua secretria? Mas como ela soube?
	Antes de voltar da Austrlia, pedi para Rachel telefonar para sua casa e saber se poderia ajudar em algo.
Ento sua me contou que tudo fora cancelado e que no haveria mais casamento.
Cancelado! Mas... haviam combinado dizer que era um adiamento! Karrie ficou pensando por que sua me dissera aquilo para Rachel, e concluiu que ela quisera apressar a volta de Farne.
	Ento Rachel telefonou para voc e... Ora! No pode ser! No poderia chegar da Austrlia antes de hoje  noite!
	Voltei ontem  explicou Farne.  No queria correr o risco de chegar atrasado para meu prprio casamento. Como fui idiota!  Encarou-a com frieza.  Deveria ter me contado sobre sua deciso antes!
	Teria feito isso se soubesse onde encontr-lo!
	E quando decidiu?
	Na tera-feira  noite... no, na quarta de manh 	falou Karrie, mais calma.  No foi uma deciso fcil, pode crer.
A expresso de Farne suavizou-se, e isso foi mais ameaador que seu olhar gelado e o tom de voz duro de minutos atrs.
	No foi?  sibilou ele.
	Tambm no foi uma deciso impulsiva  disse devagar.  Isso me consumiu muitas horas.
Farne apoiou, um cotovelo no joelho e esfregou a testa.
	Lamento que tenha passado por tantos aborrecimentos 	falou em tom compreensivo.  No queria isso, mas...
preciso saber o que a fez mudar de ideia. ... importante para mim, Karrie. 
Ela desejava muito poder ser sincera, mas tinha medo da reao de Farne.
	Eu... lamento...  A voz de Karrie tremeu e ela engoliu em seco para no chorar.
	Karrie, querida!  Farne segurou uma mo dela entre as suas.  Logo que a conheci achei que tinha... como dizer...
medo de sexo.
Karrie o encarou, surpresa. Medo de sexo! Farne continuou:
	Disse que no queria perder a virgindade antes do casamento, e no a forcei. Nem a questionei a respeito. Mas
achei que voc gostava que eu a beijasse e que, com pacincia e compreenso, conseguiria faz-la gostar da nossa vida sexual depois do casamento.  Ele fez uma pausa, olhando para a expresso aturdida de Karrie, e prosseguiu.  H duas se
manas, aqui, no andar de cima, em um dos quartos, tivemos momentos de grande intimidade, e pensei, ante a sua reao, que no teria problemas maiores, alm de uma timidez natural da sua parte, no incio. Mas, meu bem, ser que entendi mal? Se ficou ofendida ou magoada, tenho certeza que...
	No, Farne!
Retirou a mo, apressada. Ele estava sendo to maravilhoso! Karrie no o julgara capaz de tamanha sensibilidade e delicadeza.
	No?
Karrie comeou a entrar em pnico. Sabia que chegara a hora de uma explicao plausvel. Sabia que Farne esperava sinceridade.
	No tenho nenhuma... preveno contra o sexo  comeou, enrubescendo.
Engoliu em seco e continuou:
	E verdade que no queria ter relaes sexuais antes de casar...  Interrompeu-se, e murmurou, um tanto exasperada.  Isso no... est sendo fcil.
	No h pressa  encorajou Farne.  E se pensasse que o sexo nada teve a ver com sua deciso, no a pressionaria mais. Entretanto, quero saber a verdade. Diga-me, Karrie, com suas prprias palavras, por que  to importante seguir a tradio e usar branco no dia do casamento?
	Acho que... em parte  uma questo pessoal, e tambm tem a ver com o modo como fui educada.
	Sim?  encorajou ele.
	Eu nunca... mencionei isso porque seria como trair a confiana de minha me, mas meu pai sempre foi um homem ligado ao dever e... casou-se com ela quando soube que estava grvida.
	De voc?
Karrie balanou a cabea em negativa.
	Mame perdeu o beb uma semana depois do casamento e meu pai jamais a perdoou. Achou que ela o tinha induzido a se casar.
	Ento, voc decidiu que no passaria por isso.
	Prometi a mim mesma que nenhum homem me acusaria de t-lo induzido a casar-se comigo  replicou Karrie com orgulho.  E ser virgem nunca me incomodou, at... conhecer voc.
Farne no disse nada e Karrie prosseguiu:
	Eu nunca tinha tido um namoro srio  confessou.  E naquela noite, quando... ns... eu... bem, eu senti vontade de ficar aqui com voc.
	Gostaria de ter passado a noite aqui, comigo?
	Bem, sei que voc no queria isso. Foi bastante claro a esse respeito, mas...
- Querida! Entendeu tudo errado!  interrompeu Farne. Karrie arregalou os olhos.
	Verdade?
	Sim. Desejei-a tanto naquela noite... Tive que usar de uma fora sobre-humana, quando voc deu a entender que as coisas estavam indo longe demais.
Se um raio a tivesse atingido naquele instante, Karrie no teria ficado mais estupefata. Karrie sussurrou quase sem voz:
	Voc... tambm queria?
	O que voc acha? Acha que no a desejo?
	Bem... sim, mas...
	Karrie, por que acha que fiquei duas semanas na Austrlia?
	Voc tinha compromissos de trabalho...
	Sim, mas no por duas semanas. Querida, depois do que aconteceu naquela noite, nada havia a fazer seno de saparecer por uns tempos. Quando demonstrou tanto abandono e paixo, percebi que seu problema no era inibio.
Pelo contrrio,  muito sensual...  Farne sorriu, tomou-lhe as mos, e Karrie no ofereceu resistncia.  Naquele instante percebi que era essencial para voc casar-se virgem. Resisti ao meu desejo e a levei para casa logo, s respirando
com calma depois que a vi s e salva, dentro de casa. E foi ento que achei que deveria me afastar por umas duas semanas.  Encarou-a com olhar brilhante.  Caso no saiba, tem poder para levar um homem  loucura.
	Verdade?  questionou Karrie num fio de voz.
	Sim. Eu percebi que o nico modo de fazer com que voc realizasse seu sonho seria me afastar at o dia do casamento.
Farne fizera tudo aquilo por ela, pensou Karrie. Viajara por sua causa! Ser que isso no significava que a amava? Um sorriso comeou a se formar em seus lbios.
Mas o outro grande problema persistia: Farne continuava sendo um viciado em trabalho. Retirou as mos de modo apressado, e arrancou o anel do dedo.
	 melhor ficar com isso  disse, estendendo-lhe a jia com gesto determinado.
	No!  trovejou Farne.  Terminando ou no o noivado, o anel  seu. Mas no chegaremos a esse ponto. Recuso-me a aceitar sua deciso sem um motivo slido e sensato. E at o momento voc no me deu nenhum.
Tomou o anel da mos de Karrie, e voltou a coloc-lo em seu dedo anular. Ela tentou blefar.
	J sabe o motivo.
	De jeito nenhum! Apenas concordamos que tentei preservar sua convices, e respeitei seu recato. Portanto, qual  o problema, Karrie?
Farne estava sendo implacvel e teimoso ao extremo. Karrie respirou fundo, tomando flego. O brilho nos olhos dele deixava claro que jamais desistiria de saber a verdade. E, afinal, devia mesmo uma resposta  altura. Sabia que chegariam quele ponto desde que tomara sua resoluo na quarta-feira. No andava quebrando a cabea, em busca de uma definio para seu gesto?
Mas, como arrumar um desculpa evitando a verdade? Era hora de falar.
No quero... o mesmo tipo de casamento de meus pais.
Farne continuava a observ-la de modo atento, absorvendo cada palavra, gesto e entonao de voz.
	O que h de errado com o casamento do sr. e da sra. Dalton?  perguntou com calma.
Era difcil para Karrie falar a respeito do pai e da me, mas amava Farne, e sabia que podia confiar nele.
	Nada, para quem observa de fora. Mas entre quatro paredes brigam constantemente.
	Por qu?
	Em geral, por bobagens. Como eu disse, meu pai sempre se ressentiu pelo fato de achar que minha me o induziu a se casar. Ela, por sua vez, se ressente com o fato de ele se dedicar quase que apenas ao trabalho, negligenciando-a e evitando uma vida social normal. Papai passa muito tempo fora de casa, trabalhando, de propsito.  Evitou o olhar de Farne.  Gritam e se agridem com palavras pelas coisas mais insignificantes.
	E acha que nosso casamento ser igual?  indagou Farne com voz compreensiva.
	No, porque no vamos nos casar. Recuso-me a ter a mesma vida de minha me, ou tornar-me amarga e infeliz como ela.
	No permitirei que isso acontea, Karrie  garantiu ele.
	J est acontecendo  redarguiu ela com voz magoada.
Porm ao erguer o rosto para o noivo, os grandes olhos castanhos revelaram seu amor. Incapaz de se conter, Farne inclinou-se para a frente e beijou-a no rosto,
	No fique triste, minha querida  disse com doura. 	Faremos as coisas certas, prometo. Diga-me, meu bem, o que  que est acontecendo de errado? Nada posso resolver se voc no esclarecer o que se passa em seu corao.
Karrie balanou a cabea, num gesto desanimado, evitando olh-lo de frente, e sentindo as lgrimas banharem seu rosto. Farne estava sendo compreensivo, e ela o adorava, mas no iria dar certo. Engoliu em seco, emocionada.
	A culpa no  sua,  minha. J estou ficando obcecada com a ideia de que trabalha demais e que tambm  um viciado na carreira e nos negcios.
	Acha mesmo?  Farne parecia sinceramente surpreso. 	Mas no sou  garantiu.  Admito que adoro trabalhar, porm no  o comeo e o fim de minha vida.  Pareceu hesitar um instante, e depois explicou.  Correndo o risco de voc no acreditar, devo dizer que a razo da minha vida ... voc.
Karrie no esperava ouvir aquela declarao. Olhou-o aturdida, sem saber o que dizer. Sentia um zumbido nos ouvidos e uma espcie de taquicardia. Ser que entendera bem o que Farne acabara de dizer? Que ele a considerava o bem mais precioso? No conseguia acreditar! E quando pde se acalmar, ainda no acreditava. Foi por causa da dvida que dardejou:
	Pois sim! Passa todos os momentos livres trabalhando,cancela encontros para ir a reunies de negcios, e...
Teria continuado se Farne no a interrompesse.
	Fao isso por voc!
Karrie no aceitou a desculpa.
	Como assim?  bradou, consciente de que jamais lhe pedira nada.
	Deixou bem claro que faz questo de subir ao altar pura e imaculada e, fora um ou dois episdios, sempre a respeitei, embora, muitas vezes, tenha me custado vrios
banhos frios, depois de nossos encontros! 
Karrie voltou a se sentir insegura.
	Est mentindo!  acusou.
A voz soou fraca e pouco convincente, mas Farne a levou a srio, adquirindo uma expresso severa.
	Tudo que estou dizendo hoje  verdade. As mentiras que disse, no passado, sobre ter que trabalhar e no poder sair com voc, foram ditas com o propsito de no cair em tentao. Mas agora isso acabou, Karrie.  Os olhos azuis no a deixavam um s instante.  Insisto que apenas digamos a verdade um para o outro, de hoje em diante.
Mas Karrie no estava convencida.
	E apenas voc quem mente, Farne. Fingindo ser dedicado a mim, quando o tempo todo me deixa sozinha e s pensa na carreira.
	No me dei conta de que se sentia negligenciada, querida.
	S negligenciada?  Karrie desejaria ficar quieta, mas no conseguia.  Tenho a impresso de que iremos para a cama, na lua-de-mel, com sua pasta de couro no meio! Mas no haver viagem de npcias. Lamento.
Todas as dvidas e angstias pareciam ter explodido incontrolavelmente de sua boca naquele instante. No pretendia ficar nem mais um minuto ali sentada. Levantou-se e dirigiu-se  porta. Mas deu apenas trs passos. A voz de Farne a deteve, cheia de angstia e medo.
	No v, Karrie... Fique!
O rosto de Farne estava plido. Karrie parou e olhou para ele, surpresa com a emoo que demonstrava.
	Quero que saiba o quanto voc...  importante para mim  disse ele, com voz doce.
Karrie queria ir embora, sabia que era a atitude mais sensata a tomar. Mas mesmo com a firme ideia de que Farne era de fato um homem que s pensava em trabalho e que nunca mudaria, desejava acreditar em suas palavras, porque o amava demais. Ao mesmo tempo, a possibilidade de ter um marido que era a cpia de seu pai a deixava desolada.
	Nunca disse que me amava  replicou com frieza, ansiosa para ir embora mas incapaz de se mover.
	Sente-se ao meu lado enquanto explico.
Subitamente, a necessidade de partir abandonou Karrie.
Farne a segurou pelo brao e conduziu-a, passiva e dcil, ao sof. Sentou-se ao lado dela e inclinou-se para a frente, falando com calma:
	Fui ao escritrio da Irving and Small h quase trs meses, em uma de minhas visitas de gerenciamento, para falar com Gordon Lane. Assim que entrei no departamento de compras e materiais, fiquei cego por uma nuvem brilhante de cabelos dourados.
Karrie o encarou surpresa.
	Uma tera-feira  murmurou, de modo automtico.
- Isso mesmo  concordou Farne.  E pensei comigo se o rosto daquele anjo loiro se compararia  beleza dos cabelos. Ento, voc se levantou e vi que me enganara, e que suas feies eram ainda mais lindas. Fiquei tomado pela emoo.
Karrie sentia-se derreter por dentro.
	Pensei que voc jamais me notaria se no tivssemos esbarrado um no outro, Farne...
	Sa da sala de Gordon Lane louco para falar com voc. Sua voz correspondeu  aparncia. "A filha do sr. e da sra. Dalton", como voc se apresentou, me conquistou imediatamente. Eu precisava me encontrar com voc fora do escritrio.
	E eu recusei...
	Disse que ia lavar os cabelos  lembrou Farne, rindo.  Mas no pretendia deixar as coisas acabarem ali. Consegui seu endereo, e fomos jantar.  Fez uma pausa.  Depois disso, minha vida mudou.
Karrie queria ouvir mais, muito mais. No conseguiu se conter.
	Como assim?
	Adorei sua companhia. Compreendi, antes de nos despedirmos naquela noite, que voc era especial. Fiquei ansioso para rev-la.
Karrie o fitou enlevada.
	 verdade?
	A mais pura verdade.
	Acho que... estou um pouco confusa.
	Mas nem se compara com a confuso que senti nos primeiros dias de nosso relacionamento  disse Farne.
	Oh, Farne...  Karrie sentia-se" embriagada pelas palavras dele.
 Ento, l estava eu, honesto como sempre fora at aquele momento, tendo deixado voc na noite anterior, sentindo-me nas nuvens e vulnervel, s pensando em rev-la logo...
Karrie engoliu em seco. Farne desejava absoluta honestidade entre os dois. Como conseguira esconder to bem seus sentimentos? Respirou fundo, e questionou:
	Estava mesmo desesperado por mim?
	Pode acreditar. No domingo passei de propsito na sua casa. Passara a noite toda imaginando um modo de convid-la para almoar.
	Estava toda suja de terra, trabalhando no jardim  lembrou Karrie com saudade.  E depois, junto ao rio, voc me beijou e....  Mordeu a lngua para no revelar que fora naquele exato instante que descobrira que o amava.  Depois voc se despediu do modo mais casual possvel.
	Ser que sou um ator to bom assim? Escondi muito bem o vulco dentro de mim. Posso beij-la? Faz tanto tempo...
Karrie comeava a sentir uma felicidade imensa prestes a explodir em seu ntimo. Desejava acreditar que Farne tambm a amava com paixo e que sofria tanto quanto ela, quando no se viam. E... tambm estava louca para beij-lo. Afinal, faziam quinze dias...
	Quero beij-lo tambm, mas ainda receio que o casamento no v dar certo.
	Venha c  disse Farne, enlaando-a nos braos.  Nada vai sair errado.
	Vai passar a vida toda me deixando sozinha...
	Claro que no! Se tivesse conhecido a histria do seu lar, teria procurado no cair em tentao de outra maneira, e no teria me afastado com o pretexto de trabalhar o tempo todo. Porque foi um pretexto, voc sabe.
Karrie o encarou, lisonjeada.
	Precisou mesmo inventar desculpas para no Ficar a ss comigo?
Farne afastou-se um pouco, mergulhando os olhos azuis nos dela.
	Querida, mal a conheci soube que a desejava como esposa. Porm tudo aconteceu to depressa...
	Pensei que tivesse ficado aborrecido por eu no ter aceitado me casar em dez dias.
	E ainda estou louco para casar sem demora! Pode imaginar agora como sofri ao pensar que teria de esperar seis meses para poder t-la em meus braos como minha mulher? Ainda bem que concordou com as oito semanas.
Sim, pensou Karrie. Farne escondera muito bem seus sentimentos. Com seu ar distante e impassvel, estivera to ansioso quanto ela para fazer amor.
	Sou humano, meu bem  continuou ele.  Apesar de, no incio, achar que voc tinha preveno contra o sexo, ansiava por possu-la, mas tinha medo de mago-la. Precisava respeitar seu desejo de casar-se virgem. Houve momentos em que pensei que iria enlouquecer. Portanto, percebi que, se desejasse continuar sendo um cavalheiro at o dia do casamento, teria de evitar situaes em que ficssemos a ss, e limitar as vezes que nos vamos. Karrie murmurou:
	Ento... foi de propsito que cancelou uma poro de encontros?
	Sim. Procurava sempre encontr-la em meio a outras pessoas e quando isso no era possvel, inventava que tinha trabalho. Veja, como no sabia a respeito do problema de seu pai e da infelicidade de Margery, sem querer inventei a pior desculpa possvel. Se no podia v-la sem outra companhia, ento era melhor evitar o sofrimento de no poder lev-la para a cama.
Karrie no acreditava que Farne passara por tudo aquilo e arquitetara tanta coisa!
	Portanto, devo concluir que voc no  um homem que adora trabalhar o tempo todo?
Farne sorriu.
	S adoro minha noiva. Amei-a desde a primeira noite em que samos juntos. Depois que a deixei em casa, fiquei muito tempo sentado no carro, sentindo sua ausncia e, de repente, minha vida pareceu muito vazia. Pensei que tinha enlouquecido! Mal a conhecia! Vi-a de novo no dia seguinte e beijei-a no rosto. Mas na verdade desejava estreit-la de encontro ao peito e implorar para que nunca mais visse o tal Travis!
	Travis nunca foi seu rival, querido  disse Karrie com voz trmula.
	Qualquer homem que tenha proposto casamento para voc  meu concorrente. Senti um cime terrvel! Tentei convencer-me de que ele no era importante em sua vida, seno voc no teria rompido um encontro para ficar comigo. Mas descobri que a lgica nada tem a ver com o amor. Agora que abri meu corao para voc, pode me culpar por ter evitado sua presena?
	 verdade mesmo que decidiu se casar comigo naquele primeiro domingo?
	Sim. Voc me enfeitiou, menina. Queria estar a seu lado cada minuto do dia.
Karrie acreditava. Uma nova confiana comeava a se instalar em seu corao. De repente soltou uma risada cristalina, de pura alegria.
	Vou beijar voc assim, Karrie, rindo...
	V em frente!
	E me dir o que sente por mim?
Karrie desejava saborear mais a surpresa de se saber to amada, e de sbito, sentia um grande embarao. Farne compreendeu.
	Tudo bem, meu amor. Falar quando sentir vontade. Porm...  Beijou-a no canto da boca.  Que seja em breve. S sei que desejei voc para minha companheira de toda a vida assim que a conheci. Confesso que me senti acuado.
Gostava de ser solteiro.
	At me conhecer nunca tinha pensado em se casar?
	No. E, em menos de uma semana, j estava planejando a cerimnia do nosso casamento! Quanta coisa aconteceu em poucos dias...
Karrie sorriu.
	Mas sempre dava um espao de dois dias para voltar a me ver...
	Quando retornei  Irving and Smali entrei em pnico, com medo de no encontr-la l. Mas ento a vi de costas, os cabelos loiros brilhando, e meu corao disparou. Voc  me ama, Karrie? Muito?
	Jamais... senti uma emoo to forte por ningum...
- Do tipo que consome por dentro?
	Isso mesmo, Farne.
	Venha c.
Karrie no precisou fazer muito esforo, porque o noivo apressou-se a tom-la nos braos outra vez. Olhou-a com paixo e carinho, certo, depois da conversa esclarecedora, de que ambos se amariam para todo o sempre. Beijou-a e Karrie correspondeu com fervor.
Mesmo sabendo que ela o amava, Farne pediu:
	Diga...
E, dessa vez, Karrie ouviu-se murmurando:
	Amo voc, de todo o corao, Farne Maitland. Amo muito!
E beijaram-se de novo, um beijo longo, maravilhoso e completo. Parecia que Farne no desejava libert-la de seus braos nunca mais. Depois de mais um momento abenoado, afastou-se e encarou-a, perguntando:
	Quando soube?
	No dia em que nos beijamos junto ao rio.
	Desde aquele momento?
Karrie riu.
	Que posso fazer se o acho irresistvel?
	Continue dizendo isso. No faz ideia do quanto preciso ouvir.
Karrie brindou-o com um sorriso encantador, sentindo que tambm desejava ouvi-lo dizer que a amava, sempre e sempre.
	Foi tudo to repentino, no, querido?  Riu de novo, e parecia que a felicidade era tanta que jamais pararia de sorrir. A alegria de saber e, por fim, acreditar no amor de Farne, era quase sufocante. Relembrou:
	Depois fomos para Milo, e...
	No me lembre daquela viagem!  cortou Farne.
	Mas foi fantstica! Aquele sbado...
	Foi especial  sorriu Farne.  Queria muitos outros dias como aquele com voc ao meu lado. Jamais saberei como permiti que fosse dormir sozinha no outro quarto, naquela noite. Mas tinha prometido  sua me...
	Qu?!!  exclamou Karrie.
Farne parecia no querer continuar a conversa, mas ela insistiu:
	Por favor, o que minha me teve a ver com... Acabei de sair de um estado de confuso mental, portanto no me faa entrar em outro!
	Amo voc...
Beijaram-se de novo e Karrie sentiu-se to enlevada que, por um instante, esqueceu-se da pergunta que fizera. Voltou a lembr-lo:
	E minha me?
	Milo. Voc telefonou para Rachel, minha secretria, e deixou um recado estranho sobre querer falar comigo mas sem muita urgncia... Rachel escreveu tudo que disse, e tive medo que fosse para me avisar de que no viajaramos juntos.
	Querido! Menti sobre o objetivo daquele telefonema.
	Disse-me que foi para avisar que conseguira a folga na sexta-feira. Mentiu?
Karrie respirou, tomando coragem. Como furtar-se  verdade quando era to amada?
- Fiquei pensando se... esperava que dormssemos juntos nessa viagem. De minha parte, isso nem me passara pela cabea, mas minha me ficou muito preocupada, disse que eu era ingnua, e...
	...Voc resolveu me telefonar para sondar minhas intenes.
	Pensei que talvez tivesse feito o convite com segundas intenes.
	Como voc  bobinha!  exclamou Farne, voltando a beij-la.
	Mas no precisei me preocupar, porque...
	Meu bem, convidei-a para ir a Milo porque desejava ficar ao seu lado muito tempo. Quando recebi seu recado, fui at sua casa...
	Na quinta- feira, quando sa?  quis saber Karrie.
	Sim, e voc estava com o maldito Travis.
	Adoro quando fica com cime...
	Toquei a campainha de sua casa e fui recebido por sua me, que parecia um bloco de gelo. Margery foi logo me dizendo que esperava que dormssemos em quartos se parados em Milo.
	Ela no fez isso!  disse Karrie com voz entrecortada, incrdula.
	Fez, sim  replicou Farne, achando graa.  E no se aborrea. Isso  passado. De qualquer modo, Margery
me disse que voc era uma boa garota e muito ingnua, e que esperava que eu a devolvesse intacta.
	Oh, Farne! Que vergonha! Sinto muito...
	No precisa. Voc  tudo isso que sua me falou, e ela s quis proteg-la. At aquele momento, sempre pensara que as mes no conheciam muito sobre as prprias filhas.
Entretanto, pensei, Margery Dalton seria minha sogra, e no pretendia decepcion-la. Dei-lhe minha palavra de hon
ra de que a respeitaria, e s Deus sabe como foi difcil manter a promessa naquela viagem.
As palavras se atropelavam na voz de Farne.
	Mame no me contou nada sobre sua visita nesse dia! E por isso que parecia to misteriosa.
	Queria proteg-la do lobo mau  riu Fame.
	E deu certo...
	Por um triz! Nem imagina o esforo que fiz para me manter afastado no outro quarto. Alm do fato de estar morto de cime por causa desse seu amigo. Portanto em vez de convid-la para ir a Milo como meu grande amor, Ievei-a como minha hspede.
Karrie lembrava-se muito bem de tudo.
	Oh, Farne!
	Sabia, depois da conversa com sua me, que deveria lev-la a um hotel, mas tinha muita vontade de estar em um ambiente bem ntimo s com voc, e ningum mais em volta.  Farne sorriu.  Da, passei duas noites infernais, dormindo no quarto ao lado, em um apartamento sozinho com a mulher que amava, e... bem, no domingo acordei aliviado por ter cumprido a palavra que empenhara com Margery. Porm cometi o erro de entrar na cozinha.  Fez uma pausa significativa.  Tomei-a nos braos, e s Deus sabe a fora que fiz para no lev-la para a cama!
	No!
	Sim,  verdade. Planejava voltar para Londres naquela tarde, mas depois dos beijos na cozinha, no aguentaria muito tempo a ss com voc. E tambm tinha medo de no me conter e pedi-la em casamento. Achei que era cedo demais. Todo meu controle emocional fora para o espao, e estava atormentado pelo cime. Quando desembarcamos, conclu que seria bom pr as ideias em ordem seno iria perd-la.
	E no lhe ocorreu que, se aceitei acompanh-lo at a Itlia, era porque estava interessada em continuar o relacionamento?  perguntou Karrie com meiguice.
	Meu bem, sempre fui muito seguro sobre tudo na vida, mas depois que a conheci no tive mais um instante de paz e confiana. Naquele momento, s sabia que precisava faz-la minha, e logo!
	E, de certo modo, ficamos noivos naquela noite, meu amor.
	No conseguia acreditar que voc fosse to inocente como sua me dissera, mas era verdade. E quando, de repente, voc me disse que s aceitaria fazer sexo no casamento...
	J me perdoou? Fui to tola...
	Perdoar o qu? Afinal, facilitou tudo para mim! No sabia como pedi-la em casamento, depois de apenas alguns dias que nos conhecamos!  Karrie riu, e Farne continuou:
 Fiquei estupefato quando me disse que s aceitaria ir para a cama depois de casar, e tratei de aproveitar a oportunidade.
Karrie recordou com ar sonhador:
	Disse que, j que eu me sentia assim, era melhor casarmos. Mas soou to indiferente como se dissesse que
era bom levar o guarda-chuva porque ameaava chover.
	Pois , sou um grande ator. Estava com o corao na boca. Tinha medo de confessar meu amor e depois no con
seguir me controlar. Receei assust-la. Tinha escrpulos at de olhar para voc por muito tempo. E, depois da minha proposta, quando voc no respondeu, fiquei ainda mais apavorado de que fosse recusar.
	E eu  admitiu Karrie , estava apavorada demais para conseguir falar.
	Querida!  Farne voltou a tom-la nos braos.  E fiquei esperando que voc me amasse um pouco. Meu amor era to grande que supriria a ausncia do seu.
	Farne! Quanta coisa ficou para ser dita entre ns dois at este momento!
	Sim. E quando samos de minha casa naquela noite, s pensava em concretizar nosso noivado sem perda de tempo.
	Por isso foi ver meu pai no escritrio no dia seguinte?
	No perdi tempo. Mas, desde ento, fiz tudo para evitar cair em tentao de novo. Entretanto, voltei a ser fraco e senti cime de voc com Vaughan Green.
Karrie no cabia em si de tanta alegria, e rebateu:
	Engraado no ter feito fora na festa para se afastar daquela morena.
Farne pareceu deliciado.
	Ento ficou com cime tambm!
	Danadinho! Foi de propsito?
Farne beijou-a, murmurando:
	Foi nessa noite que decidi ir para a Austrlia.
	Porque...
	...Estava perdendo o controle. Tive de fazer um esforo tremendo para me afastar de voc, seminua, deitada na minha cama. E percebi que, da prxima vez que algo assim acontecesse, no iria resistir. Entretanto, ainda era de vital importncia para voc que eu me mantivesse um perfeito cavalheiro. E ainda havia duas longas semanas pela frente, antes do casamento!
	Foram quinze dias de tormento.
	Est dizendo isso para mim?!  exclamou Farne.  L estava eu, desesperado para lhe telefonar, ouvir sua voz,
mas com medo de sucumbir e pegar o primeiro vo de volta.

	Mesmo assim, voltou um dia antes do planejado.
Farne balanou a cabea, em negativa.
	Sempre planejei voltar um dia antes.
	Que vergonha!  Karrie fingiu indignao.  E eu morrendo de saudade!
	Foi s depois que me apaixonei por voc que comecei a ser mentiroso!  Farne riu, fazendo Karrie estremecer de emoo.  Pode me culpar, depois do que aconteceu na ltima vez que nos vimos? S desejava rev-la em frente ao altar.  Farne fez uma pausa e lembrou-se:  Alis, quando pretendia me contar sobre o rompimento, se eu no tivesse chegado mais cedo? Ia me contar, no ia?
	Claro que sim! No faa mau juzo de mim! Foi minha me quem evitou que eu me precipitasse. Ela disse que voc deveria ser o primeiro a saber e que era melhor dizer a todos que havia sido apenas um adiamento.
	Acho que vou gostar muito da minha sogra.  Farne sorriu.  E meus pais? Ficaram sabendo?
	Pretendia contar-lhes, mas sua me ligou antes, para saber se podia ajudar em alguma coisa, e falou com a minha.
 Karrie fez uma pausa, antes de explicar:  Eu pretendia ir  sua casa hoje. Lamento que tenha sabido pela sua secretria.
Fiquei arrasadoconcordou Farne.Passei no escritrio para deixar alguns papis e resolver problemas de ltima hora antes da lua-de-mel. Estava saindo, quando Eachel me comunicou que teria que fazer a viagem de npcias sozinho.
	Desculpe-me  sussurrou Karrie.  Deve ter sido um choque para voc.
	Pior que um terremoto!  corrigiu ele.  Nunca senti tamanho pnico em minha vida! Demorei alguns minutos
para raciocinar com clareza.
	E quando resolveu, decidiu ir at a Irving and Small e me matar de vergonha!
	Faria o que fosse necessrio para ter um esclarecimento  admitiu Farne.  Embora tenha pensado que talvez no fosse mais encontr-la trabalhando, e que deveria estar em casa ou... em algum outro lugar.
	Houve uma emergncia no escritrio...  tentou explicar Karrie.
	Gordon Lane me contou.
	Telefonou para ele?! Deus meu!
	Estava desesperado, tentando dominar as emoes e, ao mesmo tempo, pensar com clareza. Como tudo indicava que voc havia desistido do casamento, podia tambm ter voltado atrs no pedido de demisso. Liguei para Gordon Lane, e antes de ter tempo de pensar num pretexto para ter telefonado, Gordon me disse como voc foi gentil em ir trabalhar hoje.  Farne exibiu trs dedos da mos direita.  Ento soube de trs coisas: que ningum na Irving and Small sabia que o casamento tinha sido cancelado, que voc ainda pretendia deixar o emprego e, o melhor de tudo, soube onde encontr-la.
	E foi direto at a minha mesa.
	S parei para pedir a Gordon que no comentasse nada sobre o telefonema, pois queria fazer uma surpresa.
	E fez mesmo!  exclamou Karrie, rindo, deliciada.
	Depois dei instrues a Rachel para telefonar, em meia hora, para o padre e o bufe, e avisar que o casamento iria
se realizar, e...
	Rachel tinha que esperar meia hora?  Karrie fingiu-se indignada.  Ento o tempo todo voc estava certo de que iria me convencer!
	Nem tanto. O que me sustentava era apenas uma grande esperana e... uma enorme raiva. Voc no tinha o direito de fazer isso comigo!
	Eu te amo  sussurrou Karrie , e estou feliz que tenha me encontrado.
Farne aprumou-se e disse:
	Vamos fazer a coisa como deve ser, agora. Nunca a pedi em casamento de modo formal, portanto, quer se casar comigo?
	Oh, sim!
	Amanh?
	Sim, meu amor!
EPLOGO

O dia do casamento amanheceu ensolarado. Margery entrou no quarto trazendo uma bandeja com o caf da manh.
	Como se sente, querida?
	Feliz, nervosa, ansiosa, mas dormi bem.
Karrie relanceou o olhar para uma rosa embrulhada em papel celofane sobre a bandeja.
	O que  isto?
	Estava na caixa do correio hoje cedo.
Karrie leu o carto pregado  flor: "Estou esperando por voc, meu amor".
Lgrimas brotaram de seus olhos. Seu pai surgiu em seguida.
	Como vai minha bonequinha?
Karrie voltou a se emocionar, pois no o ouvia cham-la assim havia muitos anos. Depois disso o movimento no parou mais na casa dos Dalton. Jan chegou, assim como o buque de botes de rosa e orqudea. E o mais importante era que, em meio a tudo isso, Karrie tinha conscincia de que os pais conversavam sorridentes um com o outro, o que a alegrou muito.
Mais tarde, quando vestiu seu vestido de noiva e olhou-se no espelho, compreendeu que fizera a coisa certa, ao escolh-lo.
Em cinco minutos a limusine levou-a  igreja. Em meio aos comentrios elogiosos sussurrados  sua volta, e  msica do rgo, Karrie, de brao dado com o pai, subiu ao altar onde Farne a esperava.
Depois da cerimnia, rumaram para a festa e para a nova vida que principiava a dois.
	Amo-a de todo o corao, sra. Maitland  sussurrou-lhe Farne ao ouvido.  Obrigado por ser minha esposa.
Sra. Maitland... esposa de Farne! Era to maravilhoso...
	Oh, Farne...  ela sussurrou, emocionada, e trocaram um leve beijo.
E os convidados comearam a chegar.

FIM
